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Brasil: Real competição entre e-books e livros de papel?

Há um grande debate sobre se a ascensão do livro digital, o e-book, significará o fim do livro de papel. Os entusiastas da nova tecnologia (e os defensores das árvores) defendem a substituição de um pelo outro, enquanto os mais nostálgicos argumentam que o livro é a invenção perfeita, pois em qualquer lugar, em meio a um blecaute ou em alto mar, o livro pode ser lido. Mas será que há mesmo uma competição entre esses dois suportes de letras?

Paulo Coelho\'s books – Free downloadO escritor brasileiro que mais vende livros de papel no mundo, Paulo Coelho, é um grande defensor do livro digital [en]. Segundo ele, a distribuição gratuita de livros digitais ajuda o escritor a vender livros, pois o leitor começa a ler o texto no computador e logo que engata na história resolve comprá-lo, preferindo ainda a leitura em papel. Gostem ou não dele, o fato é que dicas de venda de Paulo Coelho devem ser seriamente ouvidas!

Além dos títulos disponíveis no site oficial do escritor, aonde há títulos seus disponíveis em oito idiomas, há também o blog alternativo [en] que surpreende, pois ali encontra-se títulos do escritor até em idiomas onde ainda não existe uma tradução oficial, como em sérvio [en]! O blogueiro Pirate Coelho se justifica [en]:

“There is nothing wrong with that, if you can catch what I mean. I just googled his books and show you here what you can find about him. Plus, he likes what I’m doing. If you don’t believe me, just check yourself —> Look at his free download page with my old link!

“Não há nada de errado com isso, se é que você me entende. Eu apenas dou uma googlada nos livros dele e mostro aqui onde você pode buscar mais informações sobre ele. Além de que, ele gosta do que estou fazendo. Se não acredita em mim, veja com seus próprios olhos —> Veja a página de download gratuito dele com meu antigo link!” [en]

Será que a distribuição gratuita de livros digitais, ou trechos deles, funciona da mesma forma para outros escritores brasileiros? Haveria para eles alguma competição entre o livro digital e o livro de papel? Mergulhando no universo do livro digital brasileiro, o que percebe-se é que muitos escritores estão disponibilizando suas obras na internet como meio disseminar seu trabalho. Há sites e blogs criados somente com este objetivo.

O Overmundo é um sítio colaborativo criado para difundir a produção cultural brasileira que não recebe a cobertura devida da grande mídia. Além de manter um banco de cultura que abriga as obras diversas, inclusive e-books, o Overmundo utiliza-se do recurso do Overblog, que é um blog de discussão sobre a nova produção cultural exposta no sítio.

A poeta gaúcha Me Morte foi uma das que disponibilizou seu livro digital de poesias Poemetos no Overblog e obteve grande número de visitas. Um de seus fãs, chamado Dan Lima, deixou o seguinte comentário:

“Me,
Baixei seu livro e li vários dos seus delírios (você se diz gótica, mas aseus textos absolutamente contemporâneos). Uma linguagem moderna., abusada, mulher se afirmando, vociferando, poemas de fino trato…. vou lê-los depois com calma “meu gozo é literário, libertário”, É isso que seus poemas aprovocam: gozo e fruição dos sentidos e das palavras…e muito bonito, esteticamente. Parabéns!”

Outra iniciativa de disseminação coletiva é o Portal de Literatura e Arte Cronópios. O Portal, que é misto de livraria e espaço cultural, disponibiliza textos digitais online e usa e abusa do recurso do blogue, pois cada texto disponível online ganha um e-blogue que passa a ser mantido e moderado pelo próprio autor. Apesar dos e-blogues não terem muitos comentários, ao que parece há mais escritores dispostos a publicar gratuitamente online do que leitores dispostos a lerem online, o e-blogue criado a partir do texto Brasiliada de Nicolas Behr gera reações dos leitores:

“Berh jotakalizou braxília com sua letra lâmina afiada em esmeril de algodão. Com certeza, JK construiu Bras´pilia e os candangos ficaram olhando…”

Além dessas iniciativas coletivas, há muitos escritores blogueiros que independentemente disponibilizam seus textos ou trechos deles online para seus leitores. Alguns poetas brasileiros de renome estão fazendo isso, como o poeta Frederico Barbosa. Ele disponibiliza livros inteiros seus online, inclusive traduzidos para diversas línguas, assim como instala no blog links para a compra das versões impressas. Com carreira consolidada, ele parece não ver contradição entre a publicação digital e em papel, seu interesse principal parecendo ser que sua poesia chegue ao leitor, da forma que ele preferir.

Cláudio Daniel, também poeta de renome, ao anunciar o lançamento da segunda edição seu livro de poesia Yumê, disponibiliza online poemas como chamariz:

“Caros, no dia 25 de janeiro, domingo, a partir das 16h, na Casa das Rosas, acontecerá o lançamento da segunda edição de meu livro Yumê (…) Quem estiver vivo até lá, apareça… confiram abaixo um dos poemas de Yumê.

O UM IGUAL A ZERO

em
londres
(no metrô) — primícias
de agosto —
(alguém) lendo Schopenhauer
uma moça com cabelos verdes
e os bicos (dos seios) cor-de-rosa
o (azul-prata-seda)
luxuosíssimo traje marroquino
e a lâmina — argêntea —
do assassino”

Mesmo para escritores iniciantes como Deborah Icamiaba (euzinha!), disponibilizar textos em meio digital tem feito sentido. Em seu blog literário, aonde ela posta regularmente seus contos, crônicas e poesias, há quatro títulos longos disponíveis como e-book em PDF: o livro de contos Dentro de Nós, as novellas Ressurgência Icamiaba e Alquimia do Centro-Oeste e o livro de poesia Pré-proezia [algo de poesia, prosa e proeza. Cada um deles teve seu próprio e-lançamento e, após isso, foram expostos numa “estante virtual” ao lado direito do blog com a seguinte mensagem:

“Para obter este ou qualquer e-livro em PDF, deixe um post no blog.”

Apesar de seu blog receber centenas de visitas por mês, não são muitos os visitantes que pedem os livros digitais disponibilizados para Deborah Icamiaba. O lançamento de maior sucesso foi o do Livro de Contos: Dentro de Nós, no qual ela recebeu 13 posts com pedidos. Isso nos leva a crer que leitores de blog nem sempre interessam-se por uma literatura mais longa e densa.

Disponibilizar os textos online não atrapalhou Deborah na hora de publicar em papel seus livros. No final de 2008, duas editoras interessaram-se por publicar em papel os seus livros já disponíveis em meio digital.

Por último, vale mencionar que o Governo Brasileiro criou em 2004 um sítio aonde disponibiliza e-books de todos os grandes autores clássicos da língua portuguesa, como Machado de Assis e Fernando Pessoa, que são amplamente vendidos nas bancas de jornais brasileiras, em edições populares de papel.

Os escritores brasileiros, editoras e governo estão apostando fortemente na disseminação de seus textos literários pela internet, vendo que há mais complementaridade do que competição entre os meios digital e papel – ao menos nesses tempos em que o leitor ainda prefere a leitura em livros de papel.

  • david carrdoso

    gostaria de conhecer teus livros em e-boock, as árvores agradecem.                 david.

  • Jornalistas Anônimos

    Livros eletrônicos à Bessa? Ou à beça?

    Com respeito à dúvida sobre a origem da locução “à beça” (mais apropriadamente, “à Bessa”- segundo ortografia de 1943), transcrevo, do “Dicionário brasileiro de provérbios, locuções e ditos curiosos”, de R. Magalhães Júnior (Rio de Janeiro, 1974), o seguinte verbete: “À bessa. – O mesmo que abundantemente, com fartura, de maneira copiosa. A origem do dito é atribuída às qualidades de argumentador do jurista alagoano Gumercindo Bessa, advogado dos acreanos que não queriam que o Território do Acre fosse incorporado ao Estado do Amazonas. Rui Barbosa, que se demitira do cargo de ministro plenipotenciário, quando da negociação do Tratado de Petrópolis, por se opor às diretrizes de Rio Branco, aceitara advogar a causa do Amazonas e chegara, inclusive, não só a propor ação judicial, mas ainda a apresentar no Senado Federal projeto que mandava incorporar o Acre àquele Estado. O advogado contrário, Gumercindo Bessa, apresentara argumentos tão esmagadores e tão numerosos em favor dos acreanos, que logo se tornou figura respeitada nos meios forenses. Conta-se que certa vez um cidadão procurou o Presidente Rodrigues Alves para pleitear determinados favores e com tal eloqüência expôs suas idéias que o ilustre estadista teria observado: – O senhor tem argumentos à Bessa … Com o tempo, a maiúscula de Bessa desapareceu. Entre os autores que registram essa origem da popular expressão se destacam Rodrigues de Carvalho, na “Revista Nova”, n. 6, de abril de 1932, e Aires da Mata Machado Filho, no livro “Escrever Certo”, 1.ª Série”.

    E o responsável pelo site respondeu: “Muito obrigado. Quanto à grafia à bessa ou à beça, note-se que alguns dicionários – e entre eles o Aurélio e o Michaelis – registram à beça”.

    http://recantodasletras.uol.com.br/redacoes/112156

    FERNANDO KITZINGER DANNEMANN
    Publicado no Recanto das Letras em 15/02/2006

  • Lobo Jr.

    CANGAÇO E VOLANTES
    Por Carlos Jatobá

    O Cangaço foi um fenômeno do banditismo social brasileiro até a 4ª década do século passado e protagonizado, principalmente, pelo famigerado Lampião. As Volantes eram forças policiais de ações tático-móveis usadas no combate a esse mesmo banditismo e liderada, dentre outros, pelo famoso Tenente Bezerra.

    Uma notícia—talvez estranha, quiçá pitoresca aos habitantes da corte republicana, ainda consternada pelo assassinato do célebre escritor e jornalista Euclides da Cunha no dia anterior—era publicada na primeira página da Gazeta de Notícias do Rio de Janeiro (então Capital Federal), no longínquo 16 de agosto de 1909:

    “Aracaju-SE.—A importante cidade de Propriá, sede da comarca do mesmo nome, foi ontem invadida repentinamente por um numeroso grupo de cangaceiros que infestam a zona norte deste Estado, que escolheram para campo de rapinagens e depredações. Foi imenso o pânico da população da laboriosa cidade. Logo que foi dado o alarma, a autoridade policial tomou as providências para resistir à invasão, reunindo todos os recursos de que dispunha, e se propôs a capturar os cangaceiros que resistiram, travando-se renhido combate, de que resultaram vários feridos e uma morte. Foi ferido gravemente um soldado da polícia, tendo sido morto um cangaceiro. A ordem foi, felizmente, restabelecida, achando-se a população satisfeita com as medidas de repressão da autoridade policial. Ao que consta, o governo do Estado está preparando uma nova força para ir em perseguição dos cangaceiros.”

    O CANGAÇO

    Nas sociedades rurais subdesenvolvidas, segundo Chandler, “o banditismo sempre captou o interesse e a fantasia do povo. Na verdade, o fascínio que estes bandidos exercem e a criação de lendas sobre eles—sem mencionar o fenômeno do próprio banditismo—parecem ter sido universalmente difundidos. O homem, ou ocasionalmente a mulher, que vive fora da lei como um celerado errante, aparentemente livre de qualquer restrição da sociedade, desperta uma fibra de nossa imaginação, principalmente quanto mais remotas forem suas colocações no tempo ou no espaço. Deste modo, os ingleses vibram com os feitos de Robin Hood e seu alegre bando; os americanos contam as aventuras de Jesse James; os mexicanos, as façanhas de Pancho Villa, e os brasileiros, as de Lampião.”

    O chamado ciclo do Cangaço ou como muitos, hobsbawniamente, o denomina: “ciclo do banditismo social”, localizou-se ao longo dos Estados da Bahia até o Ceará, em toda a extensão do vasto hinterland nordestino e foi um verdadeiro flagelo que se abateu sobre as populações sertanejas.

    Tal fenômeno perdurou por cerca de sete décadas (1870-1940). Arrastando-se, por mais dois anos após a morte de Lampião (Virgolino Ferreira da Silva) em 1938, seu expoente máximo; até a morte de Corisco (Christino Gomes da Silva) em 1940, seu sucessor e lugar-tenente. A despeito, de outros cangaceiros—não menos famosos—que os precederam, como: Jesuíno Brilhante, Adolfo Meia-Noite, Antônio Silvino, Sinhô Pereira e Luiz Padre. Há, também, os precursores do cangaço ou “pré-cangaceiros” (anteriores a 1870), que foram: Cabeleira e Lucas da Feira, dentre outros menos pesquisados ou de insuficientes subsídios históricos.
    http://www.brazzil.com/p32sep02.htm

  • Lobo Jr.

    “Henfil na China” (Antes da Coca-Cola)

    26/08/2008
    Opinião de Eurico Barbosa

    Dos últimos dias de julho aos primeiros de agosto de 1977, o genial cartunista Henfil observou, com sua argúcia extraordinária, o que era a China, como vivia o seu povo, quais eram suas instituições, o funcionamento da sua economia. Fazia pouco tempo que o todo-poderoso líder Mão Zedong (Mao Tsé-tung), chefe da Revolução que a 1º outubro de 1949 proclamou a República Popular que implantou o sistema e o regime comunistas chineses, havia morrido. Mão foi sucedido por um grupo (de que sua viúva, que, presa e atormentada pela perseguição que veio a sofrer, terminou se enforcando na prisão, era a figura principal) de pouca duração no poder, pois foi derrubado e estigmatizado como o Bando dos Quatro sob pesadas acusações de corrupção. Fazia poucos meses que os responsáveis pela queda e prisão do Bando dos Quatro estavam a governar a China quando lá esteve o nosso Henfil.

    Era ele colaborador de O Pasquim e o mais famoso cartunista brasileiro (de hemofilia – tal como mais tarde o seu também notável irmão Herbert de Souza, o Betinho – morreu moço ainda na década de 90, depois de vários anos nos Estados Unidos). Três anos depois da viagem à China publicou o livro Henfil na China. Entre parênteses colocou o subtítulo “Antes da Coca-Cola”. Isto porque logo depois de lá estar, a temida e fechada nação comunista começara a se abrir para os moldes de produção e consumo capitalistas do mundo ocidental, especialmente, é claro, os moldes norte-americanos.

    O livro de Henfil, editado pela Codecri, a editora de O Pasquim, teve sua primeira edição em 1980. O sucesso foi tal que em 1983 já estava na 13ª edição e no ano seguinte na 14ª. Sua leitura hoje em dia é sumamente interessante, para que se possa ver a extraordinária transformação por que passaram a China e o mundo nas últimas décadas, notadamente na última, e estão passando na atual.

    Como acabo de registrar, já em 1980 a Coca-Cola, como símbolo da adesão da China ao capitalismo, era destacada por Henfil como objeto de consumo no país que ele conhecera – fazendo dessa viagem uma grande reportagem – três anos antes. Em 1990 caiu o Muro de Berlim. Nesse dia, Le Figaro, grande jornal da França, publicava como manchete principal – O Capitalismo Venceu. E venceu mesmo. O império soviético acabou de se desmoronar e a globalização capitalista, pode-se dizer, começou ali, com o fim do Muro de Berlim.

    http://www.dm.com.br/materias/show/t/a_china_depois__da_coca_cola_

  • Eloisa Menezes Pereira

    O primeiro trabalho fruto do projeto “Faça o seu e-book na escola” acaba de ser lançado. Brincando com os sentidos, uma coletânea de 18 histórias escritas por crianças de 10 a 13 anos, é resultado de uma atividade desenvolvida na 5ª série da Escola Estadual de Ensino Fundamental Almirante Álvaro Alberto da Motta e Silva, em Porto Alegre. “Escolhi a turma 53 porque tinha dificuldades em manter a disciplina durante as aulas, o comportamento estava muito ruim”, conta a professora de português Eloísa Menezes Pereira. “Como estimular estudantes que escrevem e leem tão pouco a se interessarem por essas atividades? O e-book funciona como um reconhecimento do seu trabalho. Os alunos veem que um texto que foi escrito por eles na sala de aula está na internet e, assim, tornam-se autores, como tantos outros que conhecem”,podendo ser baixado em celulares..

  • Fragmentos da Infância

    Viço da infância
    Destituía a maioridade
    Na leveza das consciências
    Cegava a realidade

    Ansiosos do futuro
    Mergulhavam os puros
    Sonhando com albores da vida
    Transformavam suas idas

    Desprovidos da sensualidade
    Conhecimento era curiosidade
    Música, intenso prazer
    Como era sedutor aprender!