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Sérvia: Jornalista é Atacado em Ônibus

Teofil Pancic, conhecido jornalista da revista semanal Vreme (“Tempo”, sr), foi espancado num ônibus da linha #83 em Zemun, um dos distritos de Belgrado, no sábado, dia 24 de julho.

De acordo com a Vreme, Pancic foi atacado por dois homens que o espancaram com barras de metal. Ele deu entrada no hospital onde foi medicado por ferimentos na cabeça e no braço direito. Felizmente, não houve risco de morte. A Vreme afirma que o ataque foi planejado:

This is one more attack on Vreme’s journalists, from kidnapping of Dusan Reljic to the planting of bombs in Dejan Anastasijevic’s flat, and the perpetrators have never been arrested and convicted.

Editorial staff of Vreme asks officials, the police and the prosecutor’s office to identify, arrest and bring criminal charges against the perpetrators of the attack on journalist Teofil Pancic.

Este é mais um ataque a jornalistas da Vreme. Do sequestro de Dusan Reljic às bombas colocadas no flat de Dejan Anastesijevic, criminosos nunca foram presos nem condenados.

A equipe da Vreme pede às autoridades, à polícia e à promotoria para identificar, prender e indiciar os responsáveis pelo ataque ao jornalista Teofil Pancic.

No Pascanik – portal com foco nas políticas sérvia e balcânica, direitos humanos e outros assuntos de importância, cujos autores com frequência são altamente críticos às autoridades –, Pancic descreveu como o ataque ocorreu e concluiu [sr]:

Since I am not engaged in any illegal activities in my life, nor do I owe anyone anything, nor do I have any contacts with the underworld, I can only guess what the reason and the motive could be. It could be found in my public work and engagement. I can’t find any other possible reasons.

Já que não estou envolvido em nenhuma atividade ilegal na minha vida, não devo nada a ninguém, nem tenho contatos com o submundo, só posso supor qual seria a razão, o motivo. Poderia estar no meu trabalho público e no meu compromisso. Não consigo encontrar quaisquer outras razões possíveis.

O blogueiro Loader acredita que a razão para o ataque é a mesma dita por Pancic. Ele escreveu [sr]:

Attacks on journalists… that is not the only recent case. Can we say anything new about the topic? A punch at Pancic is a punch at all of us. Through Pancic’s case, the message was sent to us, telling us to be silent and to calmly accept the reality […]. Of course, we will not be silent.

Ataques a jornalistas… este não é o único caso recente. Podemos dizer alguma coisa nova sobre o assunto? Um soco em Pancic é um soco em todos nós. Através deste caso, a mensagem foi enviada, dizendo a nós que calemos e calmamente aceitemos a realidade. […] Claro que não nos calaremos.

Abaixo, há alguns dos mais de 200 comentários no post de Loader:

Man ray loves me:

This [incident] exceeded all bounds. I admire Teofil. I feel bad.

Este [incidente] excedeu todos os limites. Admiro Teofil e estou me sentindo mal.

Libkonz:

It’s ghastly. We cannot allow that fascists win in this country.

É assustador. Não podemos permitir que fascistas triunfem neste país.

Jelica Greganovic:

I don’t have any words. And the passengers, eyewitnesses… they are only watching? Did someone try to help him?

Não tenho palavras. E os passageiros, testemunhas oculares… estavam só assistindo? Alguém tentou ajudá-lo?

AlexDunja:

I understand the fear. But everyone has mobile phones… someone should have called the police and an ambulance…

Eu entendo o medo. Mas todo mundo tem um celular… alguém deveria ter chamado a polícia e uma ambulância…

Drago Kovacevic mencionou a violência nas ruas de Belgrado, em 2008, quando o Kosovo declarou independência:

This time they [the nationalists] don’t have a permission to attack embassies or mosques, but no one has forbidden them to attack Teofil. This is terrible. I think the police could find perpetrators if they wanted to.

Agora, eles [os nacionalistas] não têm permissão para atacar embaixadas ou mesquitas, mas ninguém os proibiu de agredir Teofil. Isso é terrível. Eu acho que a polícia poderia achar os culpados se quisesse.

masovna_keva respondeu aos comentários que acreditam que Pancic não se calaria no futuro:

Of course, he won’t be silent but it’s obvious that Serbia is returning to the 1990s, with just one difference that [Ivica Dacic, minister of the interior and president of the Socialist Party, once headed by Slobodan Milosevic] has to substantiate his own metamorphosis and maybe something will happen in regard to arresting [the attackers].

Claro que ele não irá se calar, mas é óbvio que a Sérvia está voltando aos anos 1990 com a única diferença que [Ivica Dacic, Ministro do Interior e presidente do Partido Socialista, já dirigido por Slobodan Milosevic] tem de dar forma concreta à sua própria metamorfose e talvez alguma coisa aconteça em relação à prisão [dos criminosos].

O advogado de direitos humanos do Civil Rights Defenders (Defensores do Direito Civil, ex-Comitê Sueco de Helsinki), ativista de ONGs e blogueiro Goran Miletic publicou [sr] no Pescanik um artigo em que analisa os possíveis cenários após o caso mais recente de violência em Belgrado:

Journalist and citizen Teofil Pancic has been beaten in a typically Serbian way. Two men boarded a bus in the center of free Zemun, walked up to the victim, who they had been following, and then moved to action in front of other passengers. […]

[…] I might bet that one of these three scenarios will happen:

1. the police will not find the attackers […]

2. the police will find the attackers very quickly, but the prosecutor’s office and (or) the court will be working unnecessarily slowly. […] In this case, we will be waiting too long for either the indictment or the start of the trial, and maybe for both. The cases of a female journalist [Brankica Stankovic], TV B92’s cameraman [Bosko Brankovic] and many others are a good illustration of how everything can appear and how long it can last, and without any reason.

3. the Police will arrest the attackers, the prosecutor’s office will indict them relatively quickly and then the “beating up” of Teofil will begin for the second time. For those who don’t know how this scenario works, let them to check the trial case of [Bris Taton’s death]. The formula is absolutely simple – decreasing the importance of each segment of the assault, which then leads to the conclusion that the version of the events described at indictment is contradictory. […]

O jornalista e cidadão Teofil Pancic foi agredido de um jeito tipicamente sérvio. Dois homens entraram num ônibus no centro da livre Zemun, aproximaram-se da vítima, a qual eles vinham seguindo, e então lançaram-se à ação na frente dos outros passageiros. […]

[…] Devo apostar que um destes três cenários vai acontecer:

1. A polícia não encontrará os agressores […]

2. A polícia encontrará os agressores muito rapidamente, mas a promotoria e/ou a corte trabalharão de modo desnecessariamente lento. […] Neste caso, vamos esperar muito tempo seja para o indiciamento seja para o início do julgamento – e talvez para ambos. Os casos da jornalista [Brankica Stankovic, en], do câmera da TV B92 [Bosko Brankovic, en] e muitos outros são boa representação de como tudo pode vir à tona e de quanto tempo pode durar, sem nenhuma razão.

3. A polícia encontrará os agressores, a promotoria os indiciará de modo relativamente rápido e então a agressão de Teofil começará pela segunda vez. Para os que não sabem como é que esse cenário funciona, deixe-os conferir o caso do julgamento da [morte de Bris Tanton, en]. A fórmula é absolutamente simples – decresce a importância de cada parte da investida, o que então conduz à conclusão de que a versão dos eventos, descrita no indiciamento, é contraditória. […]

Mais adiante, Miletic analisa um possível comportamento dos advogados dos agressores, de seus parentes tanto quanto do público em geral. Ele ainda supõe que a reação de maior parte da mídia não será adequada nem profissional. Conclui:

[…] A small number of the media outlets that will be reporting on everything in a professional manner will not be enough in order to send a clear message to the public, as there is no such message now, when the trial in the case of Bris Taton’s death is in progress. In the best intention, some media will start one more campaign for journalists to finally be treated as “official persons,” but this action will neither help to punish the perpetrators adequately, nor to avoid similar assaults be in the future.

[…] Um pequeno número dos meios de comunicação que vai noticiar tudo de maneira profissional não será suficiente para enviar uma mensagem clara ao público – como não há mensagem assim agora, quando o julgamento do caso da morte de Bris Taton está em andamento. Com as melhores intenções, algum veículo irá começar mais uma campanha para que finalmente os jornalistas sejam tratados como “pessoas oficiais”, mas essa ação não irá ajudar a punir os criminosos adequadamente nem impedir que ataques semelhantes aconteçam no futuro.

Associações de jornalistas, alguns funcionários estatais, partidos políticos e cidadãos também condenaram o ato violento e exigiram que autoridades reagissem de maneira apropriada.

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