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Madagáscar: Após tempestade tropical, vem o furacão político

Poucos dias depois da passagem por Madagáscar, os números oficiais dos danos causados pelo Ciclone Fanele [en] foram finalmente computados. O presidente Ravalomanana visitou uma das áreas afetadas, para verificar a extensão da destruição.

Iniciativa de mídia cidadã nasce com o ciclone

Enquanto o BGNRC  (departmento de risco e gerenciamento de desastres) não conta com um site oficial, notícias relacionadas à destruição estão sendo agregadas em um mapa no Google com código aberto por dois blogueiros, Marie Sophie Digne e Tomavana [fr].

Veja aqui um resumo da devastação, de acordo com o IRIN, via ReliefWeb:

New figures from Madagascar's National Office for Natural Disasters Preparedness (BNGRC) indicate that cyclone Fanele claimed eight lives and affected some 40,400 people [..] The BNGRC said a further 63,000 people were at risk in Menabe if heavy rain continued to fall. Relief teams are still assessing the damage caused by the two storms, and figures are expected to rise as more information on the full extent of the damage is gathered.

Novos números do Departmento de Risco e Gerenciamento de Desastres de Madagáscar (BNGRC) indicam que o ciclone Fanele matou oito e afetou cerca de 40.400 pessoas [..] O BNGRC disse que mais 63 mil pessoas correm risco em Menabe se as fortes chuvas continuarem caindo. As equipes de resgate estão ainda avaliando os danos causados pelas duas tempestades, e os números devem aumentar a medida que informações sobre a extensão total dos prejuízos são contabilizadas.

Confusão política

A blogosfera malagaxe está também agitada com as notícias e comentários sobre uma grande manifestação política que aconteceu em 24 de janeiro e um chamamento para um protesto nacional exigindo a renúncia de toda a atual administração.

Muitos blogueiros estão blogando ao vivo e publicando imagens do evento (mais imagens no Facebook).

O blogueiro Ariniaina traz um rápido resumo com os antecedentes da manifestção:

Andry Rajoelina (or Andry TGV) had a TV Station named VIVA and still have a radio station with the same name. The minister of the communication has decided to close the TV station VIVA due to a documentary movie that this station had broadcasted. It was a message from the former President of Madagascar, Didier Ratsiraka [..] Since then, the Mayor ( of Antanarivo, Andry Rajoelina) gave an ultimatum to the government to re-open VIVA TV station before January 13 [..] As Andry didn’t get what he wanted, he invited the people of Tana to go on a strike AGAIN today, January 24.

Andry Rajoelina (ou Andry TGV) tinha um canal de TV chamado VIVA e ainda tem uma estação de rádio com o mesmo nome. O ministro das comunicações decidiu fechar o canal de TV VIVA por causa de um documentário que ele exibiu. Era uma mensagem do ex-presidente de Madagáscar, Didier Ratsiraka […] Desde então, o prefeito [de Antanarivo, Andry Rajoelina] deu um ultimato ao governo para que reabrisse a TV VIVA antes de 13 de janeiro […] Como Andry não conseguiu o que queria, convidou o povo de Tana a protestar NOVAMENTE hoje, 24 de janeiro.


(Foto de um protesto, via ariniana)

O blogueiro Jentilisa faz uma análise profunda dos discursos dos dois lados do espectro político e adverte quanto a divulgaão de rumores não verificados [mg]:

Toy izany ihany koa nisy hazo nianjera tao amin'ny kianjan'ny demaokrasia, noho ny fahanterany mazava loatra (tatitra heno tamin'ny radio tana, kidaona maraina) nefa misy manadrohadro hoe “lazao fa sabotazy ihany koa e!”; eo indrindra isika, fambara zavatra amin'ny hafa hatrany ny zavatra toy izany na dia tokony ho tsy misy dikany aza. Eo amin'ny toe-tsaina minomino foana mbola ananan'ny maro dia mbola fampitandremana aloha izay,

Uma árvore caiu na praça da democracia (onde o encontro aconteceu) devido a evidente afluência (uma mensagem ouvida no rádio); alguns ainda alegam “que foi sabotagem”. Então aqui vamos nós, falando de coisas insignificantes em vez disso. Temos a tendência a acreditar em tudo o que ouvimos e gostaria de fazer uma advertência quanto a isso.

O blogueiro Avylavitranos lembra que o governo está também tentando fechar a rádio VIVA e as razões apresentadas para tanto não se sustentam [mg]. Existe uma lei que proibe emissões de rádios privadas em todo o país. Ainda assim, a rádio MBS, que é pró-governo, está no ar em nível nacional há 5 anos sem enfrentar nenhuma ameaça de censura [mg]:

Tsy hoe fanenjehana ny MBS akory no ilazako izany fa filazana kosa hoe ‘Natao ho an’iza ny lalàna?’

Não estou tentando isolar o caso do MBS. Só estou perguntando. “A lei só se aplica a poucos?”

( Sim, nós podemos – camisetas de ativistas malgaxes, foto de avylavitra)

A história se repete
Mialisoa Randriamampianina, blogueira e jornalista, está decepcionada com a repetição dos eventos de 2002, com os mesmos erros, retórica belicosa e uma democracia que está longe de ser madura [fr]:

À défaut d’une véritable culture politique, ce grand public se rabat sur la bonne vieille offuscation des éternelles victimes, le ton toujours plus haut, la prudence toujours bradée [..] Ainsi faisait-on en 2002, ainsi fait-on en 2009 [..]: la rue est devenue le chemin forcé, la menace, le recours incontournable. Et au bout, une implosion qui n’est pas forcément utile. Il y a sûrement une juste manière de se faire comprendre, en dehors des intimidations un peu trop faciles et de la condescendance maladroite. En attendant un peu de sang-froid, on en est tous là, en train de naviguer à vue d’œil ou à l’aveuglette. Et on appelle cela « une quête de la démocratie »…

Sem uma verdadeira cultura política, as massas estão lançando mão de velhas lamentações de eternas vítimas, o barulho fica cada vez mais alto e a prudência é jogada janela afora […] Foi assim em 2002, será assim em 2009 […] a rua se tornou o único caminho, a alavanca, o recurso absoluto. Eventualmente, uma implosão que pode não ser muito útil. Deve haver alguma forma de passar a mensagem, sem intimidações fáceis e condescências estranhas. Enquanto aguardamos um pouco as perspectivas das pessoas de cabeças mais frias, estamos aqui, tentando encontrar uma saída. E chamamos isso de “uma questão pela democracia”.

Randy também blogueiros e jornalista, concorda que Madagáscar pode não estar pronta para o verdadeiro processo democrático [fr]:

Et c’est bien ce qui inquiète une partie de l’opinion. Car, dans tous les pays du continent qui se sont livrés à ce jeu, c’est toujours par des manifestations d’une spontanéité suspecte que commence la mise en scène.

E isso é o que deixa alguns com medo. Como no caso de muitos países no continente [africano] que tentaram o jogo [democrático], protestos suspeitamente espontâneos por parte do público entram em cena.

A ironia da ameaça do atual presidente, que seria uma demonstração pública do que restou de sua própia chegada ao poder, não passou despercebida ao blogueiro Rajiosy [fr]:

L’ironie de l’Histoire veut que celui-là même qui a outrepassé l’Etat naguère a eu pour tâche de restaurer l’autorité de cet Etat et de stabiliser ses institutions. Il se retrouve aujourd’hui mis en demeure de conforter cette pérennité. Tâche difficile on l’a vu face à une partie de population versatile.

A ironia da história é que a mesma que pessoa que há algum tempo passou por cima da lei agora vem com a tarefa de restaurar a autoridade do estado e estabilizar suas instituições. Agora ele encara a tentativa de consolidar sua posição. Uma tarefa difícil, levando-se em conta a volatilidade da opinião pública.

Twittosfera amadurece

Uma consequência intrigante desse processo político foi a emergência de uma ativa twittosfera malgaxe que postou notícias em tempo real. É possível ver a linha do tempo de tweets relacionados fazendo uma busca por #madagascar:

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