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Egito: Universidade Americana no Campus Novo do Cairo Deflagra Debate

Projetado para acomodar 5.500 estudantes em tempo integral e 1.500 docentes e funcionários da administração, o campus novo da Universidade Americana no Cairo, de 260 acres e um custo de $400 milhões, é avançado em tecnologia e ecologicamente consciente. Os estudantes dizem que foi uma mudança prematura, pois têm sofrido assédio sexual e pagam caro pela alimentação, entre muitas outras questões.

O Chronicling Cairo [en] mostrou sua tristeza numa mensagem no blog [en]:

Since we moved to Heliopolis we've been dealing with an incredible amount of sexual harassment. Keep in mind that the entire time we've been living in the hotel so far has been during the month of Ramadan, the holiest month of the year for Muslims and the time in which all Muslims make extra effort to worship God and live in a pure and holy way.

As such, all sexual thoughts and acts during the fasting hours are technically forbidden. However, we cannot walk down the street in Heliopolis (in daylight or after sundown) without catcalls, honking cars, constant hissing, and what i'm sure are likely extremely lewd expressions in colloquial Egyptian being tossed our way. I was warned to expect the harassment, I can take the verbal abuse.

What I have difficulty accepting, however, is the physical component of the problem. Two weeks ago this sequence of events happened:

The fact that we're foreigners has no bearing on the level of harassment we're receiving–our Egyptian and Arab dorm-mates are harassed at an equal level. Surveys conducted of Egyptian women indicate that veiled women experience only 10% less harassment than unveiled women. My Palestinian suitemate told me that it will get even worse once Ramadan ends.

By deciding to house us in a completely isolated area full of military compounds that is hostile to outsiders in general, AUC put their female students in a terrible situation where there is absolutely nothing we can do to stop men from touching us inappropriately. And that makes me angry.

Desde que nos mudamos para Heliopolis temos lidado com uma quantidade incrível de assédio sexual. Tenha em mente que o tempo todo de nossa estada no hotel até agora coincide com o mês de Ramadan, o mês mais sagrado do ano para os muçulmanos e o período durante o qual todos os muçulmanos fazem um esforço extra para venerar Deus e viver de uma maneira pura e santa.

Como tal, pensamentos e atos voltados para o sexo durante as horas de jejum são tecnicamente proibidos. E no entanto, não podemos percorrer as ruas de Heliopolis (seja à luz do dia ou depois do por do sol) sem vaias, buzinadas, assobios constantes e aquilo que, tenho certeza são, provavelmente, expressões extremamente grossas em egito coloquial sendo atiradas em nossa direção.Fui avisada sobre o assédio; posso aguentar a ofensa verbal.

O quê tenho dificuldade em aceitar, de qualquer jeito, é o componente físico do problema. Duas semanas atrás ocorreu a seguinte seqüência de eventos:

O fato de sermos estrangeiras não tem a ver com o nível de assédio que recebemos – nossas companheiras de quarto egípcias e árabes são assediadas a um mesmo nível. Pesquisas realizadas sobre mulheres egípcias indicam que mulheres que usam o véu sofrem somente 10% menos assédio do que mulheres que não o usam. Minha companheira palestina de quarto me disse que ficará ainda pior depois de Ramadan.

Ao decidir por nos alojar numa área completamente isolada, cheia de complexos militares que é hostil a estranhos em geral, a AUC [Universidade Americana no Cairo] colocou suas estudantes mulheres numa situação terrível onde não há nada, em absoluto, que possamos fazer para evitar que homens venham a bulir conosco. E isto me deixa furiosa.

Scene and heard [en] publicou a seguinte carta de uma estudante estrangeira da AUC [Universidade Americana no Cairo]:

Dear S&H,

I am currently doing a semester abroad here at AUC at the new campus and am unfortunately really disappointed. My friends recommended the program after spending a summer studying Arabic at the downtown AUC campus and told me how amazing it was to be right smack dab in the middle of the city and cultural festivities. I had heard about the new campus but was told it wasn't “that far” from downtown and figured I had nothing to lose. I'm sure you can imagine my surprise when I arrived at the new campus and realized I was in the middle of a number of developing upscale communities surrounded by desert…not exactly the cultural experience I was looking for. I have to take a bus or Cairo Cab downtown to be able to experience the streets and true culture of Cairo. I wish I was able to walk down the streets near Tahrir square and eat koshari and falafel sandwiches between my gaps like my friends had told me about…and although Cilantro's not bad, that's not exactly what I flew thousands of miles to experience.

I recently read an article in the Daily News that really hit home and I thought that this was the best place to voice my opinion and maybe open a discussion forum. In the article, the reporter recommended: “For the sake of its foreign students, AUC’s Arabic Language Institute should seriously consider returning to the university’s old location in the heart of downtown Cairo.”


Prezado S&H,

Estou, no momento, fazendo um semestre aqui na AUC no novo campus e estou, infelizmente, muito decepcionada. Minhas amigas recomendaram o programa depois de terem passado um verão estudando árabe no campus da AUC do centro da cidade e me disseram como havia sido maravilhoso estar bem alí no centro de Cairo e dos acontecimentos culturais. Havia ouvido falar do novo campus, mas tinha sido informada de que não era assim “tão longe” do centro da cidade e achei que não tinha nada a perder. Você pode imaginar minha surpresa quando cheguei no novo campus e percebi que estava no meio de um número de comunidades florescente em desenvolvimento, cercado por deserto…não exatamente a experiência cultural que esperava. Tenho que pegar um ônibus ou um táxi para o centro para poder vivenciar as ruas e a verdadeira cultura do Cairo. Pudesse eu andar pelas ruas perto da praça Tahrir e saborear sanduíches koshari e falafel nos intervalos de aula, como minhas amigas me contaram…e, embora Cilantro não seja ruim, não era exatamente o que esperava viver depois de milhares de milhas de vôo.

Li, recentemente, um artigo no Daily News que realmente atingiu o alvo e me fez pensar que este seria o melhor lugar para dar voz a minha opinião e talvez iniciar um forum de discussão. No artigo, o repórter recomendava: “Por consideração a seus alunos estrangeiros, o Instituto de Língua Árave da AUC deveria pensar seriamente em retornar a sua antiga localização no centro do Cairo.”


Will Ward publicou um post com o título AUC: Batalha por comida no novo campus. [en]

On my first day at the AUC new campus I waited in line over half an hour to buy a cardboardy bagel from one of the three chain food outlets that were up and running.

This was because the university had sold a concession to Delicious Inc, a company that operates chain franchises like Cinnabon, McDonalds, Cilantro, etc, to be the sole foodservice provider on campus. A cup of coffee at one of these places runs 12-15 pounds, and a sandwich or salad would set you back at least 20.

For Ramadan this was not a huge deal because most people weren’t eating on campus anyway, but after Eid all hell broke loose. With fasting over, no one was prepared to wait forever in a line to overpay for meh food.

After a few days, something fantastic happened. Instead of complaining (my default response), a group of students set up small stands around campus and began selling snacks, apples and little packages of homemade pasta with roasted veggies. These were cheaper and more delicious than Delicious Inc’s products, so naturally, the company tried to shut them down.

I am told that, after being closed initially, the students appealed the decision to the AUC president and were given permission to continue operating. But then yesterday I noticed that Delicious had set up their own kiosk and had dispatched two Cilantro employees to hand out cookies to the passersby.

Getting warmer….but I’m not sold yet. When they start delivering free double macchiatos to my office, then we’ll talk. That may even earn them a coveted Friday in Cairo endorsement.

But in the end, even the student food is priced head and shoulders above the cheap filling lunch you can get for a few pounds at the downtown places. The real scandal is that, with November almost here, there is no sign of fuul, tamiyya or koshary on the new campus as promised.

Meanwhile, I continue to spend a great deal of time at the old campus. The wireless internet is still up and running, the cheaper, better coffee shop is still open, the bank is open with no lines. There are trees, birds chirping, no desert rats, you get the picture.

Em meu primeiro dia no novo campus da AUC esperei na fila mais de meia hora para comprar uma rosca com gosto de papelão de um dos três estabelecimentos de uma cadeia voltada para a alimentação que estava funcionando.

Isto porque a universidade havia vendido uma concessão para a Delicious Inc, uma companhia que opera franquias de cadeias de estabelecimentos como Cinnabon, McDonalds, Cilantro, etc, para serem os únicos provedores de serviços de alimentação no campus. Uma xícara de café num desses locais custa de 12 a 15 libras, e um sanduíche ou uma salada deixaria você pelo menos 20 mais pobre.

Durante o Ramadan não chegava a ser um grande problema, pois a maior parte das pessoas não estavam consumindo no campus, mas depois do Eid, a confusão foi total. Terminado o período de jejum, ninguém estava a fim de esperar a vida toda na fila para acabar pagando muito caro por uma comida porcaria.

Depois de alguns dias, algo fantástico aconteceu. No lugar de reclamar (minha reação default), um grupo de estudantes organizou pequenos quiosques ao redor do campus e começaram a vender guloseimas, maçãs e pequenas embalagens de massa com legumes assados. Estes eram mais baratos e mais gostosos do que os produtos da Delicious Inc., e assim, naturalmente, a companhia tentou fazer com que parassem com as vendas.

Fui informado de que, depois de serem fechados, inicialmente, os estudantes fizeram um apelo ao reitor da AUC e receberam permissão para continuar com as operações. Mas, aí então, ontem, notei que a Delicious havia colocado seu próprio quiosque e despachado dois empregados da Cilantro para distribuir biscoitos para os transeuntes.

A coisa está esquentando…, mas ainda não entrego os pontos. Quando eles começarem a entregar, gratuitamente, macchiatos duplos em meu escritório, aí então podemos conversar. Pode até trazer para eles uma tão desejada sexta-feira no endosso do Cairo.

Mas no final das contas, até mesmo a comida dos estudantes custa muito mais do que o almoço barato que você pode comprar com umas poucas libras nos restaurantes do centro. O verdadeiro escândalo é que, com o mês de novembro quase chegando, não há nem sinal do fuul, tamiyya ou koshary no novo campus, como havia sido prometido.

Enquanto isso, continuo a passar um bom tempo no campus velho. A internet sem-fio ainda está em funcionamento, o quiosque do café, mais barato e melhor, ainda continua aberto, o bando continua aberto e não tem filas. Há árvores, passarinhos cantores, nenhum rato do deserto, [en] vê-se a diferença.

Estudantes furiosos conseguiram um pedido de desculpas [en] do reitor da AUC:

The head of The American University in Cairo apologized to attendees at a raucous and at times angry student forum today meant to address concerns about the new campus, which continued even as a blackout hit the university.

Flanked by two armed bodyguards, President David Arnold asked for the audience’s understanding and forgiveness for the problems the university has experienced this semester.

“I want to express my deep personal apology about the problems and suffering that we have encountered at the past two months,” he said.

The forum was hastily organized in response to a sit-in held by dozens of student protesters last week outside the administration building.

The group organizing the protest asked the school provide the details of its contract with food consortium Delicious Inc. and publicize all of its financial records, provide cheaper food alternatives, guarantee the campus is finished by spring, a reimbursement of four weeks of tuition, and a cap on tuition hikes.

During his address at the Motaz El Alfy Hall in the newly opened section of campus, Arnold acknowledged student frustration with the problems AUC has experienced in the move to Kattameya.

Arnold defended the move as the “right decision,” though he was immediately heckled for the comment.

He did not give a definitive answer about when the campus would be fully completed, but said he expected student housing would be ready for tenants at the end of the semester. An updated construction schedule is expected next week, AUC said in a statement.

To address student concerns about food on campus, the university has created a Food Services Committee, and will provide a summary of its agreement with Delicious Inc, the university said.

At the forum, Arnold announced that students would also receive a food coupon worth 200 LE.

He also agreed with the concerns that staff and students have raised about the bus service provided by Family Transport. Drivers for the Heliopolis-based firm have been in at least two accidents since the beginning of the semester.

“Bus service was not that good for the first two weeks of this semester, as many problems were taking place, such as the bus was sometimes full or it wasn’t on time,” Arnold said.

The bus services rebate will be worth 500 LE to each student, a third of the value of the bus pass.

But he said he was not entertaining a tuition refund of any kind. In its release, the university stated tuition covers 70 percent of education costs, the remainder covered by donations and AUC’s endowment funds.

“We have made a commitment towards offering higher education programs for you, so a reduction of tuition is unnecessary,” Arnold said.

In previous remarks to the Caravan, university officials said AUC has suffered a decline of almost $100 million in the market value of its securities investments, which were largely made with endowment funds.

O reitor da Universidade Americana no Cairo, hoje, pediu desculpas aos participantes de um forum estudantil áspero e, em alguns momentos, rancoroso, organizado para discutir as preocupações acerca do novo campus, o qual continuou mesmo depois que um apagão atingiu a universidade.

Ladeado por dois guarda-costas armados, o reitor David Arnold solicitou dos ouvintes compreensão e clemência para com os problemas que a universidade enfrenta esse semestre.

“Quero expressar meus mais profundos pedidos de desculpas para com os problemas e sofrimento que temos encontrado nos dois últimos meses,” disse ele.

A reunião foi organizada apressadamente em resposta a um protesto realizado por dúzias de estudantes na semana passada no lado de fora do prédio da administração.

O grupo organizador do protesto pediu que a escola providenciasse as informações sobre seu contrato com o consórcio alimentício Delicious Inc. e publicasse todos os seus registros financeiros, fornecesse alternativas mais baratas de alimentação, garantisse o término das obras do campus até a primavera, uma devolução das taxas equivalentes a quatro semanas de aulas e um limite nos aumentos de custo de instrução.

Durante seu discurso no Salão Motaz El Alfy na seção recentemente aberta do campus, Arnold reconheceu a frustração estudantil em relação aos problemas pelos quais a AUC tem passado na mudança para Kattameya.

Arnold defendeu a mudança como a “decisão certa,” embora fosse na mesma hora interrompido por seu comentário.

Ele não deu nenhuma resposta definitiva quanto a uma data de finalização das obras do campus, mas disse que esperava que o complexo de habitação estudantil estaria pronto para receber moradores ao final do semestre. Um cronograma atualizado da construção é esperado para a semana que vem, declarou a AUC.

Para lidar com as preocupações dos estudantes quanto à alimentação no campus, a universidade criou um Comitê de Serviços de Alimentação, e fornecerá um resumo de seu acordo com a Delicious Inc., disse a universidade.

Na reunião, Arnold anunciou que os estudantes iriam também receber um cupom para alimentação no valor de 200 LE.

Ele também concordou com as preocupações que o quadro de funcionários e os alunos levantam a respeito do serviço de ônibus oferecido pelo Family Transport [Transporte da Família]. Os moltoristas da firma com base em Heliopolis já estiveram envolvidos em pelo menos dois acidents desde o início do semestre.

“O serviço de ônibus não foi assim tão bom nas duas primeiras semanas deste semestre, uma vez que muitos problemas estavam ocorrendo, tais como o ônibus algumas vezes estava lotado ou não estava no horário,” disse Arnold.

O desconto nos serviços de ônibus será no valor de 500 LE para cada estudante, um terço do valor do passe de ônibus.

Mas disse que não estava levando em consideração qualquer tipo de reembolso das taxas de instrução. Em seu comunicado, a universidade afirmou que as taxas de instrução cobrem 70 porcento dos custos educacionais, o restante sendo obtido através de doações e dotação de fundos da AUC.

“Temos um compromisso para com o oferecimento de programas de educação superior para vocês, e uma redução nas taxas de instrução não é necessária,” disse Arnold.

Em observações anteriores para a Caravan, funcionários da universidade afirmaram que a AUC sofreu um declínio de quase $100 milhões no valor de mercado de seus investimentos em seguros, os quais foram em larga escala conseguidos com dotação de fundos.

No Facebook, diversos grupos foram criados pelos estudantes dando voz as suas frustrações: Petição para retornar para o antigo campus, [en] Odiamos o novo campus,[en] e Não venda o campus velho.[en]

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