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Colômbia: Mais sobre as escutas telefônicas ilegais

Na semana passada, o escândalo dos grampos telefônicos ilegais descoberto pela revista Semana foi a principal manchete nas bancas e a conversa do dia em alguns blogs da Colômbia. Na quinta-feira, 26 de fevereiro, o presidente Álvaro Uribe anunciou [en] que o Departamento Administrativo de Segurança (DAS, em espanhol) não está mais autorizado a interceptar nenhum suspeito e que “além da ordem judicial, terá que fazê-lo com a Polícia Nacional e, excepcionalmente, com outra das instituições das nossas Forças Armadas”.

Em Censura 2.0 [es], Jkrincon diz ao presidente Uribe que tem “medo” e faz algumas perguntas sobre o tema:

  • ¿Cómo es posible, que en un país blindado por la seguridad democrática, una mafia sea capaz de infiltrarse en el departamento encargado de la inteligencia nacional?
  • ¿Cómo es posible, que un organismo subordinado directamente al presidente de la república, haya sufrido varios escandalos por el mismo tema en menos de 6 años?
  • ¿Donde están las reformas prometidas después de cada escandalo?
  • ¿Cuando las investigaciones darán frutos?
  • Sí la seguridad de nuestro país ha mejorado tanto, sí los grupos que atentan contra la integridad del estado han perdido poder, ¿Cómo es posible que puedan espiar a periodistas, políticos e, incluso, miembros del alto gobierno?
  • Sí el presidente no sabía nada, sí el director del DAS no tenía sospechas de infiltrados en su institución, ¿Cómo hacen estas mafias, en el país de la seguridad democrática, para operar de forma tan efectiva?
  • ¿Por qué, si la corte suprema de justicia había denunciado irregularidades en los miembros del DAS, no se realizaron investigaciones?
  • ¿Por qué es más efectivo el equipo de investigadores de una revista que todos los inocentes encargados de la inteligencia en nuestra nación?
  • Sí las FARC están derrotadas, ¿Quién conforma la mafia que nos ataca? o ¿Acaso no están tan debilitadas como el gobierno afirma?
  • Como é possível, que em um país blindado pela garantia democrática, que uma máfia seja capaz de infiltrar-se no departamento responsável da inteligência nacional?
  • Como é possível que um órgão subordinado diretamente ao presidente da república tenha sofrido vários escândalos pelo mesmo assunto em menos de 6 anos?
  • Onde estão as reformas prometidas depois de cada escândalo?
  • Quando as investigações darão frutos?
  • Se a segurança do nosso país melhorou tanto, se os grupos que ameaçam a integridade do estado perderam poder, como é possível que possam espionar jornalistas, políticos e, inclusive, membros do alto governo?
  • Se o presidente não sabia nada, se o diretor do DAS não tinha suspeitas de infiltrados em sua instituição, como é que as máfias, no país da garantia democrática, fazem para operar de forma tão eficaz?
  • Por que, se o supremo tribunal de justiça havia denunciado irregularidades dos membros do DAS, não foram realizadas investigações?
  • Por que é mais eficiente a equipe de investigadores de uma revista do que todos os inocentes encarregados da inteligência de nossa nação?
  • Se as FARC estão derrotadas, quem compõe a máfia que nos ataca? Ou, por acaso, não estariam tão debilitadas como afirma o governo?

Com sarcasmo, @juglardelzipa comenta [es] a decisão de Uribe pelo Twitter:

«intercepciones legales serán hechas por la policía» http://rurl.org/1dzn las ilegales las seguirá haciendo el das.

«interceptações legais serão feitas pela polícia» http://rurl.org/1dzn [es] as ilegais ainda serão feitas pelo DAS.

Sentido Común diz ter algumas respostas [es], após atualizar sua publicação sobre o assunto do domingo:

Con este enroque corto, Uribe pretende tres objetivos:

  1. Desviar la atención de la opinión pública, interesada en conocer al autor de la orden para espiar (en esta ocasión) a la oposición, a los magistrados a cargo de la parapolítica y a los medios de comunicación. El autor es obvio, pero es un secreto de Estado que no se puede revelar, o si no qué gracia.
  2. Dar cristiana sepultura al cuento chino de “la mafia infiltrada al interior del Gobierno”. También se sospecha quién es el Padrino, pero no se puede revelar, porque es otro secreto de Estado.
  3. Sacar al DAS de la mira de los medios y de la opinión, pues se supone que ya no seguirá haciendo interceptaciones secretas. Y si las sigue haciendo no se sabrá, pues son secretas.
Com este roque pequeno, Uribe pretende três objetivos:

  1. Desviar a atenção da opinião pública, interesada em conhecer o mandante da ordem para espionar (nesta ocasião) a oposição, aos magistrados de cargo político e aos meios de comunicação. O mandante é óbvio, mas é um segredo de Estado que não se pode reveler, senão, que engraçado.
  2. Sepultar a história mirabolante da “máfia infiltrada no interior do governo”. Também se suspeita de quem seja o Poderoso Chefão, mas não se pode revelar, porque é outro segredo de Estado.
  3. Tirar o DAS da mira dos meios e da opinião, pois se supõe que já não fará mais interceptações secretas. E se continuar fazendo, não saberemos, pois serão secretas.

Em um comentário a esta entrada, Lanark debocha [es] dos “conspiradores”:

No sé si alegrarme de que “la mafia al interior del gobierno” se parezca más a los villanos de las aventuras tercermundistas de los magníficos, que a los de misión imposible. Igual que con tantas otras cosas, creo que Uribe está extrapolando al país la administración de su “finquita”, y maneja el DAS más o menos como se manejan las viejas chismosas de un pueblo.

Si realmente hubiera una conspiración de best-seller basura, de esas en las que los supervillanos tienen absoluto control, ya hubieran sido capaces de desaparecer a media oposición y exiliar al resto frente a la sonrisa bobalicona de la opinión. Colombia sería un gran campo de palma, coca y amapola, y llas ciudades serían enormes maquilas llenas de muertos de hambre trabajando 12 horas diarias por nada.

Yo creo que la ineptitud de nuestros tiranillos de república bananera igual que ha provocado problemas, también nos ha salvado de situaciones peores.

Não sei se fico feliz que “a máfia dentro do governo” se parece mais como os vilões das aventuras de terceiro mundo dos Sete Magníficos, que às de Missão Impossível. Tal como acontece com tantas outras coisas, acho que Uribe está extrapolando para o país a administração de sua “fazendinha”, e gere o DAS mais ou menos como as velhas fofoqueiras de uma cidadezinha.

Se realmente existisse uma conspiração digna de romance best-seller lixo, daquelas em que o controle absoluto é dos supervilões, já teriam sido capazes de eliminar a metade da oposição e exilar o restante, tudo frente ao sorriso bobo da opinião [pública]. A Colômbia seria um grande campo de palma, coca e papoula, e as cidades seriam grandes máquinas cheias de pessoas mortas de fome trabalhando 12 horas por dia para nada.

Acredito que a inépcia dos pequenos tiranos da nossa república bananeira tanto provocou problemas, como também nos salvou de situações piores.

Em 27 de fevereiro, o polêmico conselheiro presidencial José Obdulio Gaviria – quem se descobriu ser primo do falecido traficante de drogas Pablo Escobar Gaviria e, além disso, negou [es] estar por trás dos grampos ilegais – disse em uma emissora de rádio que o procurador-geral colombiano Mario Iguarán, o diretor da revista SemanaAlejandro Santos Rubino, dois funcionários da Receita Federal, um fiscal encarregado do inquérito para as intercepções telefônicas e outros jornalistas se encontraram em um restaurante no norte de Bogotá na terça-feira. Gaviria sugeriu [es] que o Ministério Público aparentemente estaria “vendendo informações para a mídia”.

El Brujo manifesta sua indignação com as declarações de Gaviria em seu blog Tienen huevo [es]:

¿QUÍEN SERA ENTONCES EL QUE MANDA A PEDIR QUE CHUZEN A TODO EL MUNDO PARA DESPUES SALIR A ARMAR ESCANDALOS?

ENTÃO QUEM SERÁ QUE MANDA O PEDIDO PARA GRAMPEAR TODO O MUNDO PARA DEPOIS SAIR ARMANDO ESCÂNDALOS?

E Ricardo Buitrago pede um pouco de prudência [es] enquanto as investigações continuam:

Si bien la información, por provenir de una entidad periodística respetable tiene visos de credibilidad y certeza, también es cierto, que pruebas del ilícito, por contenido de la misma indagación, se sabe han sido destruidas. Se crean así vacios que dificultan o imposibilitan la investigación. Vistas así las cosas, parecería prudente, dejar a un lado los juicios de responsabilidades, expresados sin plena comprobación de causa, mientras se adelantan las pesquisas y se determinan culpables.

Embora a informação, proveniente de uma respeitável instituição jornalística, tenha aspectos de credibilidade e certeza, também é certo que a prova de conteúdos ilegais no mesmo inquérito, sabe-seque foram destruídas. Isto cria lacunas que dificultam ou impedem a investigação. Por este lado, pareceria prudente esquecer os juízos de responsabilidades, expressos sem a plena verificação dos fatos, enquanto avançam as investigações e determinam-se os culpados.

Mas para Jaime Restrepo, as afirmações de Gaviria parecem muito úteis para criticar [es] o Ministério Público e à oposição, e para questionar, de novo, o jornalismo feito por Semana:

La actitud de Semana y de la fuente de altísima fidelidad de echarle toda el agua sucia al DAS podría tener una explicación: que dicha fuente no trabaja en el DAS sino en la Fiscalía General de la Nación. Esa fuente, para ser tan creíble, debe ostentar un cargo importante y tener acceso a los pormenores de los sistemas de interceptación. Otra forma de ganar credibilidad es filtrar información, como se ha denunciado que ocurre con frecuencia en la Fiscalía.

¿Quién podría ser esa fuente de altísima fidelidad que trabaja en la Fiscalía? ¿Acaso esa fuente se va de parranda con el director de Semana y con algunos periodistas de ese medio? ¿Será que Iguarán les estaba pidiendo colaboración para esclarecer el asunto o se estaba asegurando de que Alejandro Santos y su combo ratificaran el secreto profesional y sobre todo la reserva de la fuente?

Es que en general, el aparato judicial colombiano genera serias dudas, pero es evidente que la Fiscalía General de la Nación es un bastión clientelista para la izquierda “democrática”, que además se ha valido de esas “corbatas” para adelantar investigaciones y acceder a archivos e información que muchas veces está bajo reserva del sumario.

A atitude de Semana e a fonte de altíssima confiabilidade para jogar toda a água suja no DAS poderia ter uma explicação: que tal fonte trabalhe no DAS, ou então no Ministério Público da Nação. Essa fonte, por ser tão confiável, deve ter um cargo importante e ter acesso aos pormenores dos sistemas das escutas telefônicas. Outra maneira de ganhar credibilidade é filtrar a informação, como denunciou-se ocorrer com freqüência no Ministério Público.

Quem poderia ter essa fonte de altíssima credibilidade que trabalha no Ministério? Por acaso essa fonte vai às festas com o diretor da Semana e com alguns jornalistas desse meio? Será que Iguarán estava pedindo colaboração para esclarecer o assunto ou estava assegurando-se de que Alejandro Santos e seu grupo ratificassem o segredo profissional e sobretudo o direito de proteção à fonte?

É que de modo geral, o mecanimos judicial colombiano gera dúvidas sérias, mas é evidente que o Ministério Público é um refúgio clientelista para a esquerda “democrática”, que também se aproveitou dessas “gravatas” para adiantar investigações e ter acesso a arquivos e informação que muitas vezes são confidenciais.

Enquanto Restrepo deseja que o procurador-geral Alejandro Ordóñez “detecte” aqueles “interesses obscuros” no Ministério que aparentemente filtram informação aos meios, até a segunda-feira, 2 de março, os agentes do Ministério não tinham encontrado evidências físicas [es] dos grampos telefônicos ilegais. Por outro lado, o vice procurador-geral revelou [es] ter conhecimento de que o telefone de sua casa teria sido grampeado desde 2005 [es], quando era o fiscal encarregado pelo Supremo Tribunal. O assunto seguirá nas notícias por um tempo, enquanto alguns ainda tentam encontrar semelhanças [es] entre este escândalo e o de Fujimori, no Peru, há uma década.

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