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Madagáscar: Blogueiros reagem ao sangrento Sábado Vermelho

Desde que motins e saques causaram a morte de 50 pessoas no Madagáscar em 26 de janeiro, a situação piorou. No sábado 7 de fevereiro, apelidado de “Sábado Vermelho” por algumas pessoas, a guarda presidencial abriu fogo contra um grupo de manifestantes que tinha se concentrado do lado de fora do Palácio Ambohitsirohitra.

A multidão tinha marchado ao palácio com a intenção de instalar Monja Roindefo, nominado minutos antes como “Primeiro Ministro” por Andry Rajoelina, que por sua vez já tinha se proclamado “Presidente”. As manifestações começaram em dezembro, quando a estação de TV de Andry Rajoelina foi fechada pelo governo de Ravalomanana [en]. O que começou em protestos se tornou violência, resultou em motins e saques, com manifestantes exigindo a resignação de Ravalomanana.

Dentre as vítimas do Sábado Vermelho estava Ando Ratovonirina, um câmara de 26 anos que trabalhava para a estação de TV RTA. Ele não era desconhecido [en] da equipe do Global Voices em Malgaxe, já que era um dos que faziam reportagens de mídia cidadã em Antananarivo, com suporte do FOKO, que é financiado pelo Rising Voices.

Ando

Os blogueiros reagiram às notícias com fortes emoções, lutando para entender as circunstâncias que levaram o povo malgaxe a atirar uns contra os outros. Os blogueiros discutem quem deve assumir a  responsabilidade final [fr] pelo massacre. Deveriam ser culpados aqueles que incitaram e depois levaram os manifestantes ao palácio presidencial, sabendo que se tratava de um local marcado como “zona vermelha” e portanto que os soldados teriam liberdade para abrir fogo contra qualquer pessoa que o violasse, criando assim “mártires” para um movimento de protesto que perdia a força [en], ou aqueles que deram a ordem para atirar?

“Pour provoquer la sortie de l’impasse créée par une auto-proclamation, les tenants de la prise de pouvoir insurrectionnelle emmènent la foule marcher sur un Palais présidentiel. Classés zones rouges, ces bâtiments sont protégés par un régime de protection spéciale qui expose les contrevenants au pire.

Quel que soit le Président en fonction, quel que soit le Palais concerné, quel que soit l’opposant qui mène la foule, quelle que soit la cause à défendre, quels que soient les militaires, les règles sont immuables : on ne peut impunément pénétrer dans un Palais d’Etat.”

“Para induzir uma saída para o impasse criado pela auto-proclamação, os rebeldes conduziram a multidão ao Palácio Presidencial. Classificados como zona vermelha, esses prédios são protegidos por um status especial que expõe invasores ao pior.

Independente de quem seja o Presidente em exercício, de qual palácio, de quem é o líder da oposição comandando a multidão, a causa defendida, os soldados envolvidos, as regras não mudam: não se pode entrar em um palácio do governo sem ser punido.

Solofo, Avylavitra e Barijaona testemunharam os eventos.

Solofo publica fotos [mg] do antes e depois dos tiros, e quer que seus leitores observem um certo homem de gravata cinza e terno preto. O mesmo homem é aparentemente mostrado em um vídeo publicado no topmada.com.

Hitifitra hono izy… Tsy misy vahoaka mihemotra izany eo.”

“Eles dizem que vão atirar… O povo não vai recuar.”

Barijaona [fr]:

“J'étais persuadé que tout avait été négocié à l'avance, que la foule resterait gentiment à distance, que seule une petite délégation entrerait à l'intérieur des grilles du palais et que c'est cette délégation qui demanderait ensuite à la foule de se disperser.

J'étais trop loin pour savoir ce qui s'est passé dans la foule peu avant que le cordon de sécurité ne lâche. Si un responsable du mouvement a laissé entendre qu'on pouvait “y aller”, sa responsabilité est énorme.

Je ne peux parler que de ce que j'ai vu et entendu de mes propres yeux, mais ai trouvé étonnant que Andry Rajoelina et Monja Roindefo soient restés à l'écart des délégations négociant l'entrée dans les grilles du palais.”

“Eu tive certeza de que tudo havia sido tramado com antecedência, que a multidão se manteria a uma determinada distância, que apenas uma pequena delegação adentraria as portas do palácio, e que essa delegação, então, pediria que a multidão se dispersasse. Eu estava muito longe para ver o que aconteceu no meio da multidão antes da barreira de segurança ceder. Se foi um dos líderes do protesto quem levou a multidão a crer que poderia entrar, sua responsabilidade é enorme. Só posso falar sobre aquilo que vi e ouvi, mas achei surpreendente que tanto Andry Rajoelina quanto Monja Roindefo tenham ficado longe das delegações negociando a entrada deles pelos portões do palácio.”

Avylavitra [mg] se pergunta se leis devem ser anuladas durante tempos excepcionais como esses:

“Satria tokoa mantsy na aiza na aiza, dia ny vahoaka no tompon’ny fahefana fa mpindrana fotsiny ny mpitondra. Ka raha vahoaka haka izay nampindraminy no andraisana azy ireo, tsy ho azo natao ve ny nifampiresaka taminy? Raha ny fandraisako azy mants (tsy asiko firehana an!), dia rehefa tonga amin’ny fara-tampony toy izao ny fitakian’ny vahoaka, dia efa lasa ambonin’ny lalàna rehetra izany fitakiana izany, ka mihisaka maka zoron-trano daholo aloha na ny Lalampanorenana, na ny hafa. Diso ve aho? Raha eny, mba hazavao ny saiko.”

“Porque em qualquer país, o poder pertence ao povo, e o presidente é apenas uma pessoa que o toma emprestado. Portanto, se as pessoas quiserem tomar do volta o que meramente emprestaram, como pode se deixar de negociar com elas? De acordo com meu entendimento (e sem pender para o lado de ninguém!), quando as exigências das pessoas são extremas desse jeito, elas deveriam substituir quaisquer leis, a constituição e qualquer outra lei deveriam ser levadas para segundo plano. Estou errado? Se estiver, por favor, me esclareçam.”

Ele descreve sua visita aos feridos no hospital HJRA e publica fotos dos mortos e feridos [mg] (atenção: imagens muito fortes).

Tsy nitsahatra ny fivezivezen’ireo taxi sy fiaran’olon-tsotra ary fiara mpamonjy voina hatramin’ny fito ora hariva (19h) nialako teny amin’ny HJRA androany. Noho ny fahafenoan’ny toerana tao amin’ny tranom-paty dia nisy tamin’ireo razana no napetraka teny ambony bozaka teo an-tokontany aloha mandra-pandamina ny tao anatiny. Be ireo olona tsara sitrapo no namonjy hainga ny HJRA mba hanone maimaim-poana ny rany ho vonjy aina. Hatramin’ny karana aza dia tonga teny. Nanontany azy ireo aho ny amin’ny antony nahatongavany teny hanome rà. Sao mba misy havany marary ao. Rehefa tonga tety tokoa mantsy ka natao ny fanisana faramparany azoko natao talohan’ny nialako ny hopitaly dia dimampolo latsaka ny maty voatifitra. Ny naratra moa dia miditra isaky ny minitra angamba. Misy ny afaka nalefa nody fa ratra vokatry ny fifanosehana kely, fa nisy ireo nojerem-potsiny fa tsy nisy azo natao aminy intsony, nefa tsy vitan’ireo mpitsabo koa ny tonga dia hanatitra olona miala aina ho any amin’ny tranom-paty avy hatrany.

Táxis, automóveis e ambulâncias viajavam sem parar para o hospital HJRA até sete da noite, quando saí de lá. Porque o necrotério estar superlotado, alguns corpos foram deixados na grama do lado de fora, até que o necrotério estivesse pronto. Muitos voluntários se disponibilizaram para doar sangue para salvar vidas. Até mesmo Karanas (nota do tradutor: índios e paquistaneses que vivem em Madagáscar) chegaram para doar sangue. Perguntei-lhes quais eram as suas motivações. Se eles tinham algum parente lá. De acordo com a última contagem, quando saí do hospital, havia cerca de cinquenta pessoas mortas. Pessoas feridas chegavam a cada minuto. Algumas eram enviadas de volta casa, por estarem levemente feridas, mas para algumas não havia nada a ser feito, mas as equipes de resgate não podiam simplesmente levar corpos que ainda davam os últimos suspiros para o necrotério.

Ele também falou das reações das pessoas na rádio

“Ireo onjam-peo izay henoina amin’izao ora izao dia mikiaka valifaty noho ny rà latsaka , ary mitaky ny fisamborana an-dRavalomanana daholo izay antso an-tarobia tafiditra. Miantso tody ihany koa ho amin’ny taranak’ingahy Ravalomanana, ary misy mihitsy aza ny midradradra ny amin’ny hisamborana sy hamonoana azy.”

“As estações de rádio que estou ouvindo nesse momento estão pedindo revanche por causa do derramamento de sangue, e chamadas telefônicas colocadas no ar exigem a prisão de Ravalomanana. Eles pedem carma, o retorno dos tempos dos descendentes de Ravalomanana, e algumas vozes repetidamente pediam sua prisão e execução.”

Jentilisa [mg] escreve sobre as reações imediatas nas ruas após e durante os tiros, com reações diferentes daquelas descritas por Avylavitra. Ele também relata as oportunidades que apareceram na ocasião para que mais confusão e saques acontecessem:

“Ny nahavariana, teny Soarano indrindra aho no nandre ny tifitra voalohany, fa nikoropaka avokoa na dia ny olona tany aza. Samy nandositra avokoa na ny mandeha an-tongotra na ny mpitondra fiarakodia ka nisy ny tsy nahatandri-tena intsony ka nodonin'ny fiara izay nanavotr'aina ihany koa. Mafy dia mafy ny nahazo ilay ramatoa voadona… Tsitapitapitr'izay fa nikatona avokoa ny toeram-pivarotana rehetra. Maro tamin'ny mpivarotra amoron-dalana no nanangona ny entany. Tsy niala tamin'ny toerany kosa anefa ny atsasaky ny mpivarotra teny Isotry (tsena ny andro Asabotsy) izay mihevitra fa tsy hanenjika olona hatreny kosa ny mpitandro ny filaminana. Nahare poa-basy koa ny teny Besarety, nahavariana ihany io raha ny halavitry ny toerana no heverina, hay saiky hisy hamaky avy hatrany indray ny shoprite teo Ambodivona izay tsy vaky nandritra ny andron'ny talata 27 janoary 2009. (…)

Nitantara mivantana avokoa manko ny ankamaroan'ny fampielezam-peo tamin'ity vanim-potoana “lehibe” ity… ka maro tamin'ireo tsy mankasitraka ny tolona no efa mitaintaina nahatonona mihitsy hoe “tifiro! tifiro amin'izay!” ary mba nahatonona koa izy ireo hoe “ela loatra koa izy izany!”. Malahelo aho milaza aminareo fa maro tamin'ireo izay tsy niomana ho eny, no nahasahy nilaza mihitsy hoe “nahazo izay notadiaviny izy izany!” ka toa tsy antra fo tamin'izay niharam-pahavoazana mihitsy aza. Ny mpankasitraka ny tolona sy izay nankeny Ambohitsorohitra kosa (ny teny Isotry no tena nohenoiko) dia mamerimberina hatrany fa “ny mpikarama an'ady” (ilay laingalainga nafafy hatry ny ela) no nitifitra fa tsy nisy Malagasy nitifitra izany. Maro tamin'izy ireo no nanozona ny filoha Ravalomanana sy nilaza azy ho mpamono olona. Inona koa? ny filoha Ravalomanana sy ny Praiminisitra no naneho voalohany ny fiaraha-miory sahady… fa i Andry Rajoelina kosa tamin'ny 18:30 vao nanao izany sady “nitomany” nanameloka an-dRavalomanana ho tompon'andraikitra amin'izao vono-olona izao. “

“Eu estava em Soarano quando os primeiros tiros foram ouvidos, e até mesmo lá as pessoas entraram em pânico. Pedestres e motoristas fugiram sem prestar atenção e uma pedestre foi atropelada. Ela estava em condições graves… Todas as lojas fecharam as portas de repente. Ambulantes recolheram suas mercadorias. Metade dos ambulantes em Isotry continuou no local (sábado é dia de feira lá) porque eles acharam que a polícia não persegueria ninguém àquela distância. Também ouvimos tiros em Besarety, o que foi impressionante, uma vez que é bem longe do Palácio Presidencial, algumas pessoas estavam prontas para saquear o Shoprite em Ambodivona, uma quitanda que não tinha sido saqueada na quinta 21 de janeiro de2009. (…)

Quase todas as estações de rádio divulgaram esse “grande” evento ao vivo… e muitos daqueles que não são seguidores do movimento foram ouvidos gritando “atira! atira agora!” e outros expressavam impaciência “tá demorando muito!”. Fico triste em dizer que muitos daqueles que não marcharam até o Palácio se atreveram a dizer que eles “tomaram o que mereceram” aparentando não ter nenhuma piedade dos que morreram. Os seguidores do movimento e aqueles que foram a Ambohitsirohitra (a maioria das opiniões que ouvi em Isotry era desse grupo) repetiam que os mercenários (mentiras espalhadas há muito tempo) tinham atirado porque nenhum malgaxe atiraria. Muitos xingaram o presidente Ravalomanana e os condenaram como assassino. O que mais? O presidente e seu primeiro ministro foram os primeiros a expressar suas condolências… Andry Rajoelina esperou até às 18h30 para fazer o mesmo, e em seguida “chorou” ao condenar Ravalomanana como o responsável pelas mortes.”

Jentilisa [mg] também analisa os dois únicos possíveis resultados do comício de sábado, quando Andry Rajoelina nomeou Monja Roindefo, como “primeiro ministro” de seu governo:

“Tranga roa no tsy maintsy hitranga nanomboka ny tolakandro ka efa tafakatra teny Antaninarenina amin'izay ireo olona (miala tsiny mivantambantana miteny hoe ny avy any ambany tanàna no tena maro an'isa tamin'ny fitarihana sy fialohavana teny ampilaharana tonga teny Antaninarenina): Na mitifitra ny mpitandro ny filaminana na may Ambohitsorohitra, ireo ihany, tsy misy hafa. Raha nanaiky ny hidiran'ny vahoaka ny lapan'Ambohitsorohitra ny miaramila tao anatiny dia mivandravandra fa tsy mifehy ny tafika intsony ny filoha Ravalomanana ka tsara ho azy ny miala ny toerany avy hatrany. Ny olona koa etsy andaniny efa mihorakoraka ny “ela loatra” ary tsy maintsy handroso (”jusqu'à la mort” hoy ny tarigetran'ny mpanohana ny TGV izay). Ny zavatra nahavariana dia tsy niakatra nankeny Antaninarenina mihitsy i Andry fa ny lalana mody ny azy no nasiany olona, noho izany dia ny Jly Dolin Rasolosoa no tena nandrindra ny fihetsiketsehana rehetra sy ny fifampiresahana tamin'ny mpitandro ny filaminana. Ny “Praiminisitra” vao notendrena Monja Roindefo Zafitsimivalo kosa moa dia karazana kofehy manara-panjaitra ihany.”

“Eram dois os possíveis resultados quando a multidão chegou em Antaninarenina [onde se localiza o palácio presidencial], e lamento a forma crua com que digo que a maioria dos manifestantes na linha de frente da massa é originária das vizinhanças mais pobres: ou os soldados atiravam ou o palácio queimaria, ou um ou outro, não há outra possibilidade. Se os soldados deixassem a multidão entrar no Palácio de Ambohitsirohitra, seria óbvio que o presidente Ravalomanana não mais controla o exército, seria melhor para ele renunciar de imediato. A multidão gritava “está demorando muito” e temos que avançar (”até a morte” disseram alguns dos que apoiavam TGV). O mais impressionante é que Andry não foi a Antaninarenina, foi para casa, então era o General aposentado Dolin Rasolosoa quem estava comandando a multidão e liderando as negociações com os militares. Monja Roindefo Zafitsimivalo, o “Primeiro Ministro” novinho em folha, estava apenas seguindo.”

O cartunista POV [fr] se pergunta o que levou os manifestantes a irem de encontro a soldados armados:

“Puis les coups de feu ont éclaté. Les enquêtes démontreront peut-être ce qui s’est passé. Je doute que ceux qui étaient en première ligne allaient se ruer sur une rangée de soldats prêts à tirer. Je soupçonne que la pression de la foule en arrière les a poussés à faire un pas trop loin, vers la zone sécurisée.”

“Então tiros foram disparados. As investigações devem mostrar o que aconteceu. Duvido que aqueles na linha de fogo estavam prontos para se jogar na direção de soldados prontos para atirar. Eu suspeito que houve pressão da massa atrás deles, que os empurraram a dar um passo longe demais, na direção da zona de segurança.”

POV [fr] condena as ações de Andry Rajoelina:

“En lâchant sa foule sur le palais présidentiel, il a su (et espéré ?) qu’il y aurait certainement de la casse. Tel un général sur le champ de bataille, il se tient en retrait, observant les manœuvres de sa troupe, dirigée par ses lieutenants.

De tous les endroits où il pouvait envoyer sa horde, il a choisi le palais présidentiel. Symbolique, certes, mais c’est également une zone rouge – un site où les gardes sont autorisées, voire tenues d’ouvrir le feu sur ceux qui outrepassent les limites. Il a galvanisé la foule de rhétoriques du genre « entrez-y, le palais présidentiel appartient au peuple ! » Selon des témoignages, les gens ont d’abord flotté autour du site. Des pourparlers étaient en cours entre les lieutenants de Andry Rajoelina et les chefs de la garde présidentielle.”

“Ao enviar sua multidão ao palácio presidencial, ele sabia (e esperava?) que haveria prejuízo. Como uma batalha normal em campo, ele se manteve na retaguarda, observando os movimentos de suas tropas, comandadas por seus generais. De todos os lugares para onde ele poderia enviar sua multidão, ele escolheu o palácio presidencial. Um lugar simbólico, mas também uma zona vermelha, um lugar onde os guardas contam com autorização para, e são até obrigados, atirar em quem invadir. Ele atiçou a multidão com frases retóricas como “Entrem! O palácio presidencial pertence ao povo!”. De acordo com testemunhas, as pessoas primeiro arrodearam o local. Negociações estavam sendo conduzidas entre os soldados de Andry Rajoelina e líderes da guarda presidencial.”

News2Dago [mg] reproduz uma coluna escrita por Valiavo Nasolo Andriamihaja, onde ele se pergunta se o presidente Ravalomanana ainda está no comando do país e clama que ele resigne caso tenha perdido o controle:

“Impiry impiry, hatramin’ny nanombohan’izao raharaha izao, no nitsangana sy niteny ny olona maro sady tsy momba ny atsy no tsy momba ny aroa : «mampidi-kizo izao fiziriziriana izao, tsy maintsy ny resaka no vaha-olana». Tsy misy nihaino isika.(…)

Ilay Filoham-pirenena, tsy hita, tsy nandrenesam-peo, mahabe ahiahy ny olon-tsotra manara-dalàna sady tsy tia korontana. Raha mba miteny indray, lavitra loatra, toa zary miafina, sanatria toa efa lositra. Fa Fanjakana inona loatra ity eto amintsika ity ? Tompon’andraikitra amin’ny haja sy voninahitra fotsiny fa mialangalana rehefa misy fahasahiranana ? Ianao ihany, Ravalomanana, no nihomehy ilay mpiandry omby miandry omby tokana : «tsy fantatra intsony, hoy ianao, iza no sefo, izy sa ilay omby». Mbola sefo ve ianao, Ravalomanana ?”

“Quantas vezes, desde o início desse caso, várias pessoas neutras disseram: “essa implacabilidade vai acabar em catástrofe, o diálogo é a solução”. Ninguém ouviu. (…) O presidente, invisível, inaudível, não é capaz de simplesmente de garantir a obediência por parte dos cidadãos que abominam intranqüilidade. Quando o presidente fala, ele parece tão distante, quase se escondendo, Deus me livre, já venceu. Que governo é esse? É o governo no poder apenas de honra e respeito, mas impotente diante a crise? Foi você, Ravalomanana, quem riu do vaqueiro que liderava apenas uma cabeça de gado: “você disse que não se sabe mais quem é o chefe, o vaqueiro ou o animal.” Você ainda é o chefe, Ravalomanana?”

Um sentimento compartilhado por um visitante do blogue de Avylavitra, que comentou:

“Maninona raha noraisina fotsiny ireo solo tenan’ny mpitokona dia nosamborina raha nilaina dia naparitaka fotsiny ny olona avy eo ? Raha tsy mandray andraikitra haingana ianao sy ny gouvernemantanao eny fa na amin kery aza raha ilaina hampandeha ny raharaha andava,andro dia tokony ary rariny raha mametra pialana ianao.”

“Por que não prender os manifestantes se necessário, e aí as pessoas se dispersariam? Se você e o seu governo não conseguirem tomar as rédeas rapidamente, mesmo que pela força, para reestabelecerem a ordem, você deve renunciar.”

Sobre os rumores espalhados pelas estações VIVA e Antsiva, ambas partidárias de Andry Rajoelina, de que a guarda presidencial não advertiu antes de atirar, e sobre os rumores da presença de armas nas mãos dos manifestantes, Jentilisa [mg] comenta no blogue de Avylavitra:

“Miarahaba anao rahalahy! Tamin’ny vaovao manokana navoakan’ny Tvplus voalohany indrindra tamin’ny Asabotsy dia nisy iny tovolahy naratran’ny bala tamin’ny tongony iny. Nisy nibata ilay zalahy io ka rehefa napetraka tamin’ny tany tao amin’ny toerana vonjimaika hitsaboana ilay zalahy dia nisy bala niraraka avy tamin’ilay olona sivily nibata io naratra io. Tsy niverina intsony ilay ampahantsary fa notapahina nandritra ny vaovao manokana hafa rehetra tamin’io andro io. Midika izany fa “nisy” nitondra fiadiana avy taty amin’ny vahoaka, izay nolazain’i Andry Rajoelina tamin’ny resaka nifanaovana tao amin’ny Viva TV androany, fa na nitondra fitaovam-piadiana aza ny vahoaka araka ny nambarany tsy tokony hamaly mihitsy ny mpitandro ny filaminana.”

“Eu saúdo você, irmão! Durante o noticiário especial relatado pela TVplus no sábado, eles mostraram um jovem com as pernas machucadas. Alguém o carregava para uma tenda de tratamento de emergência e o cidadão que carregou o rapaz para ser tratado derrubou balas no chão. Essa parte da notícia não foi mostrada novamente durante a reportagem especial. Isso mostra que com o povo “havia” armas, e Andry Rajoelina disse durante uma entrevista na VIVA TV hoje que, mesmo que o povo estivesse armado, os soldados não deveriam atirar de volta.”

Por fim, Lomelle e Pakysse escreveram uma página emocionante para homenagear Ando, o jornalista que perdeu a vida enquanto cobria o comício e cerco ao Palácio Presidencial de Madagáscar.

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