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Muçulmanos Franceses: Da Colonização à Cidadania

Enquanto a África francofônica celebrava seus 50 anos de independência da França ou da Bélgica, e isto ainda com um intenso debate sobre “identidade nacional” [en] como pano de fundo, uma nova geração de documentaristas franceses decidiram se auto-retratar como muçulmanos e cidadãos franceses, o que significa ser duplamente laico na França. “Musulmans de France” (“Franceses Muçulmanos”) [fr], foi lançando pelo canal 5 francês no dia 23 de fevereiro. No video abaixo, Karim Miské, um dos diretores, explica primeiramente como definiram “franceses muçulmanos” para o documentário [fr]:


Interview Karim Miské (Part 1)
Enviado por Phares-Balises. – Noticias em video na hora

Ele relembrou um artigo do site Rue89, “Mãe, o que é um muçulmano?” [fr] como sendo a forma que ele descobriu que era “diferente”:

1972. J'ai huit ans et j'habite à Paris. Une fois par semaine, à la cantine, on nous sert de la choucroute. J'ai horreur de ça, et les cantinières … me lancent des regards mauvais, des réflexions … je ne comprends rien.

“1972. Eu tinha 8 anos e morava em Paris. Uma vez por semana, na cantina, nos serviam chucrute. Eu detestava aquilo, e as garçonetes… me olhavam estranho, faziam comentários… eu não entendia aquilo.”

Un soir, j'en parle à ma mère qui m'explique un truc très bizarre : les dames … sont fâchées contre moi car elles pensent que je refuse de manger du porc à cause de ma religion.

“Uma noite, eu pedi a minha mãe que me explicasse algo muito estranho: as garçonetes… estavam zangadas comigo porque pensavam que eu não comia porco, por causa de minha religião.”

Blogueiros na França reagiram à nova perspectiva e o aprofundamento da investigação.

O blog “Ménilmontant, mais oui madame…” [fr] elogia o resultado:

France 5 a diffusé mardi 23 février avec un relatif succès d’audience … Musulmans de France. Suivre les trois parties … aurait pu en dérouter plus d’un. Quelque 400 000 téléspectateurs sont restés de 20h35 jusqu’à près de minuit à regarder …

“O canal 5 transmitiu na terça, 23 de fevereiro com uma relativa boa audiência com… os franceses muçulmanos. Assistir as 3 partes… poderia ser demais para alguns. Algumas das 400.000 pessoas assistiram de 20h35 até quase meia-noite…”

O Twitter @FreeBEEz disse que o sucesso aconteceu por ser um:

Salutaire doc sur Les musulmans de France après dérapages du débat #identitenationale. Excellents témoins, fines analyses #mdf

“Bom documentário sobre franceses muçulmanos após o debate #identidadenacional. Histórias excelentes, boas análises #mdf”

O blogueiro Med'in Marseille [fr] disse:

La France n’échappera pas à son histoire et les Musulmans en font partie. Mais « qu’est-ce qu’être Musulman en France…

“A França não pode evitar sua história e os muçulmanos fazem parte disso. Mas “o que significa ser ser muçulmano na França…”

Para responder a esta questão, o documentário foi dividido em três partes, como escreveu Olivier Barlet no site Africultures.com:

Les trois films, suivent une stricte chronologie, … trois titres en forme d'évolution : Indigènes (1904-1945 colonialisme), Immigrés (1945-1983 post-colonialisme), Français (à partir de 1983).

As três partes, seguem um cronologia estrita,… três títulos que evoluem: Indígenas (1904-1045 – colonialismo), Imigrantes (1945-1983 – pós-colonialismo) e Franceses (a partir de 1983)”

Med'in Marseille [fr] diz mais:

Une fresque historique inédite de 100 ans, qui démarre en 1904 … date des premières images exploitables cinématographiquement mais aussi l’arrivée des premières vagues de travailleurs, jusqu’en 2007 … la nomination de Rachida Dati, Rama Yade et Fadela Amara au gouvernement.

“…Um romance épico histórico de 100 anos, começando em 1904… quando a primeira imagem foi cinematograficamente usável, mas também com a chegada da primeira onda de trabalhadores, a partir de 2007… quando Rachida Dati, Rama Yade e Fadela Amara foram nomeados para o governo.”

Este documentário descreve os muçulmanos como “cidadãos” simplesmente “franceses”…

Le documentaire s’attache à montrer le « musulman » comme un « item » sociologique, une « catégorie » et non une « entité » religieuse. …

“O documentário mostra os “muçulmanos” como um “item” sociológico, uma “categoria” e não uma “entidade” religiosa…”

…la prise en compte de l’ensemble des Musulmans ou ceux que l’on considère comme tel, bien qu’athées, agnostiques, ou simplement non pratiquants.

“… Considerando que os muçulmanos ou aqueles que são assim considerados, mesmo ateus, agnósticos ou simplesmente não-praticantes.”

Olivier Barlet, do site Africultures.com [fr] explica:

…, le rappel … de l'ancienneté de l'immigration maghrébine : dès la fin du 19ème siècle, des travailleurs de Kabylie avaient participé à la construction du métropolitain et des milliers d'ouvriers marocains et algériens étaient recrutés par les mines du Pas-de-Calais. … l'enthousiasme des populations françaises pour les combattants africains de la Grande guerre … Le film montre les efforts déployés par l'armée pour respecter leurs coutumes (interdits alimentaires, rites funéraires, lieux de culte) mais aussi pour les parquer afin d'empêcher tout contact entre Français et indigènes.

“Lembre, quando a imigração do norte da África começou: a partir do século XIX, trabalhadores de Cabília participaram da construção da Metrópole e milhares de trabalhadores algerianos e marroquinos foram recrutados para as minas de Pas-de-Calais. (…) O entusiasmo do povo francês pelos soldados africanos da Grande Guerra… O filme mostra o esforço dos militares em respeitar seus costumes (alimentação, rituais funerários, locais para cultos), mas também a forma que eles estavam estacionados a fim de evitar qualquer contato entre os franceses e os indígenas.”

…Ce double mouvement d'accueil et de rejet sera et est encore une permanence de la relation, une relation que le grand public découvre avec étonnement alors même que plus de 400 000 Maghrébins traverseront la mer entre 1921 et 1939. C'est en France qu'émergeront nombre de leaders nationalistes, dans un rapport contradictoire à la France, à la fois terre de savoir et de valeurs mais aussi puissance occupante.

“… o duplo sentimento de amor e ódio seria ainda um resquício do relacionamento, um relacionamento que o público descobre com espanto, mesmo que mais de 400.000 africanos do norte tenham atravessado o oceano entre 1921 e 1939. É na França que a maioria dos líderes nacionalistas emergiria, em uma relação contraditória com a França, um país não só de valores e conhecimentos, mas também a potência ocupante.”

… La ” marche des Beurs ” de 1983 révélera non seulement cet enracinement mais aussi le rapprochement des enfants d'immigrés et d'Harkis, confrontés aux mêmes discriminations et se retrouvant dans une culture commune. … Les indigènes sont devenus des Français.

“… A “merche des Beurs” [fr] em 1983 provou não só as raízes, mas também a ligação entre os filhos dos imigrantes e Harkis [en], que enfrentou a mesma discriminação e tem a cultura em comum. (…) Os nativos agora são franceses.”

E finalmente, a seleção de tweets ao vivo durante a exibição do filme quando as pessoas expressavam suas impressões:

@cduportlawyer On en apprend des choses ds le doc. Pourtant, j'etais assidue en cours d'histoire…#mdf

“@cduportlawyer aprendemos muito com este documentário. Mesmo que eu nunca tenha faltado uma aula de história… #mdf”

@Donjipez Compliqué histoire guerre d'algérie. Doit être noeud de bcp de choses #mdf

“@Donjipez A história da guerra com a Argélia é complicada. Provavelmente a pólvora para um monte de coisas #mdf”

@megaconnard: jamais un film ne m'a autant plongé dans mes origines et je ne suis pas musulman #mdf

“@megaconnard nunca um filme me conectou tanto com as minhas raízes e eu nem sou muçulmana #mdf”

@foued Le passage avec Rachid Taha et Carte de Sejour etait… etonnant. Les annees 80, le rock arabe :)#mdf

@foued a parte em que Rachid Taha e Carte de Sejour foi… surpreendente. Os Anos 80, o rock árabe :) #mdf”

@motazaline B.Coquatrix ” Avant d'aller à la Mecque, les musulmans allaient voir Oum Keltoum” France5 #mdf

“@motazaline B. Coquatrix “Antes de ir a Meca, muçulmanos deveriam ir ver Umm Kulthum [en] Canal5 #mdf”

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