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Mundo Árabe: Relembrando o Grande Aiatolá Mohammed Hussein Fadlallah

Sayed Mohammed Hussain Fadlallah

O Grande Aiatolá do Líbano, Mohammed Hussein Fadlallah, uma importante liderança xiita, morreu aos 75 anos de idade ontem. O líder religioso, com uma imensidão de seguidores, foi lembrado por blogueiros de toda a região. O Líbano declarou três dias de luto em respeito.

O libanês Dr As'ad AbuKhalil do blog The Angry Arab News Service compartilhou algumas informações que ele conseguiu em primeira mão de Fadlallah:

I am still in Doha and don't have time to write an essay about Muhammad Husayn Fadlallah. But much of the writings (not only in English) is missing many elements about his background and thought. In his early years in Najaf, where his father `Abdur-Ra'uf Fadlallah was a teacher, he was very much disturbed, as he once told me, by the strength of the communists in that country. The conflict with the communists affected his early readings and his manner of argument. This was during the time when the Iraqi communist party was the strongest party in Iraq and beyond.

Ainda estou em Doha e não tenho tempo para escrever um ensaio sobre Muhammad Husayn Fadlallah. Mas em grande parte dos escritos (e não apenas em Inglês) estão faltando muitos elementos sobre a sua história e seu pensamento. Em seus primeiros anos em Najaf, onde seu pai Abdur-Ra'uf Fadlallah foi um professor, ele estava muito perturbado, como ele me disse uma vez, pela força dos comunistas naquele país. O conflito com os comunistas afetou suas leituras iniciais e sua forma de argumentação. Isso foi durante o tempo em que o Partido Comunista iraquiano era o partido mais forte no Iraque e no além.

Apesar de descrito pela mídia como mentor do Hizbullah, Dr Abukhalil nota:

His relationship with Hizbullah is always misunderstood and there is much about that relationship that is not known, by Westerners but also by some Arabs. The relationship with Hizbullah turned into conflict by the 1990s: Fadllalllah was giving a weekly sermon in Damascus and there he developed a new line of religio-political thought and he broke from Wilayat Al-Faqih. He once gave me a tape from the mid-1980s in which he explained how he moved from the Shura concept to Wilayat Al-Faqih. Well, he later moved away from Wilayat al-Faqih and developed a new liberal thinking especially on issues of personal status laws. He openly discussed female masturbation and ruled that a woman can fight back if she is a victim of domestic violence. He urged for a closer relationship between science and religion. Those views and others primarily on Wilayat Al-Faqih put him at odds with Hizbullah and with Iran, and an Iranian cleric specialized in responding to Fadlallah. Hizbullah urged that the matter of the conflict not be open and be discussed at the clerical level (I know about that conflict primarily from Hasan Nasrallah who once patiently answered my questions about the conflict with Fadlallah during that time). But all that changed by 2006: when the typically ignorant Israeli Orientalists still believed that Fadlallah was the “spiritual guide” of Hizbullah–as Western media and some scholars insisted that he was–and Israeli war criminals bombed his house and many of the institutions that he had built. That made Fadlallah a staunch ally of Hizbullah, and he remained so to his last days. This should be a topic of a PhD dissertation: to deal with the transformation of the religio-political thought of Muhammad Husayn Fadlallah. His influence extends beyond Lebanon and much of the donations to his organization comes from outside of Lebanon. Before people speculate about “religio-political inheritance” in Lebanon they should know that the marji`iyyah (supreme religious authority) can't be transmitted to heirs.

Sua relação com o Hezbollah é sempre incompreendida e há muito sobre essa relação que não é conhecida pelos ocidentais, mas também por alguns árabes. A relação com o Hezbollah se transformou em conflito na década de 1990: Fadllalllah estava dando um sermão semanal em Damasco e ali desenvolveu uma nova linha de pensamento político-religioso e rompeu com o Wilayat Al-Faqih [Livro escrito por Khomeini com as bases do Estado Teocrático]. Uma vez ele me deu uma fita de meados da década de 1980 na qual ele explicou como ele mudou a partir do conceito de Shura para o Wilayat Al-Faqih. Bem, mais tarde ele se afastou do Wilayat al-Faqih e desenvolveu um novo pensamento liberal, especialmente em questões de leis de estatus pessoal. Ele discutido abertamente a masturbação feminina e decidiu que uma mulher pode se defeder e lutar de volta se ela é vítima de violência doméstica. Ele pediu por uma relação mais próxima entre ciência e religião. Esses pontos de vista e outros, principalmente em relação ao Wilayat Al-Faqih, colocaram-no em conflito com o Hezbollah e com o Irã, e um clérigo iraniano especializados em responder a Fadlallah. O Hezbollah pediu que a questão do conflito não fosse aberto e fosse discutido a nível clerical (eu soube sobre esse conflito primeiramente por Hasan Nasrallah, que uma vez, pacientemente, respondeu às minhas perguntas sobre o conflito com Fadlallah durante aquele tempo). Mas tudo isso mudou em 2006: quando os tipicamente ignorantes orientalistas israelenses ainda acreditavam que Fadlallah fosse o “guia espiritual” do Hezbollah – como os meios de comunicação ocidentais e alguns estudiosos insistiram que ele era – e os criminosos de guerra israelenses bombardearam sua casa e muitas das instituições que ele havia construído. Isso fez de Fadlallah um fiel aliado do Hezbollah, e assim permaneceu até seus últimos dias. Este deve ser tema de uma tese de doutorado: para lidar com a transformação do pensamento político-religioso de Mohammad Hussein Fadlallah. Sua influência se estende para além do Líbano e grande parte das doações para a sua organização vem de fora do Líbano. Antes de as pessoas especularem sobre a “herança político-religioso” no Líbano, elas deveriam saber que a Marji’ iyyah (autoridade religiosa) não pode ser transmitida aos herdeiros.

Em conclusão, The Angry Arab acrescenta:

His passing will only strengthen the position of Hizbullah and Sistani will continue to be emulated by those who don't agree with Khamenei as the object of emulation in Lebanon.

Sua morte só irá reforçar a posição do Hezbollah e Sistani vai continuar a ser seguido por aqueles que não concordam com Khamenei como objeto de emulação no Líbano.

Em Ya Libnan, os leitores lamentaram a morte de Fadlullah. Elias escreveu:

He was a good spiritual leader and a scholar. He wanted the best and a united Lebanon. He preached about having Islamic unity but also he wanted them to reach out to other non-muslims and be more open and forgiven to other religions. Lebanon have lost a great one and I hope many will follow in his footsteps. Rest in Peace and bless your family and Lebanon too.

Ele era um bom líder espiritual e estudioso. Ele queria o melhor e a unidade do Líbano. Ele pregava sobre termos uma unidade islâmica, mas ele também queria que  alcançassem outros não-muçulmanos e fossem mais abertos com outras religiões e perdoassem. O Líbano perdeu um grande homem e eu espero que muitos sigam seus passos. Descanse em paz e abençoe sua família e o Líbano também.

Youssef acrescenta:

We have lost a rare commodity, a spiritual guide who encouraged and promoted coexistence & unity. His actions spoke louder than his words. May his soul rest in peace and may God grant his family and loved ones the strength & patience required in this testing time. God bless humanity…. Peace

Perdemos uma mercadoria rara, um guia espiritual que incentivou e promoveu a convivência e unidade. Seus atos falavam mais alto que suas palavras. Que sua alma descanse em paz e que Deus conceda a sua família e entes queridos a força e paciência necessária neste momento de teste. Deus abençoe a humanidade …. Paz

Do Egito, Zeinobia escreve:

Fadallah was not only known for being a spiritual leader to Hezbollah since 1980s but also for his controversial religious opinions and fatwas (religious edicts). It is not only Lebanon that has lost one of its religious icons but also the Shiite Islamic world has lost one of its outspoken moderate figures.You can watch Al Jazeera documentary about Al Shiite to see him speaking about his sect's beliefs

Fadallah não só era conhecido por ser um líder espiritual para o Hezbollah desde 1980, mas também por suas polêmicas opiniões religiosas e fatwas (decretos religiosos). Não é só o Líbano que perdeu um dos seus ícones religiosos, mas também o mundo islâmico xiita perdeu uma das suas figuras moderadas. Você pode assistir um documentário da Al Jazeera sobre Al xiita para vê-lo falando sobre suas crenças.

Ainda no Egito, Abu Al Maali Faeq notas (ar):

لقد كان هذا الرجل يذكرنى بالشيخ محمد الغزالى رحمه الله فقد كان الغزالى يكره سفاسف الأمور،كما كان يكرهها أيضا الشيخ العلامة محمد حسين فضلله،رحل هذا الرجل والأمة تتلاطمها أمواج الخلافات المفتعلة بفعل بعض الأغبياء الذين تركوا العدو الحقيقى المتمثل فى ما يسمى بدولة إسرائيل وراحوا يفتشون عن عدو من الماضى وضعه المستعمر وما زال يلعب عليه حتى اللحظة،ما أحوج الأمة إلى أمثال السيد حسين فضلله كما كان أحوجها أيضا إلى الشيخ الغزالى
Este homem costumava me lembrar de Shaikh Mohammed Al Ghazali, que sua alma descanse em paz. Al Ghazali costumava odiar questões superficiais, que Sayed Fadlullah odeia também. Esse homem nos deixou, enquanto a nação muçulmana está sendo afetada por conflitos criados por algumas pessoas estúpidas que deixaram o verdadeiro inimigo, representada na forma do que é chamado de Estado de Israel, e foi à procura de um inimigo do passado, criado pelos colonialistas, que continuam a jogar a carta de “dividir e dominar”  até este dia. Nossa nação islâmica necessita da presença de homens como Sayed Fadlullah hoje, assim como precisa de homens como Shaikh Al Ghazali.

Jovem lamenta a morte de Sayed Fadlullah na vila xiita de Bani Jamra, no Bahrain

E finalmente no Bahrain, o blog A Green Oasis [Um Oásis Verde] relata que uma marcha teve lugar na vila de Bani Jamra em memória de Fadlullah. Clique no link para fotografias da marcha.

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