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Brasil: Violência Policial no Dia Nacional Contra a Corrupção

Twitpic by Cleudson Fernandes, Twitter user @cleudsonf, published with permission

Twitpic de Cleudson Fernandes, usuário do Twitter @cleudsonf, publicada com permissão

O Brasil comemorou o Dia Nacional Contra a Corrupção nesta quarta-feira, 9 de dezembro, vendo um protesto pacífico acabar em violência na frente das câmeras de repórteres cidadãos. Manifestações têm ocorrido quase que diariamente em Brasília desde que vídeos secretos trouxeram a tona o mais recente escândalo de corrupção, mas os manifestantes ainda não tinham se deparado com um grave confronto com a polícia. Nesta quarta-feira, na véspera do Dia Internacional dos Direitos Humanos, as mais de cinco mil pessoas que participaram do protesto “Fora Arruda” voltaram assombradas com cenas de agressão desproporcional da polícia atacando pessoas desarmadas.

Os manifestantes vêm exigindo o impeachment do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, e seu vice, Paulo Octávio, além de uma investigação completa sobre todos os citados no escândalo de corrupção que desencadeou a operação Caixa de Pandora da Polícia Federal. Segundo a investigação, o governador Arruda seria o cabeça de um esquema de corrupção que desde 2006 movimentava R$ 600.000,00 por mês e que teria beneficiado aliados entre os membros distritais do parlamento, empresários e funcionários do governo.

Durante o protesto Fora Arruda, repórteres cidadãos testemunharam a violência excessiva que transformou um protesto pacífico em uma mostra da violação dos direitos humanos no país, trazendo à memória lembranças assustadoras dos dias negros da ditadura militar. Usha Velasco, mãe de uma estudante presente na manifestação, publica imagens chocantes e o relato da filha sobre a violência que viu. Ela pergunta se o Brasil voltou ao regime militar, já que as pessoas não mais podem protestar sem serem espancadas pela polícia:

Voltou horrorizada com a violência policial. No desespero, ela e mais três garotas abriram a porta de um dos carros do engarrafamento e entraram na cara de pau, porque foram cercadas pela polícia montada por todos os lados. Saíram assim que puderam, até porque a motorista estava em pânico, gritando histericamente por conta da cena dantesca que se desenrolava em volta.

Os caras soltaram os cachorros, cavalos, cassetetes, gás lacrimogêneo e bombas em cima dos garotos. Uma menina de 12 anos, que estava parada na calçada, apanhou de cassetete. Pessoas deitadas foram espancadas pelos policiais e pisoteadas pelos cavalos. Entre os feridos estava um rapaz com o pé quebrado.

As imagens abaixo foram feitas por um cinegrafista amador, na frente da sede do governo do Distrito Federal. Raul Cardoso conseguiu registrar cenas da “brutalidade da PM de Brasília que agrediu um manifestante sem nenhuma justificativa” antes dele próprio se atacado com spray de pimenta e balas de borracha. O vídeo mostra que os manifestantes estavam armados com apenas palavras. Depois de atacá-los, a polícia disparou balas de borracha contra a imprensa e repórteres cidadãos que filmavam a ação:

Na caixa de comentários do vídeo, Graciano discorre sobre a versão da polícia, que disse ter reagido para prevenir que o pior acontecesse:

“Força Reativa” – termo decorado e de uso automatico para justificar a falta de preparo da polícia em tais situações.

- Reagiu ao reporter que está cumprindo seu ofício?
– 12 homens da tropa de choque para conter 1 professor?

Outro termo na moda:
“Auto de Resistência” – este é usado para justificar execusões sumárias praticadas pela PM.

Marco Mugnatto diz que houve uma violação dupla dos direitos humanos:

O vídeo mostra justamente o que é mais condenável: censura. Censurou primeiro A FALA do rapaz, e depois a imprensa. Eu como cidadão de um país democrático exijo O MEU direito de saber o que acontece na minha cidade e no meu país, e de falar o que penso.

A blogosfera reagiu rapidamente, divulgando o vídeo e comentando o caso, fornecendo informações que não apareceram na grande imprensa. Rogelio Casado publica o depoimento de uma mãe sobre o espancamento do filho, estudante da Universidade de Brasília:

Espero que prá vc sim porque prá mim reviver a truculência da policia do DF é muito triste, depois de todos esses anos não se mudou o tom da ditadura na policia mesmo, não sei em outros estados, falo de Brasília porque vivi isso na UnB, mas o motivo do meu e-mail é que agora essa truculenta policia agride o meu filho que participava da manifestação contra o Arruda [..] ele foi espancado pelo comandante da operação do DF […] foi muita violência, bateram tanto no ouvido dele que ele vai fazer exames, ameaçaram ele de morte e falaram que para a mulher dele ficar caladinha se não quisesse chorar no corpo dele. […] está uma confusão porque o pai dele quer que ele saia de BSB por um tempo, eles ameaçaram os filhos dele a mulher etc, pressão de tortura mesmo!

Amanda Vieira publica em seu blog o relato de uma das estudantes presentes no protesto, Jaciane Milanezi, explicando como a violência contra um grupo desarmado de pessoas começou, sem nenhum motivo aparente, como se não estivessem lidando com cidadãos de bem:

Foi nesse momento que BOPE e a Cavalaria pararam o trânsito e, acho eu, acreditando estarem lidando com bandidos, começaram a vir para cima dos manifestantes com bombas e todo o arsenal. Um manifestante foi pego, machucado, levado para o gramado. Alguns cinegrafistas da imprensa estavam bem próximos filmando toda esta cena e os policiais do BOPE começaram a bater neles e lançar bombas para que eles não conseguissem mais filmar. Eu estava atônita: o Estado, com o seu uso legítimo da força, impedindo a impressa de narrar os fatos ao resto da sociedade! Que democracia é esta?
A relação entre a quantidade de policiais e a quantidade de manifestantes era tão desproporcional que eu me indagava o tempo todo: que instituições democráticas são essas que se utilizam da força em uma manifestação política?!?! Por que não optaram em redirecionar o trânsito e assegurar a manifestação? Por quê inibir a manifestação?

Emerson Luis [pt] reconheceu amigos nas imagens e no vídeo:

No vídeo, sendo agredido pelos policiais, está meu amigo Zé Ricardo, com quem trabalhei na campanha eletrônica do presidente Lula em 2006.

Um cidadão trabalhador e engajado politicamente. Um militante dos mais ferozes pela igualdade social. […]

A polícia, que deveria zelar pelos cidadãos e apoiar a queda do corrupto, prefere jogar bombas de gás, atirar balas de borracha e bater com cacetetes, tudo a mando do próprio picareta do Buritinga.

Twitpic by Cleudson Fernandes, Twitter user @cleudsonf, published with permission

Ecos da ditadura

Os brasileiros foram relembrados incisivamente do golpe militar de 1964, e dos 21 anos de brutal ditadura que se seguiram. Pedro Carneiro Jr, do blog Cidade Toco, diz que, no entanto, esse acontecimento denota o caráter e a prática comum da polícia no Brasil, contrariando a constituição de 1988 e leis subsequentes, que garantem a liberdade de expressão do brasileiro:

Hoje, o ranço de ditadura está presente no ar. Afinal, de quem é o Estado? Do povo ou do governante? De quem são os meios de comunicação? Há verdadeiramente liberdade de imprensa? Por que a polícia levava o jovem para longe das pessoas e câmeras? Por que atacaram o cinagrafista com spray de pimenta e balas de borracha? Foi para esconder tortura? Foi para esconder o excesso de exação?

Claudio Versiani publica imagens da repressão policial e trechos do depoimento dado por José Ricardo Padilha, que aparece sendo espancado no vídeo:

Mas alguém precisa avisar ao distinto governador José Panetone Arruda que a ditadura acabou, faz tempo!

E que a polícia existe para defender a porra do povo!

“No camburão tiraram meus óculos, me deram tapas na cara e esfregaram meu rosto no assoalho. Eu perguntei porque estava sendo preso e um dos policiais mandou eu calar a boca se não me assassinaria.

Que porra é essa?

Em um post do Viomundo sobre a situação, o leitor Edilson Cordeiro faz uma previsão sombria:

Isso é só um experimento. Testando hipóteses repressivas e modalidades de golpes.

Honduras é aqui.

Nesse mesmo tom, o desenhista Paulo Pina publica a imagem abaixo e escreve uma carta aberta a Arruda e aos políticos em geral, insinuando que as imagens da violência policial e dos cavalos marchando sobre os protestantes carregam a simbologia de tempos de outrora – uma referência à ditadura:

Mandar cavalos para cima de estudantes é inaceitável e demasiadamente simbólico e por que não dizer parte da nossa escassa mitologia.
Fora isso não deveríamos mexer com fantasmas. Fantasmas que espero que estejam descansando em paz.
Esses fantasmas que me refiro já fugiram muito de cavalarias. Já pensou se eles decidem despertar? Centenas, milhares…
Com isso toda vez que forem mandar a cavalaria pra cima da rapaziada, lembrem-se dos FANTASMAS!

Illustration by Paulo Pina, published with permission

Ilustração de Paulo Pina, publicada com permissão

Panetonegate

O escândalo do mensalão do DEM de Brasília começou no dia 27 de novembro, quando a Polícia Federal deflagrou a operação batizada de Caixa de Pandora para investigar um esquema de corrupção montado dentro do próprio governo e que teria começado nas eleições de 2006. O governador do Distrito Federal José Roberto Arruda é apontado como o comandante de uma operação de distribuição de propina a deputados distritais e aliados que movimentava cerca de R$ 600 mil por mês. O inquérito de investigação, que agora tramita no Superior Tribunal de Justiça, foi publicado no portal IG, e dentre os crimes investigados estão formação de quadrilha, peculato, corrupção ativa, corrupção passiva, fraude à licitação, crime eleitoral e crime tributário.

Vídeos gravados pelo então secretário de Relações Institucionais do governo Arruda, Durval Barbosa, e que agora colabora com as investigações policiais, vazaram na internet. O primeiro mostra José Roberto Arruda recebendo dinheiro de suposta propina; outro vídeo mostra o assessor de imprensa do governador Arruda, Omézio Pontes, recebendo e acondicionando dinheiro em uma pasta preta. Questionado sobre o destino dos R$ 50 mil que teria recebido em 2006, o governado disse que o dinheiro se tratava de contribuições de empresários para a compra de panetones para famílias carentes. Para sustentar essa versão, ele montou uma licitação de compra de 120 mil panetones em dezembro de 2009, segundo edital aberto coincidentemente no dia da operação.

An invitation to the demonstrations inspired on the panetonegate. Twitpic by Welder Rodrigues, twitter user @weldermm

Um convite para a manifestação contra corrupção, inspirado no panetonegate. O panetone se tornou símbolo da luta anti-corrupção no país. Twitpic de Welder Rodrigues, usuário do twitter @weldermm

Cesar Zyakannazio resume o escândalo que ficou conhecido como panetonegate e que estourou no momento em que o governador se preparava para esmagar seu adversário Joaquim Roriz nas eleições de 2010 para o governo do estado:

Aí apareceu o que começou como uma ’simples’ ação da PF; a “Caixa de Pandora” se abriu e a sexta-feira foi de fofocas, leaks e desmonte da imagem do governador, tão bem cuidada por rios de dinheiro em propaganda nos órgãos de imprensa locais.

No final da sexta, o primeiro golpe: o inquérito inteiro, vazado primeiro na internet. E apareceu aquilo que defini “o escândalo de referência” – todas as modalidades de corrupção em um só inquérito. E o governador estava gravemente ferido, politicamente falando.

E aí chegou o sábado. Quando parecia que o dia seria dedicado a regurgitar o imenso inquérito, aparece o batom na cueca, revelado primeiro no IG e depois repetido em todos os lugares.

E, em dois dias, graças ao tempo real da internet, um governador que estava sólido se transformou num morto-vivo político.

Outro vídeo mostra parlamentares da bancada evangélica junto com Durval Barbosa, após uma suposta reunião em seu gabinete, orando e agradecendo a Deus por poderem contar com a presença dele, e consequentemente pela propina. O vídeo contou com mais de 83 mil acessos em apenas uma semana e virou um hit no YouTube. Vários blogueiros publicaram a transcrição da que ficou conhecida Oração da Propina. O pastor Judiclay Silva comenta:

As imagens do deputado distrital de seu partido, Rubens César Brunelli, recebendo dinheiro de um suposto esquema de propina deixaram o Brasil perplexo. Em outro vídeo, Brunelli aparece ao lado do presidente da Câmara Legislativa, Leonardo Prudente (DEM), orando pela vida de Durval Barbosa e pelo dinheiro entregue por ele. “Somos gratos pela vida do Durval, por ter sido instrumento de bênção para nossas vidas, para nossa cidade”, diz Brunelli.

“Sabemos que somos falhos, somos imperfeitos, mas o seu sangue nos purifica”, diz o distrital. A oração dura cerca de dois minutos. Nela, Brunelli pede ainda “cobertura contra as investidas de homens malígnos contra a vida de Durval”.

Como se já não houvesse motivos suficiente para divertir os brasileiros pelo resto do ano, mais vídeos e fotos surgiram mostrando dinheiro de propina sendo guardado em todos os bolsos de paletó, e até em meias e cuecas. O blogueiro do IndicoEsse publica algumas fotos e tece um comentário irônico:

Agora quem precisa apurar os fatos e ver se realmente se trata de propinas recebidas é a Polícia Federal. Não quero julgar. Se eu recebesse algum dinheiro grande, claro que só se não fosse dinheiro sujo, eu também esconderia. Nesse caso, é importante ver a origem de todo o dinheiro já que houve até uma oração para que Deus perdoasse eventuais falhas humanas.

André Dutra publica várias montagens engraçadas da “Fantástica Fábrica de Panetone de Brasília” e uma lista de todos os políticos envolvidos no último escândalo, para que os leitores não esqueçam do nome deles na próxima eleição:

E a luta continua. Fora Arruda e toda a corja que se encontra no poder. 2010 é nosso!

Antecipando-se a um possível impeachment, José Roberto Arruda anunciou sua desfiliação do DEM no fim da semana, um dia antes de uma reunião marcada no partido para decidir sobre a sua expulsão. Fábio Pannunzio sugere que ele siga adiante, e renuncie de vez ao cargo:

Você só tem uma coisa positiva a fazer por todos nós, inclusive por você: Renunciar. Atalhar o sofrimento geral que está provocando. Deixe as pessoas corretas que vivem aqui buscar um outro caminho.

Você não tem alternativa. Ou sai, ou saem com você.

Twitpic by Gustavo O. Faria, Twitter user @gustavobsbfaria, used with permission.

Twitpic de Gustavo O. Faria, usuário do Twitter @gustavobsbfaria, usada com permissão.

Os ativistas do “Fora Arruda” fazem parte de um movimento estudantil para limpar o país de corrupção, com cerca de 30 mil integrantes, de acordo com o site da campanha. O próximo protesto está marcado para 16 de dezembro.

3 comentários

  • É preciso levantar, resistir e lutar por nossos Direitos, mesmo quando o “mal” triunfa. Não podemos desistir.

  • […] Brasil: Violência Policial no Dia Nacional Contra a Corrupção – Nossa polícia é tosca. Ponto. O Brasil comemorou o Dia Nacional Contra a Corrupção nesta quarta-feira, 9 de dezembro, vendo um protesto pacífico acabar em violência na frente das câmeras de repórteres cidadãos Tags: corrupção, polícia, protesto, violência 14/12/09 | 14:00 | (0) Comente! […]

  • BENIGNO DIAS

    POLÍCIA, PARA QUE TE QUEREM?

    Sob o pretexto de fazer frente à criminalidade, que é real, o Estado brasileiro se superarmou. De tal modo que, se hoje a população à paisana deflagrasse um levante contra o Poder, as suas chances de lograr êxito seriam desprezíveis. Essa simaquia pandemônica dá poderes ilimitados para quaisquer quadrilheiros fardados ou “jaquetados” invadirem domicílios, traficarem, cometerem massacres e ficarem na impunidade: graças ao lobby corporativista desse cartel nefasto alcunhado de polícia.
    Na década de setenta, tentando passar à população a falsa sensação de que ela vivia numa sociedade onde os direitos humanos eram respeitados, os Órgãos de Repressão puseram na boca do mais famoso bandido da época, Lúcio Flávio, o seguinte bordão: “Bandido é bandido, polícia é polícia!” Mas depois a farsa foi desmantelada: Lúcio Flávio dissera aquilo em troca de benesses e atenuantes para os seus crimes, uma oferta dos capos das polícias. Mais tarde, de tão podre, tornou-se impossível abafar a carniça dos aparatos da segurança pública. Durante a segunda metade da década de oitenta, 102 garimpeiros amotinados teriam sido metralhados sobre uma ponte, no sul do Pará; 21 pessoas assassinadas no Vigário Geral-RJ; 111 detentos fuzilados no presídio de Carandiru-SP; 19 sem-terra exterminados em Eldorado do Carajás-PA; dentre outras barbáries cometidas pelas quadrilhas policiais, brasileiras, que chegam a causar inveja à SS-Gestapo nazista.
    Agora, para arruinar ainda mais a situação, as corporações policias criaram verdadeiros cistos ou enclaves, blindados ao alcance da lei; “grupos de elite” especializados em perpetrar execuções sumárias, os quais se disfarçam debaixo de siglas funestas, tais como: COE, CORE, COPE, GOE, GATE etc. Eliminar uma criatura e, em seguida, pôr uma arma com numeração raspada na mão do “presunto” é o suficiente para “provar que o meliante morreu numa troca de tiros”. O truque funciona! Ele só perderá sua eficácia quando defunto começar a falar. É um ardil tão manjado e sujo quanto este: 50 assaltantes roubam um malote com dinheiro, 49 são pegos, exatamente aquele que escapou foi quem levou a mufufa. Kuá, kuá, kuá, kuá!!! Tu acreditas, Mané?!
    Em razão dessa parceria delinqüente, entre bandidos legalistas e bandidos escusos, o Crime Organizado, no Brasil, ganhou novo status: evoluiu de Poder Paralelo para Poder Entrelaçado ao Estado. A cada dia se torna mais corriqueiro o governo vigente usar o aparelho policiaL, sob sua rédea para atormentar e criminalizar seus opositores e dissidentes. Porventura, no Maranhão, vem ocorrendo esse tipo de perseguição?
    No trânsito, então, os guardas são tão safados ao ponto de extorquirem até piloto automático. A propósito, depois do crime de corrupção passiva (Art. 317 do Código Penal) praticado pelos patrulheiros ou aliás, quadrilheiros, é o crime capitulado no Inciso III do Artigo 19 da Constituição Federal: “ Criar distinções entre brasileiros ou preferências entre si”, o segundo mais praticado por essa corja. Apenas para ilustrar: se dentre 10 motoqueiros que passarem por blitzen de trânsito, houver 9 que enchem o rabo de um dos propineiros de cachaça, mesmo estando irregulares, deles, será complicado aquele que mantém uma linha de independência em relação à súcia policialesca.
    Daí por que se percebe: sempre que há um bandido em potencial, para que possa exercer seu sadismo criminoso impunemente, ele tem como primeiro passo se homiziar em uma corporação policial. Ou por que não dizer: “bandicial?” Tornando-se membro da “bandícia” (mistura de bando com polícia). Pois, no antro dos quartéis e nos porões das delegacias, seus delitos fogem ao controle da sociedade. Agora imaginemos o que se passa num estado como São Paulo, onde o efetivo policial beira aos 127.000 samangos ou gambés (termo pejorativo como a população paulista escarnece de seus milicianos). Não foi à toa que, durante o não muito recente entrevero de polícia versus PCC, 107 sete pessoas teriam sido trucidadas, conforme número fornecido pela polícia civil paulista, na pessoa do seu chefe, Godofredo Bittencourt. Todavia, após um levantamento mais isento e criterioso, o Ministério Público de São Paulo concluiu ser de 400 só o número de pessoas eliminadas pelas polícias daquele estado, na tentativa de debelar as ações patrocinadas pelo PCC. E a face mais cruel desse morticínio: maioria das vítimas seria constituída por inocentes. E muitos dos combatentes enfileirados ao PCC eram policiais fazendo “bico”.
    Ao largo das Unidades da Federação podemos ver juízes, sentados na VARA de uma ZONA qualquer, “acovardados” diante dos protegidos de NERGAL (no inferno caldeu, segundo a hierarquia de Johan Weyer, era o demônio patrono da polícia e espião de Belzebu). E, de igual modo, promotores se “kagando” de medo de cumprirem os seus ex-officio disposto no Inciso VII do Artigo 129 da Constituição Federal, o qual atribui ao Ministério Público a função de “….exercer o controle externo da atividade policial….”. Talvez todos os membros do Ministério Público, que se deixam acossar pela polícia bandida, temem o final desfechado ao promotor mineiro, Francisco José do Lins Rego, neto do célebre escritor paraibano, José Lins do Rêgo. Aquele intrépido paladino, durante suas investigações à “máfia dos postos de combustível” fora executado por um policial militar, enquanto trafegava, nas ruas de Belo Horizonte.
    Enfim, para humanizar o aparelho policial, algumas correções urgentes deveriam ser procedidas: a desmilitarização e desconstitucionalização da polícia (militar, Art. 144 § 6º da C.F), o fim da justiça militar, o controle social das polícias e, sobretudo, que o Ministério Público cumprisse a sua função constitucional, já referenciada neste texto. Ou, em se tratando das instituições mais vomitivas e repugnantes da nação, em todas as pesquisas de opinião pública, então que o soldo dos integrantes das forças policiais fossem proporcional ao índice de aprovação popular dessas gangues. E, uma hipótese mais extremada, seria a povo se armar em milícias de autodefesa para combater esse inimigo comum. Pois o grupo opressor é um oportunista da covardia popular!

    PS: autoridade, autorisase, crato (poder), ecsusia (autoridade, genérico), eclesio (religiosa), milito (policial), estrato (das forças armadas).

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