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Angola: Para onde caminha a companhia aérea TAAG?

Um ano e meio depois de ter recebido autorização para retomar os voos para Portugal, a companhia aérea angolana TAAG, vê-se novamente envolvida em sérios problemas relacionados com a segurança dos seus aviões.

Ontem, dia 6 de Dezembro, pouco depois de ter levantado voo do aeroporto da Portela, Lisboa, rumo a Luanda, os passageiros e a tripulação que iam a bordo do Boeing 777 ouviram um barulho e uma vibração intensa provocado por várias peças que se soltavam do motor da aeronave e que caíram numa das ruas da cidade de Almada, causando vários prejuízos materiais e ferindo duas pessoas sem gravidade.

A reacção dos blogueiros diante da gravidade da situação não se fez esperar. Eis o que se pode ler no blogue Pululu:

Segundo as agências noticiosas e televisões a cidade de Almada terá sido hoje palco de sementeira de peças que terão sido projectadas de um avião da TAAG que teria descolado momentos antes do aeroporto da Portela, em Lisboa. Dado que os aviões da TAAG que “circulam” nos céus europeus são, em princípio, novos, é de crer que a Boeing, empresa que os forneceu , não deverá estar muito bem vista. Ou será que voltamos aos tempos dos “frendship/fokker” e “dakotas” da antiga DTA que estavam todos “aparafusados” com fios? Espero bem que tenha sido só um pequeno percalço na manutenção e sem grande impacto excepto, como anuncia a SIC (estação de televisão privada portuguesa), os 10 autocarros destruídos e os dois feridos ligeiros.”

Boeing 777 da TAAG Angola Airlines, por Paulo Guerreiro no Flickr

Boeing 777 da TAAG Angola Airlines, por Paulo Guerreiro no Flickr (com licença Creative Commons Atribuição, Não Comercial, Não Derivado)

Perante esta situação rocambolesca, os pilotos viram-se obrigados a alterar o voo e a aterrar de emergência no aeroporto de Lisboa. Os mais de 120 passageiros foram encaminhados para um hotel e ao que consta, a TAAG não pretende reembolsar os seus clientes para o regresso a Angola.

Paralelamente, a companhia já fez saber, através do seu delegado baseado em Portugal, que assumirá as consequências resultantes do incidente, através de uma investigação, já em curso, para se determinar a causa da avaria.

Recorde-se que em 2007, a União Europeia (UE) colocou a TAAG na lista negra de companhias aéreas proibidas de voarem para os céus europeus após a França ter detectado sérias deficiências na segurança das aeronaves.

No blogue Contraditório faz-se referência a este episódio pouco abonatório para a companhia de bandeira de Angola.

Desde 2006 que estava em curso uma investigação por parte da União Europeia à companhia aérea angolana TAAG. Pelo que se sabe, foi a França que, pela primeira vez, detectou anomalias graves a nível da segurança dos aviões desta companhia. Agora, que acabou a investigação, a EU decidiu proibir a entrada destes aviões no espaço aéreo europeu. Acho muito bem, as regras são iguais para todos. A reacção de Angola foi apenas uma: cuidado, muito cuidado, se proíbem os nossos voos aí, nós proibimos os vossos voos aqui (Angola). Quer dizer: nem se fala em tentar seguir as directrizes de segurança mínimas. Faz-se chantagem, gasta-se menos e costuma resultar.

Na altura, e para minimizar o prejuízo, a TAAG optou por fretar os aviões da South African Airlines (SAA), transportadora aérea da África do Sul, incluindo as tripulações daquele país.

Em 2009 a restrição foi parcialmente levantada e a UE recomendou que a companhia angolana retomasse os voos entre Luanda e Lisboa, tendo o Instituto Nacional de Aviação Civil (INAC), se comprometido a fazer as inspecções aos aparelhos que operariam nesta rota. Aparentemente, a colaboração não foi suficiente.

Segundo o autor do blogue Linha de Rumo:

Parece que nem com a ajuda da TAP (Transportadora Aérea de Portugal) na manutenção a coisa vai… ou então já são problemas antigos, afinal o mesmo me aconteceu em 1 de Abril de 2007 e aconteceu novamente em 2 de Abril de 2009 em Luanda na TAP…

Resta agora saber, de que forma este triste episódio influenciará a relação da TAAG com a União Europeia e com os seus clientes que há muito reclamam da companhia nacional pelos mais variados motivos, sendo que a falta de pontualidade é o mais recorrente. Esperam-se novos capítulos para breve.

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