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Angola: Deputada do partido no poder é assassinada

Na noite de 29 de Julho, Angola foi sacudida por mais um caso de violência. Beatriz Salucombo, deputada do MPLA e seu irmão António Neves, supervisor dos Serviços de Migração e Estrangeiros foram assassinados a tiro por três indivíduos em Luanda. Beatriz Salucombo e António Neves foram alvejados várias vezes na porta da casa dela.

Como seria de esperar, este triste acontecimento provocou reacções no seio da sociedade angolana e as manifestações de repulsa por mais um acto violento e misterioso não tardaram a aparecer. No seu blogue Pensar e Falar Angola, Jotacê Carranca descreve a cerimónia fúnebre, no cemitério do Alto das Cruzes.

Filhos e outros parentes, deputados, magistrados e militares, amigos e familiares da deputada reuniram-se no Alto das Cruzes para prestar-lhe a última homenagem, num clima de consternação. (…)

Na sua mensagem, os filhos da malograda enalteceram o exemplo de coragem e resistência face às adversidades da vida, bem como de outros valores éticos e morais que a mãe lhes incutiu durante a sua convivência com os mesmos.

No elogio fúnebre, destacou-se a participação activa de Beatriz Salucombo nas acções de luta clandestina contra o colonialismo português, particularmente no apoio aos guerrilheiros do MPLA na zona da Lunda Sul.

O elogio fúnebre referiu o seu percurso político, “cheio de grandes feitos, revela bem a sua militância e entrega total aos ideais do MPLA e em prol da defesa da paz, da democracia, justiça social e do desenvolvimento de Angola”.

O assassinato da deputada e de seu irmão levanta duas questões. O assassínio teria sido encomendado ou tudo não passou de uma tentativa de assalto? Seja como for, a viatura em que Beatriz Salucombo se fazia transportar não foi levada e não há registos de roubo dos seus pertences. Mas segundo os três homens suspeitos, recentemente apresentados pela polícia depois de uma caça em toda a cidade na última sexta-feira, o motivo do assassinato teria sido o roubo do automóvel em que se encontrava a deputada. Desde então, dois dos acusados morreram em uma troca de tiros com a polícia.

Eugénio da Costa Almeida do blogue Pululu deixa a sua homenagem às vítimas, e uma pergunta: Quem seria realmente o alvo?

(A minha homenagem e o meu lamento)
A deputada Beatriz Salucombo, eleita nas listas do MPLA pelo círculo Nacional (foi a 105ª), foi alvejada a tiro na noite de quarta e terá falecido hoje na sequência dos disparos; deplora-se, veementemente, este assassinato, não só porque coloca em causa a ideia de segurança que se deseja para o País, nomeadamente, em vésperas do CAN 2010 como pelo facto de ter ocorrido na véspera de mais um Dia da Mulher Africana.
Mas será que o alvo era a deputada ou terá sido uma vítima colateral?
Segundo as notícias veiculadas pelos diferentes meios de Comunicação Social, também o seu irmão, que ter-lhe-ia dado boleia para casa, terá igualmente sucumbido aos tiros que teriam vindo de pessoas que se fariam transportar num todo-terreno.
É que, só por mero acaso(?), o irmão era só o superintendente-chefe, António Neves, dos Serviços de Migração e Estrangeiros (SME) entidade que, ultimamente, tem andado muito activa “devolução” de ilegais (como os ocorridos, no Lubango, já este mês).
Mas também não se deve esquecer o impacto nunca deveras esclarecido da detenção de alguns funcionários, em 2005, como terão escrito, há época, o AngoNotícias< citando o VOA, e a Panapress<. E, não me recordo, nem a Internet o mostra, de se saber mais do assunto…
Já agora, talvez que a morte da desditosa deputada possa ajudar a esclarecer também a morte de outro antigo deputado professor-engenheiro M´fulupinga N’Landu Victor, do PDP-ANA, acontecida já há 5 anos, e que, se a memória não me falha, e apesar das autoridades afirmarem que o caso não está esquecido não me recordo de o ver clarificado e o(s) autor(es) detido(s) e julgado(s).
Coincidências, claro!!

África Minha afirma que não se deve tirar a vida de nenhum ser humano, mas acredita que os bandidos, nesse caso, têm tanto de criminosos como as vítimas do crime. De acordo com ele, o crime deve ter sido premeditado:

Estão a culpar os Jovens Bandidos, quando por detrás deste cenário, pode(m) estar adultos bandidos influentes(ricos), envolvidos em negociatas obscuras mal resolvidas, que resolveram usar os jovens por encomenda, para resolverem a negociata. É sabido, que a criminalidade, principalmente em Luanda, é elevada, devido às desigualdades sociais.Uns com Excesso de Riqueza(10%), outros com Excesso de Pobreza (90%).Perante este cenário, é normal que por meia dúzia de Kwanzas, os jovens bandidos, aceitem executar o trabalhinho sujo dos adultos bandidos influentes(ricos).A vida está difícil para o angolano e para o calcinha do Kaluanda, que todos os dias olha ao seu redor, e só vê edíficios e outros bens de luxo a erguerem-se e a passarem à sua frente, e ele com os bolsos vazios e esfomeado, deambulando pelas ruas, sem trabalho.Quando o trabalho existe, é mal pago e explorado (lembram-se quando diziam que os portugueses exploravam o angolano.Agora, quem os explora são tantos e está tudo bem…uma maravilha para o angolano bandido influente). O kaluanda, tem que fazer pela vida.Nem que seja roubar o bandido rico.

E se, os jovens bandidos, que acusam, fizerem parte dos 15.000 angolanos recentemente desalojados.

Qual é, o maior crime?

Tirar o tecto a 15.000 angolanos carenciados, ou tirar a vida a dois angolanos priveligeados?

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Professora de profissão, Beatriz Salucombo entrou na Câmara de Deputados em 2008. Ela era membro da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia, Cultura, Juventude e Desporto, Assuntos Religiosos e Comunicação Social da Assembléia Nacional.

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