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Marrocos: Honra para as Mulheres

Ar-KL-large-copie-189x300Blogueiros marroquinos uniram-se à campanha Kolena Laila (Somos Todos Laila), uma iniciativa independente online que convida, pela primeira vez, blogueiros de toda a região árabe a se expressar livremente e a estimular uma maior consciência a respeito das preocupações femininas em suas respectivas comunidades. A campanha, originalmente uma iniciativa exclusivamente egípcia de 2006, agora cobre a blogosfera do Norte da África e do Oriente Médio de ponta a ponta.

Laila é a protagonista do romance “المفتوحالباب” (The Open Door; A Porta Aberta, em inglês) de Latifa Az'zayate, e simboliza as mulheres que tentam construir uma personalidade independente em suas comunidades.

Escrevendo em árabe no blog My Sweet Home (Meu Doce Lar, em inglês) Bouthaina conta a história [ar] de uma mulher a quem a vida moderna parece ter trazido pouco benefício. Ela diz:

صل إلى البيت أخيرا و قد استنفذت قواها الباقية من مشقة العمل و رحلة المواصلات التي لا تنتهي.. تنصرف السيدة المربية على عجلة من أمرها هي الأخرى ـ يبدو أنه قدرها الحتمي في هذه الدنيا .. عجلة أزلية.. لا تدري إلى متى فهي تكاد تنكسر..ـ تبتدئ بعدها مرحلة جديدة من مراحل عملها اليومي.. فالطفل يكون بانتظارها كي تقوم معه بنزهة.. أو تلاعبه أو تطعمه..عدا مراقبتها له و لشقاواته.. و التي قد تختلط فيها الضحكات بالبكاء و الصراخ الذي لا نهاية له…. تعود أنت يا حبيبي من عملك متأخرا.. بعد أن تكون طاقتي القليلة قد انعدمت أو تكاد
تندهش دائما إذا لم أتجاوب معك بما يكفي. و كيف لي بالتجاوب و أنا أخاف أن أبلغ يوما لا أستطيع فيه حتى التجاوب مع نفسي؟

Finalmente ela chega em casa, tendo exaurido o que restou de suas forças no trabalho e no deslocamento em uma viagem diária sem fim de volta para casa. A babá vai embora. Ela está com pressa, também. Estar com pressa parece ser uma fatalidade em seu destino neste mundo. Um eterno ciclo sem fim à vista. Ela está quase totalmente sem dinheiro. Agora se inicia uma nova fase em sua rotina de trabalho. Seu filho está a sua espera para que ela lhe dê uma carona, ou para que brinque com ele ou lhe dê sua comida. Sem falar no fato de que ela tem que cuidar dele e vigiá-lo o tempo todo o que normalmente implica uma sucessão sem fim de risadas, lágrimas e gritaria. Seu amante volta tarde do trabalho, depois que ela já estava sem energia alguma. Ele sempre se surpreende com o fato de que ela não responde a ele num nível satisfatório. Ela se pergunta: Como posso corresponder quando temo que um dia não conseguirei responder nem a mim mesma?
Sou uma cidadã como você.

Sou uma cidadã como você.

A.C.Osama ao escrever em Ana Wa al-Hayat [ar] ataca o que encara como um assédio sexual generalizado praticado contra as mulheres na sociedade onde vive. Ele escreve:

التحرش الجنسي جريمة.. جريمة يعاقب عليها القانون، ليس لدينا طبعا. بل في دول الشمال. هنا الأمر يختلف، و إن كان هناك بعض الوعي الذي بدأ في الانتشار، إلا أن المجرم الوحيد الذي يشار إليه بالأصابع إن حصل فعل التحرش، ليس سوى المرأة. على الأرجح أنتم تعرفون كيف يحصل ذلك، و إن حدث و أظهرت تضايقك من تصرف “السي السيد” فلن تجد جاوبا أكثر من “إنهن فتنة، يستدرجوننا.. أنظر إلى لباسها! عليهن اللعنة”.
صحيح أن هناك تيار، يريد إرجاعنا، دون وعي منا، إلى زمن كانت فيه المرأة يرى إليها كوسيلة إشباع لرغبات و نزوات الرجل. و هذا ما قد حصل فعلا، فبعد تطور نسبي عرفته مجتمعات بعض الدول العربية في النصف الثاني من القرن الماضي على مستوى التفكير و رؤية الأمور، ها هي الأشياء ترجع إلى أصلها. كل ما يبدو لنا من المرأة هو الجسد. و أول شيء نفكر فيه عند رأيتنا لها هو السرير!!
. الأمر مقرف لدرجة لا تتصور. رأفة بنفسي و بكم طبعا، سأختم الآن. لكن كنوع من التنفيس عن الذات اسمحوا لي بالقول: لعن الله الرجال!!

Assédio sexual é um crime. Um crime passível de ser punido por lei, não aqui, naturalmente, mas nos países ocidentais. Aqui é diferente: embora um certo grau de consciência comece a se difundir, aqueles que têm sido culpados e apontados como responsáveis pela ofensa tem sido as mulheres. Você deve saber como isso normalmente acontece: toda vez que você mostra sua insatisfação para o “Si Sayyid” [em referência à protagonista da Trilogia do Cairo [en] de Naguib Mahfouz, o arquétipo do patriarcado polígamo e misógeno] a única resposta que você obtém é “elas [as mulheres] nos incitam e provocam. Veja como elas se vestem! Elas que se danem!”

Há, de fato, uma corrente no momento que tenta nos empurrar, a maioria de nós que não estamos a par disto, para um tempo quando as mulheres eram vistas como um meio de satisfazer os desejos e caprichos dos homens. Na verdade, o que ocorreu foi o seguinte: após um desenvolvimento relativo na maneira como encaramos as coisas em alguns países árabes, principalmente durante a segunda metade do século XX, agora estamos de volta ao primeiro estágio. A única coisa que notamos numa mulher, aparentemente, é seu corpo.
Isto é inacreditavelmente pertubador. Por consideração a mim mesmo e a você eu concluirei com um tipo de chamado catártico. Portanto deixe-me dizer: Danem-se os homens!

A questão de assédio sexual foi também abordada pelo escritor e blogueiro Mohamed Mouâd EL GORDE (Medmouad) que pede [en] mais respeito e cortesia para com as mulheres. Ele escreve:

I owe to my mother who, after the prematured death of dad, sacrified herself to raise us & to have all we need & my maternal aunts who didn't marry just to take care of us & later of grandma. Education & ethics in which I believe came from them & thanking them won't be enough whatever I do. Those silly men should think twice.
I won't allow myself to harass [any woman]. Understand as you want, I try to be as gentelman as possible.
So, men, please: have a respect for women.

Devo à minha mãe que, após a morte prematura de meu pai, sacrificou-se para nos criar e nos dar aquilo que precisávamos, e às minhas tias maternas que não se casaram justamente para cuidarem de nós e mais tarde de nossa avó. A educação e a ética nas quais acredito vêm delas e agradecê-las nunca será o bastante, não importa o que eu faça. Esses homens tolos deveriam pensar duas vezes.
Não permitirei a mim mesmo assediar [qualquer mulher]. Entenda como você queira, mas eu tento ser tão cavalheiro quanto possível.
Portanto, homens, por favor: tenham respeito pelas mulheres.

Outro blogueiro, Issam, embora apoie a iniciativa de Kolena Laila, é cético [ar] a respeito do impacto que tais iniciativas possam ter. Ele escreve:

دعونا الآن نفكر في الفئة التي ستقرأ هذا الكلام.. إنها غالبا فئة مثقفة مطلعة على المدونات والأنترنت.. هذه الفئة تفهم تماما أبعاد القضية وليست على الإطلاق هي الفئة التي تحتاج إلى تنوير في الموضوع. وحتى إن وجد من هو على هذا القدر من الثقافة ورأيه يخالف ما نتكلم عنه هنا، فإن أول رد فعل سيقوم به حينما يجد موضوعا عن المرأة وحقوقها هو أن يغلق الصفحة دون أن يخسر على الموضوع سوى كلمة واحدة: “هراء!”
أظن أن الصراخ المثقف، والندوات المثقفة، كعادة الثقافة دوما، أشياء تدور في حلقة مفرغة مثقفة بدورها. إن من يهين امرأته أو يضربها أو يتحرش بها لن تجده على الأرجح يتصفح هذه التدوينات أو يحضر الندوات أو يشارك في المهرجانات.

Vamos pensar sobre quem irá de fato ler essas palavras: com freqüência será uma classe de pessoas educadas, familiarizada com blogs e a Internet. Essa classe compreende, completamente, as proporções dos problemas que as mulheres enfrentam, e não se trata, absolutamente, de uma categoria que necessita de esclarecimentos sobre o assunto. Mesmo que se possa encontrar leitores educados com opinião contrária ao que estamos nos referindo aqui, imagino que a primeira reação que tal leitor terá quando se inteirar dessa história sobre as mulheres e seus direitos será a de concluir a leitura com a seguinte expressão: “Bobagem!”
Acredito que protesto cultural, seminários culturais e coisas culturais em geral tendem a girar num círculo vicioso. Aquele que ofende sua mulher ou a espanca ou molesta provavelmente não estará percorrendo essas páginas ou indo a seminários ou participando de reuniões.

Hind Idrissi, escrevendo no Hindapress [ar], expressa nostalgia por um tempo quando, ela diz, homens e mulheres costumavam ter mais respeito um pelo outro. Ela relata:

إن ما تربينا عليه ووجدنا أجدادنا واباءنا وأمهاتنا عليه هو الاحترام المتبادل وليس اللكم المتبادل, إن من المعروف على المرأة العربية المسلمة عامة والمغربية خاصة هو احترام الزوج بل أن المرأة كانت تقبل يد زوجها احتراما له وهذا كان منتشرا في أجيال سابقة ومازال إلى يومنا هذا في بعض العائلات القليلة جدا ربما البعض سيقول هذه إهانة للمرأة لكن عندما يكون هناك المودة والاحترام المتبادل وعندما نرى البعد المعنوي لهذا التصرف لا يكون كذلك وبالمقابل يكون الزوج هو السند والأمان لها وفعلا في زمن مضى كان الرجل أكثر احتراما لزوجته والعكس صحيح .

Fomos criados para viver a vida que nossos ancestrais e nossos pais e mães viviam: uma vida de respeito mútuo, não de assédio. O que era bem conhecido sobre as mulheres árabes e muçulmanas em geral e mulheres marroquinas em particular era o respeito que tinham por seus maridos, e que a mulher costumava beijar a mão de seu marido por respeito a ele, e isto prevalecia em gerações passadas e ainda acontece até o dia de hoje em algumas famílias conservadoras. Talvez será dito que tal prática é um insulto às mulheres, mas quando há amor e respeito mútuo, e quando se leva em conta a dimensão moral deste ato, não mais parece ofensivo. Por outro lado, o marido sustenta sua mulher e lhe provê segurança. Na realidade, os homens costumavam ter uma atitude mais respeitosa para com suas mulheres. Hoje em dia, parece ser o contrário.

O blogueiro Heebou denuncia um certo preconceito [ar] que ele vê como prevalente contra todas as Lailas ou mulheres de pensamento independente. Ele relata:

ما ننسى أنها حملتنا ,أنجبتنا ,أرضعتنا وربتنا فقط لنرفع صوتنا في وجهها كنا صغارا وحتى صرنا كبارا نجدها بقربنا أيام المرض نشفى فنعذبها حتى نسقطها أرضا ولا ننسى تشطيبها من الوجود فقط لأنها ليلى.

Temos a tendência a esquecer que foi ela [a mulher] quem nos criou, nos amamentou e nos educou, só para que levantássemos nossa voz em sua frente. Ficamos mais velhos, caímos doentes, mas elas ficam do nosso lado. Assim que nos recuperamos, começamos a tormentá-la até que a jogamos no chão e acabamos com ela, pela única razão de ser ela Laila.

A blogueira Marrokia [ar] que veste o véu muçulmano ou Hijab, defende sua escolha por um estilo de vida conservador. Ela escreve:

هكذا أريد أن أعيش لأني اتخذت ما هو صائب: حجابي تاجي وجسمي ملكي وعقلي حريتي. بكل بساطة هذا قراري

É desse jeito que quero viver e essa é a escolha correta para mim: meu Hijab é a coroa, meu corpo o reino e minha mente é minha liberdade. Esta é, simplesmente, minha própria decisão.

E por fim, Naoufel explica [ar] o porque que certas verdades, em sua opinião, precisam ser desafiadas. Ele escreve:

…فقط سأحتفظ بمقولة أن الاسلام كرم المرأة.. ثم أضيف: هل كرمها المسلمون أيضا؟ ان كنت ستهز رأسك ايجابا.. فتعال أكرمك أنا أيضا.. أمنحك حيضا و نفاسا و جنينا يعيش في بطنك لتسعة شهور و أسجنك في البيت ما حييت و اذا تسامحت معك و حدث ان خرجت فالبس النقاب، ثم في الأخير أمنحك نصف ما أخذه أخوك من الارث.. ها قد كرمتك

[…] Vamos manter a certeza de que o Islã honrava as mulheres. Vamos indagar: Os muçulmanos as honram também? Se você balançar sua cabeça em aprovação, sugiro que você experimente tal honra. Eu lhe ofereço o ciclo menstrual, o pós-parto e o feto em seu útero por nove meses. Vou lhe prender em casa por toda a sua vida e se tiver compaixão o suficiente lhe deixarei andar ali fora, mas só se você vestir o Niqab (um véu que cobre totalmente o rosto), e então, como um último gesto lhe oferecerei a metade da herança de seu irmão. Que tal isso para uma homenagem?
Democracia é a solução.

Kolena Laila celebrou seu quarto aniversário, e enquanto alguns questionam a razão por trás de tais iniciativas, os organizadores reinvidicam que já alcançaram o seu objetivo principal: abrir espaços de debate por todo o mundo Árabe. A campanha aconteceu de 24 a 31 de dezembro.

2 comentários

  • […] Do Global Voice […]

  • Geandra Nobre

    Olá Galera, tudo bem?

    Sou Geandra Nobre estudante de ciencias socias da UFRJ e participo de um projeto de pesquisa chamando Centre de Referencia Maré Mulher,que trabalha pelo direito das mulheres, aqui não Brasil tambem sofremos coom os asedio masculino e principalmente com a violencia domestica, Ao questionar a opressão e a violência que as mulheres sofrem, vários elementos foram surgindo e denunciados como mecanismos para manter a violência: desde a impunidade, as legislações discriminatórias até a falta de autonomia e autodeterminação das mulheres. Acredito que para fortalecer essa luta precisamos que todas as mulhers se unam, para assim nos fortalecer mais e mais

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