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Paraguai: Debatendo as crescentes questões de segurança

Dois ex-candidatos presidenciais, dois senadores, e alguns empresários têm pedido o impeachment do presidente Fernando Lugo por sua incapacidade de prover segurança ao país. Entretanto, foi o recente seqüestro de Fidel Zavala, um fazendeiro mantido em cativeiro desde 15 de outubro, cujos seqüestradores demandaram um resgate no valor de 5 milhões de dólares, que atiçou o debate sobre quem seria o maior responsável pelas questões de segurança, quais passos devem ser tomados para solucionar a situação, e se a culpa posta sobre o presidente seria meramente uma manobra política da oposição.

Zavala foi seqüestrado pelo Exército do Povo Paraguaio (EPP), um grupo terrorista que acredita-se ser a extensão do partido político Patria Libre. Acredita-se ainda que o EPP tenha sido aconselhado pelas FARC (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em 2004, no seqüestro e assassinato de Cecilia Cubas [es], filha do ex-presidente Raúl Cubas.

Presidente Fernando Lugo delineando o plano de segurança. Foto por Fernando Lugo APC e usada sob uma licença Creative Commons.

Presidente Fernando Lugo delineando o plano de segurança. Foto por Fernando Lugo APC e usada sob uma licença Creative Commons.

O senador liberal Alfredo Jaeggli disse que o presidente Lugo deve sofrer o impeachment [es] pois ele não está cumprindo suas funções como presidente por não prover segurança aos cidadãos paraguaios. A ideia do impeachment também é apoiada por Pedro Fadul e Lino Oviedo, ambos ex-candidatos presidenciais e pelo senador Julio Cesar Velázques.

O que coloca Lugo em uma situação ainda mais difícil é que o presidente tem sido relacionado a membros envolvidos no caso de Cubas, ao ponto que a mãe de Cecilia, Mirta Guzinsky, publicou um vídeo durante a campanha presidencial em 2008 pedindo aos cidadãos que não votassem por Lugo [es]. O vídeo agora foi revivido na comunidade online Paraguaia por emails coletivos com a seguinte frase no campo de assunto: “E se a Mirtha Gusinsky estivesse certa?” Lugo era bispo do departamento de São Pedro em 2004 quando disse que não ouvira nada a respeito do seqüestro, apesar do caso de Cubas ter sido divulgado em todos os meios de comunicação do país naquela época.

Discussões estão ocorrendo tanto nas mais altas esferas políticas quanto entre os cidadãos paraguaios comuns. O blogueiro José Angel López Barrios, comenta eu seu blog que o governo não está, e nunca esteve, equipado para lutar a crescente indústria de sequestros [es]:

Sin duda se aúnan un montón de factores en la sucesión de secuestros que nos acorralan, en 8 años hemos tenido por lo menos 100 secuestros y el único factor común destacable es que quienes deben solucionar estos crímenes no están preparados para ello. (…)

La increíble suma solicitada por los mismos (5.000.000 de dólares) revela que atrás de ese pedido existe la idea de financiar las operaciones del grupo clandestino….

Não há dúvida que há muitos fatores que tornam possíveis estes seqüestros que nos assombram; tivemos cerca de 100 seqüestros em 8 anos e o principal fator para isso é que os responsáveis na resolução destes crimes não estão preparados para tal tarefa (…)

A incrível soma de dinheiro requisitada pelos seqüestradors (5 milhões de dólares) revela que, por trás do pedido de resgate, mora a ideia de financiar mais operações para este grupo clandestino.

Maki Fretez, um blogueiro que comenta em um artigo do ABC Color, diz que o impeachment é fundamental para reestabelecer a tranqüilidade e segurança no Paraguai [es]:

Cambiar al presidente en este momento es una cuestion de superviviencia!, de lo contrario hay que apagar las luces y salir del pais cuanto antes. El juicio politico es un mecanismo constitucional por lo que no puede ser considerado irregular…

Mudar o presidente neste momento é uma questão de sobrevivência! Caso contrário é melhor que apaguemos as luzes e deixemos o país o mais rápido possível. Um julgamento político é um mecanismo constitucional, então não pode ser considerado uma medida irregular a ser tomada.

Outros acreditam que a bandeira de impeachment está sendo usada por políticos para favorecerem seus partidos e interesses pessoais, e que não ajudaria nas circunstâncias do seqüestro de Zavala, nem melhoraria a situação no país. O blogueiro e jornalista Alfredo Boccia, escreve em seu blog Antes del Septimo Día [es]:

La mención al juicio político fue azuzada por buena parte de la oposición, por la prensa -que insinuaba que el silencio de Lugo ocultaba algo- y, por supuesto, por el vicepresidente, quien le dio manija a su fastidiosa y autodestructiva tarea de marcar sus diferencias con el presidente.

En momentos en que se imponían la austeridad de palabras y la reflexión prudente, triunfó la descalificación irresponsable y la vocinglería fanática. El que debería ser la principal preocupación de todos -cautivo en condiciones probablemente dramáticas en los montes del Norte- pasó a un segundo plano.

A ideia do julgamento político foi incitada pela oposição e pela imprensa – que insinuou ser o silêncio de Lugo significado de que ele escondia algo – e é claro, pelo vice-presidente que insistiu em sua função irritante e auto-destrutiva de apontar suas diferenças com o presidente.

Em tempos em que se faz necessário usar palavras austeras e uma reflexão prudente, a desqualificação irresponsável e o clamor fanático prevaleceram.  A pessoal que deveria ser o principal interesse – provavelmente mantida em condições dramáticas na floresta ao norte – tornou-se uma questão secundária.

Enquanto Zavala é mantido em cativeiro, o debate sobre as questões envolvendo segurança continuam.

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