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Angola: MPLA vence com mais de 80% dos votos

O resultado final das eleições parlamentares revelado na noite dessa terça-feira pela Comissão Nacional Eleitoral de Angola confirmou a vitória do partido da situação, o Movimento Popular de Libertação de Angola, com 81,64% (5.266.216 votos). O segundo colocado, o partido principal da oposição União Nacional para a Independência Total de Angola, teve 10,39% (670.363 votos). Um total de 7.213.246 angolanos compareceram às urnas, dentro do universo de 8.256.584 pessoas que se registraram para votar – um índice de comparecimento de 87%.

Isso quer dizer que o MPLA fará 191 dos 220 Membros do Parlamento eleitos, enquanto a UNITA terá 16 representantes, o PRS contará com 8 e ambos o ND e o FNLA terão 2 vagas (clique aqui para ver uma lista completa dos eleitos por região). Jorge Santos do Leste de Angola estava entre os primeiros blogueiros a anunciar os seguintes resultados:

MPLA – 5.266.216 ( 81,64%)
UNITA – 670.363 (10,39%)
PRS – 204.746 (3,17%)
ND – 77.141 (1,20%)
FNLA – 71.416 (1,11%)
PDP-ANA – 32.952 (0,51%)
PLD – 21.341 (0,33 porcento)
AD Coligação – 18.977 (0,29%)
PADEPA – 17.509 (0,27%)
FPD – 17.073 (0,26%)
PAJOCA – 15.535 (0,24%)
PRD – 14.238 (0,22%)
PPE – 12.052 (0,19%)
FOFAC – 10.858 (0,19%)

Camara de Comuns publica uma análise feita pelo leitor Rui Miguel Menezes Vaz, morador de Bié, uma das províncias mais destruídas durante a guerra civil. Ele explica porque, em sua opinião, os resultados foram os melhores possíveis:

Não é preciso ir muito longe e perceber que o MPLA, mesmo sendo um partido manipulador e dominador, era a única saída para a estabilidade. A UNITA não apresentou uma única vez um quadro, ao nível de governação, capaz de mover forças. Alias, os únicos que teriam capacidade de liderar excluíram-se destas eleições e o povo não esquece o passado. Durante o período eleitoral é facilmente constatável que o MPLA tinha muito mais direito de antena e muito mais protagonismo. Mas não foi esse o partido que levou este pais a evoluir e atrair o investimento todo em Angola?

Carlos Lopes fala sobre o que esses resultados significam para a oposição UNITA, que perdeu mais de 50 dos assentos que tinha, dizendo que “pior que a derrota militar, foi a derrota eleitoral”. Ele disse que os resultados, pelo menos em Luanda, foram surpreendentes:

Não foi se quer, o problema da mensagem da «mudança», que era bem aceite e «colava» nos ouvidos do eleitor, mas antes, um sério problema de avaliação do potencial do eleitorado em termos de resultado, ou seja, a quantidade de votos que o partido iria recolher nessa Província, Município e Comuna. Os dirigentes fizeram-se a estrada e apostaram em locais, cujos eleitores não corresponderam a expectativa criada, porque aqueles que dirigiram a campanha da UNITA, com base em dados pouco fiáveis e alguns inexistentes, não conseguiram colmatar as falhas que apareciam, muitas vezes por desconhecimento

Luciano Canhanga analisa como fica a situação dos partidos menores, que não se saíram muito convictos do pleito e agora correm perigo:

Dos partidos concorrentes às eleições e que não conseguiram acentos, apenas o PDP_ANA se livra da extinção compulsiva, já que conseguiu tangencialmente transpor os 0,5% da votação geral exigida por lei. Os que não concorreram ficam obrigados a concorrer em 2012, sob pena de extinção. (…) E que dizer de formações como o PRD, PPE e FOCAC que dizem ter conseguido as 15 mil assinaturas com que se habilitaram à corrida, mas que findo o escrutínio acabaram com menos de 15 mil votos?

Koluki publica um link para um relatório do Human Rights Watch chamado ‘Angola: Irregularidades Mancham Eleições Históricas’, publicado no último dia 15 e que destaca que houve ‘falta de monitoria independente, parcialidade dos órgãos de comunicação social ‘. Ela deixa suas observações sobre o documento e conclui:

Em suma, e’ minha conviccao que os resultados eleitorais nao sao determinados apenas durante a campanha eleitoral ou no dia das eleicoes, elas sao determinadas ao longo de anos pelos eleitores que acumulam as experiencias de vida que acabam por ditar as suas decisoes de voto, por muito que, infelizmente, o processo eleitoral nao decorra de forma tao transparente quanto todos desejariamos, a bem dos proprios eleitores, ou seja, do povo e da nacao.

As eleições de 5 de setembro foram as primeiras em Angola desde 2002, quando uma guerra civil que durou 27 anos entre as então facções rivais MPLA e UNITA chegou ao fim. Os angolanos escolherão um presidente no ano que vem.

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