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Rússia: Jogos Olímpicos de Sochi e o Genocídio Circassiano

The mountaineers leave the aul, by P. N. Gruzinsky, 1872

Montanhêses saindo dos aul, de P. N. Gruzinsky, 1872. Domínio Público

Em 2014, a estância russa de Sochi sediará os Jogos Olímpicos de Inverno [En], mas os 700,000-900,000 Circassianos vivendo na Rússia ou na diáspora estão tentando o seu melhor para evitar que o país tenha seus jogos Olímpicos em paz.

O povo Circassiano demanda que o governo russo reconheça o Muhajir [En] (Genocídio Circassiano) do século 19 , onde cerca de 90 por cento da população local Circassiana foi morta ou deslocada pelo Czar Alexandre II. O problema é ainda mais grave considerando que Sochi é o local exato onde ocorreu um dos piores episódios do genocídio, como Dina Tlisova, do blog Mass Communications WHS [Comunicação de Massa WHS], relata [En]:

Others, like the Circassians oppose the Olympics because the main place, called the Red Valley was where the CIrcassian Genocide took place in 1864 and 97% of the Circassians were killed and deported to the Ottoman Empire, Syria, Jordan and other countries. The graves of dead soldiers that were buried near the place are bulldozed and dug out to be replaced by amusement parks. Officially, Russia did not recognize the Circassian Genocide, thus the issue does not receive enough attention.

Outros, como os circassianos se opõem à Olimpíada porque o lugar principal, chamado Vale Vermelho foi onde o genocídio circassiano teve lugar em 1864 e 97% dos circassianos foram mortos e deportados para o Império Otomano, Síria, Jordânia e outros países. Os túmulos de soldados mortos que foram enterrados perto do lugar são demolidos e escavados para serem substituídos por parques de diversões. Oficialmente, a Rússia não reconhece o genocídio circassiano, assim, a questão não recebe atenção suficiente.

Martim W Lewis, do blog GeoCurrents.info, acrescenta [En] mais informações sobre o genocídio:

Having fought the Circassians for roughly a century, Russia’s leaders decided to expel the population. Some 80 to 90 percent of the Circassians were forced out; most found refuge in the Ottoman Empire, but nearly half died in the process. Today the Circassian population in Russia has recovered to number some 900,000. In Turkey, roughly two to four million people are of Circassian descent, and the Circassian community in Jordan numbers about 150,000. It is doubtful, however, whether Circassian culture can survive outside of the Caucasian homeland.

Tendo lutado contra os circassianos por cerca de um século, os líderes da Rússia decidiram expulsar a população. Entre 80 e 90 por cento do circassianos foram forçados a sair; a maioria encontrou refúgio no Império Otomano, mas quase a metade morreu no processo. Hoje a população Circassian na Rússia se recuperou e hoje somam cerca de 900.000. Na Turquia, entre dois e quatro milhões de pessoas são de ascendência circassiana, e a comunidade circassiana na Jordânia soma cerca de 150.000. É duvidoso, porém, se a cultura circassiana pode sobreviver fora de sua terra natal no Cáucaso.

O grupo étnico circassiano comprime os Adigueus [En] , os Abecásios, os Ubykh, os Cherkesses, os Shapsugs e os Cabardinos, principalmente no noroeste do Cáucaso (sul da Rússia) nas Repúblicas Autônomas da Adiguésia, Cabardino-Balcária e Carachai-Circássia, mas também na República da Abecásia e em uma grande diáspora por todo o mundo, principalmente na Turquia, Jordânia e nos EUA.

A Circássia histórica hoje está dividida entre seis regiões da Federação Russa, mas quase 90% da população circassiana agora vive fora da Rússia, de acordo com o website da organização Circassian World [Mundo Circassiano], que também nos dá mais algumas informações sobre o povo circassiano e sua diáspora, a segunda maior da Rússia.

O povo circassiano há muito exige o reconhecimento do seu genocídio, embora a Rússia tenha mantido silêncio sobre todos os protestos, manifestações, websites e livros pedindo [à Rússia] para fazê-lo e [opovo] também protesta contra os Jogos Olímpicos em Sochi, como o protesto em Nova York em outubro passado, como mostra o vídeo de Sokarov abaixo:

Segundo o “NoSochi2014“, um website criado para colocar mais pressão sobre o governo russo e para conseguir apoio para a causa, a data dos jogos irá coincidir com o 150º aniversário do genocídio, que é bastante emblemático para o povo circassiano. Para tornar a situação ainda pior, Sochi, cidade cujo nome vem do grupo étnico circassiano Shache que viveu lá até 1864, fica exatamente sobre os ossos e sangue [En] de milhares de circassianos mortos durante as últimas batalhas da guerra; e a cidade foi a última capital de Circássia independente.  Além disso, Radio Adiga explica [En] que o monte chamado “Monte Vermelho” será utilizado em eventos de esqui. O lugar fica fora [mas próximo] de Sochi, e foi o local de uma batalha sangrenta, onde muitas pessoas foram assassinadas.

Used under CC

Usado sob CC

O governo russo declinou [En] todas as tentativas de discutir o assunto. Em 1994, o ex-presidente russo Boris Ieltsin reconheceu que muitos povos caucasianos lutaram contra o regime czarista e que [esta luta] havia sido legítima. Embora ele não tenha reconhecido a resposta da Rússia como um “genocídio”, o blog da Jamestown Foundation [Fundação Jamestown] diz [En] que foi o mais próximo que qualquer governo russo chegou de um reconhecimento:

The recognition issue has quite a history of its own. Former Russian President Boris Yeltsin's 1994 statement acknowledged that “resistance to the tsarist forces [in the 19th century] was legitimate,” but he did not recognize “the guilt of the tsarist government for the genocide.”

A questão do reconhecimento tem uma história muito própria. A declaração de ex-presidente russo Boris Yeltsin, em 1994, reconheceu que “a resistência às forças czarista [no século 19] foi legítima”, mas ele não reconhece “a culpa do governo czarista para o genocídio”.

E quanto à RuNet, blogueiros como Yuri Mamchur, do Russian Blog [Blog Russo], relataram sobre os jogos e disseram que a cidade foi fortificada para resistir às invasões circassianas e [que a cidade] fazia parte do Império Russo desde 1829, sem sequer mencionar [En] as batalhas sangrentas ou o enorme deslocamento da população local durante o século XIX :

From the 15th century the coast was controlled by the local mountaineer clans, nominally under the sovereignty of the Ottoman Empire. It was ceded to Russia in 1829 as a result of the Russo-Turkish War.

In 1838, the fort of Alexandria, renamed Navaginsky a year later, was founded at the mouth of the Sochi River to protect the area from Circassian incursions. During the Crimean War the garrison was evacuated from Navaginsky in order to reinforce active forces. The fort was rebuilt in 1864 under the name of Dakhovsky, or Dakhovsky Posad (as it became known in 1874). In 1896, the settlement acquired its present name, derived from the local Sochi River. Town status was granted to Sochi in 1917.

A partir do século 15 na costa era controlada pelos clãs montanhêses locais, nominalmente sob a soberania do Império Otomano. [A cidade] Foi cedida à Rússia em 1829 como resultado da Guerra Russo-Turca.

Em 1838, o forte de Alexandria, rebatizado Navaginsky um ano depois, foi fundado na foz do rio Sochi para proteger a área contra invasões circassianas. Durante a Guerra da Criméia, a guarnição foi evacuada de Navaginsky a fim de reforçar as forças ativas. O forte foi reconstruído em 1864 sob o nome de Dakhovsky ou  Dakhovsky Posad (como ficou conhecido em 1874). Em 1896, a povoação adquiriu a sua atual denominação, derivada do Rio Sochi. O status de cidade foi concedido a Sochi em 1917.

Finalmente, Em Kâ Bé, from Share Brook, questiona o Comitê Olímpico Internacional, comparando [En] sua decisão de escolher Sochi como a de escolher Auschwitz para sede dos Jogos:

One cannot say the International Olympic Committee is an organisation that is involved in humanitarian and/or political causes, only to close its eyes or put its head in the sand. In fact, I would bet the Games could be held at Auschwitz and it wouldn't raise an eyebrow at IOC over that issue. Only sport. Sport for the sake of sport, disembodied of the rest. Just sport. In the blood and in the money whatever the cost. As long as it's only sport.

Não se pode dizer o Comitê Olímpico Internacional é uma organização que está envolvida em ajuda humanitária e/ou causas políticas, só para fechar os olhos ou enterrar a cabeça na areia. Na verdade, eu apostaria que os Jogos poderiam ser realizados em Auschwitz e não levantaria uma sobrancelha para o COI sobre essa questão. Apenas esporte. Esporte em prol do esporte, desencarnada do resto. Apenas esporte. No sangue e no dinheiro a qualquer custo. Enquanto seja apenas esporte.

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