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Angola: Poucos reagem à reabertura do escândalo Angolagate

O famoso caso “Angolate” chega este mês às barras dos tribunais de França, envolvendo figuras de topo daquele país e supostamente angolanos influentes, a começar por José Eduardo dos Santos, presidente de Angola. Os fantasmas estão à solta e Angola tenta a todo o custo impedir o debate público, alegando “respeito do segredo de defesa” de uma nação estrangeira.

Convém relembrar que este “Angolagate”, também conhecido como o caso Mitterrand-Pasqua, remonta a 1992, quando José Eduardo dos Santos apercebeu-se da desvantagem militar diante da UNITA de Jonas Savimbi, que na altura ocupava mais de 80% do território angolano. Diante deste quadro, o presidente angolano optou por quebrar o embargo imposto pelas Organizações das Nações Unidas a que estava sujeito e adquiriu mais de quatrocentos carros de combate, aproximadamente cento e cinquenta mil obuses, mais de cem mil minas anti-pessoais, cerca de uma dezena de helicópteros, meia dúzia de navios de guerra entre outros armamentos originários do antigo bloco soviético.

O valor destas aquisições ficou-se pelos setecentos e noventa milhões de dólares, feitos através da empresa francesa Brenco. Seu presidente, o empresário Pierre Falcone e o político israelita Arkadi Gaydamak foram as peças chave em toda esta missão e encontram-se neste momento no banco dos réus. Ao todo, 40 outros acusados, alguns dos quais membros do alto escalão da política Francesa, serão julgados e poderão pegar 10 anos de prisão, se considerados culpados.

O julgamento começou na segunda-feira passada, 6 de outubro, e a apuração deve continuar até 4 de março do ano que vem. Nessa primeira semana da reabertura do caso, houve bem pouca reacções na blogosfera angolana, e a imprensa também continua calada.

Um dos poucos bloguistas a comentar sobre o assunto, Roberto Ivens, do blog Nos Cus de Judas, revela um facto insólito em relação à ausência de arguidos angolanos neste processo:

“Não haver neste processo um único arguido angolano não deixa de ser curioso. Que todo o material de guerra, tanques, navios, helicópteros, obuzes, minas, tivesse entrado em Angola sem que ninguém o houvesse solicitado faz pensar que, afinal, poderá ter havido uma..invasão estrangeira?!”

A justiça francesa acusa ainda Jean-Christophe Miterrand, filho do antigo e já falecido presidente Miterrand, Jean-Bernard Curial, o cabeça do Partido Socialista francês para a África Austral, e Charles Pasqua, antigo Ministro do Interior, entre outros. O blog Moçambique para Todos [pt], também participa da temática “Angolate” com um texto do Angolano Eugénio Costa Almeida:

“Pois então não é que a justiça francesa, sem tomar em linha de conta os superiores interesses da República Francesa, decidiu iniciar o julgamento deste processo, com acusações que vão desde tráfico de armas, abuso de confiança, fraude fiscal e tráfico de influências. Tudo por causa de uns míseros 420 carros de combate, 150 mil obuses, 170 minas anti-pessoais, 12 helicópetros e 6 navios de guerra, eventualmente comprados por Angola e para os quais uns quantos auferiram umas míseras dezenas de milhares de dólares em “luvas”.Gingubas(amendoins) ou peanuts, como diriam os nossos amigos norte-americanos, eventualmente depositadas em contas obscuras em empresas, cidades francesas, suíças ou israelitas, antes de seguir para as de companhias e empresas financeiras sedeads em paraísos fiscais onde o dinheiro “adormece” por uns tempos antes de voltar a circular…é que parar é morrer, e há tantas quintas e palácios na Europa para serem comprados”.

Como seria de esperar, Angola rejeita as acusações de tráfico ilegal de armas e fraude fiscal, afirmando que o material era legal, não era de origem francesa e não transitou pela França. As entidades angolanas ameaçam retaliar a França contra os interesses petrolíferos no país.

Este julgamento surge em má hora, já que a França procura desde o início do ano, estreitar relações com o governo angolano. Prova disso foi a visita feita por Nicolas Sarkozy há cinco meses a Angola.

  • No meu blogue há vários textos sobre este assunto, bem como muitos outros sobre a realidade angolana.

  • herberto ciro

    Deixem Angola em Pais seus Idiotas…

    A União Nacional do Angolanos esta a fazer confusão a muitos.

    Precurem algo mais lucrativo para Fazerem, porque nos Jornalismo privado só lucra o dono da agência.

    Procure um trabalho mas lucrativo e Inteligente para fazer meu filho

  • Olá Herberto,

    tens alguma coisa a adicionar ou a questionar nas informações publicadas neste artigo? Seria bacana se tivesses algo a adicionar à conversa, tornando-a mais multilateral a rica. A quem interessa esta confusão, em sua opinião? Quem está a lucrar com o que diz a ‘imprensa privada’ à qual você se refere, e quem são os órgãos desta imprensa?

    Abraços do Verde.

  • Olá Orlando,

    o trabalho que fazes em seu blogue já nos é bastante conhecido, e por muitas vezes já bebemos de suas fontes em nossos artigos. Parabéns pelo bom trabalho, e seja sempre bem vindo a estas paragens, principalmente para adicionar àquilo que já foi dito.

    Abraços do Verde.

  • Clara Onofre

    Ao Herberto Ciro,
    o trabalho feito na GVO é inteligente, a tal ponto que estamos aqui a relatar os factos e nada mais do que os factos!

  • Aqui no Brasil o que se noticia sobre a Àfrica, Angola, Cabinda, Moçambique e países de LOP é quase nada.
    Interessante o Angolagate. Importante saber que sua Excia. Dr J E Santos ajudou a minar o país e a mutilar o próprio povo. Minas anti-pessoais é a guerra mais covarde e cruel, sem desculpas… pior que o terrorismo, ela mata na espreita, hoje, amanhã e sempre.
    Lamentável para a memória também de Francois Miterrand… que çe triste socialiste!