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Caribe: Emancipando-se

Primeiro de agosto é o Dia da Independência em muitos territórios do Caribe – e o dia em que eles celebram de fato o fim da escravatura, quando todos os escravos foram declarados legalmente livres. Cento e setenta anos depois, alguns blogueiros caribenhos homenageam seus antepassados, cujos sacrifícios conquistaram a liberdade que eles hoje têm…

Montego Bay Day By Day [en] cita um trecho do The Road to Freedom (O Caminho da Liberdade) de Tanesha Ramdanie, que descreve as reações ao pronuncionamento oficial:

Tears of joy flowed incessantly, while shouts of freedom rang from the mountain tops and the plains, from the men, women and children, who had learnt that they were finally free of the oppressive social and economic system in which they were treated as less than human.

Lágrimas de felicidade caíram sem parar enquanto gritos de liberdade ecoavam dos topos das montanhas e das planícies, por parte de homens, mulheres e crianças que descobriram que estavam finalmente libertados do sistema econômico e social opressivo no qual eles eram tratados como se fossem menos do que humanos.

…enquanto Gallimaufry [pt] cita uma canção folclórica popular em Barbados que, em 1838 quando o sistema de aprendizagem foi abolido e a verdadeira liberdade finalmente aconteceu, levou milhares de ex-escravos a tomar as ruas cantando o seu refrão:

Lick and lock-up done wid,
Hurrah for Jin-Jin!
Lick and lock-up done wid,
Hurrah for Jin-Jin!

God bless de Queen fuh set we free
Hurrah for Jin-Jin!
Now lick and lock-up done wid,
Hurrah for Jin-Jin!

Surra e prisão chegam ao fim
Viva Jin-Jin!
Surra e prisão chegam ao fim,
Viva Jin-Jin!
Deus abençõe a Rainha por nos dar liberdade
Viva Jin-Jin!
Agora surra e prisão chegam ao fim,
Viva Jin-Jin!

“Jin-Jin” é uma referência à Rainha Vitória (do Reino Unido), e a letra dessa canção está gravada ao lado da estátua da emancipação em honra a Bussa [en] – escravo que liderou o mais longo protesto contra os fazendeiros nos Barbados e que morreu como herói em campo de batalha.

Dennis Jones [en], outro blogueiro dos Barbados, descreve o turbilhão de atividades em Bridgetown em antecipação ao evento:

The Esplanade was already set up and decked ready for celebrations later in the day. Amongst those already milling around for these, I saw many Rastas, or at least people with dreadlocks and tied heads; they were equally numbered with people who were dressed in west African style clothes. Each group was outnumbered by vendors at this early stage, as they set up and started cooking: the smell of the fish fritters was really hard to resist…

A Esplanada já estava pronta e enfeitada para comemorações do fim do dia. Entre os que já estavam por perto esperando, vi muitos Rastas, ou pelo menos gente com dreadlocks e cabelo preso; eles estavam equivalentes em números com as pessoas vestidas com roupas estilo do oeste africano. Cada grupo se mostrava inferior em números aos vendedores nesta fase inicial, hora em que eles começavam a se preparar e cozinhar: o cheiro do peixe frito estava realmente difícil de resistir…

Mas ele acrescenta:

I'll be very surprised if I hear many words about emancipation during the day, except during the radio or TV broadcasts related to the day's celebrations, and that strikes me as sad. For most of us there is nothing august about this day–nothing majestic, dignified, or grand. It is very ordinary. Maybe freedom has made us all complacent about what bondage really represented. Many black people only focus on the slave heritage imposed on their ancestors by Europeans and so see it as a white-on-black “crime”, and know little or nothing about the long history of slavery…

So, while we can loll around complacently with the freedom that we now have, we ought to get sight of its absence in many, many places. Remember that slavery is an international injustice, that has racial and ethnic aspects far removed from black-white relations.

Eu vou ficar muito surpreso se ouvir falar muito sobre a emancipação durante o dia, exceto nas trasmissões relacionadas às comemorações no rádio ou televisão, o que me parece triste. Para a maioria de nós não existe nada nesse dia de agosto, nada majestoso, digno ou grande. É muito simples. Talvez a liberdade tenha nos tornado complacentes quanto o que a escravidão representou de verdade. Muitas pessoas negras apenas se concentram no patrimônio da escravatura imposta aos seus antepassados pelos europeus, e portanto a vêm como um crime “dos brancos contra negros”, e pouco ou nada sabem sobre a longa história da escravidão… Portanto, enquanto nós podemos relaxar complacentemente com a liberdade que agora temos, deveríamos observar a sua ausência, em muitos, muitos lugares. Lembre-se que a escravatura é uma injustiça internacional, que tem aspectos raciais e étnicos longe das relações preto-branco.

Enquanto isso, o blogue Discover TnT [en] publica uma lista de eventos organizados para celebrar o Dia da Independência em Trinidad e Tobago e Abeni [en] de São Vicente e Granadinas cita Bob Marley [en] e Maya Angelou [en] para esclarecer porque ele pensa que a ocasião ainda merece comemorações.

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