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Brasil: Projeto polêmico de Angra 3 recebe sinal verde

A retomada da construção do polêmico reator Angra 3 dentro do programa nuclear brasileiro recebeu uma licença ambiental prévia concedida pelo Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (IBAMA) no último 23 de julho, não antes que o Ministro do Meio Ambiente Carlos Minc impusesse uma série de termos ambientais – um total de 60 exigências que vão desde soluções permanentes para tratamento do lixo nuclear, monitoração dos níveis de radiação até investimentos em iniciativas educacionais e proteção ambiental. Se as condições determinadas na licença ambiental prévia assinada entre o Ibama e Eletronuclear forem cumpridas, os trabalhos podem recomeçar ainda em setembro deste ano.

Crédito: Wilson Dias/ABr

Alguns blogueiros ficaram perplexos com a decisão, considerando que o Ministro Carlos Minc, ex-membro e fundador do Partido Verde Brasileiro que se tornou Ministro do Meio Ambiente no mês de maio passado depois do pedido de demissão de Marina Silva, é bem conhecido devido à sua luta contra a energia nuclear. Ele disse estar cumprindo uma agenda determinada antes de sua entrada no Ministério, e ao que tudo indica, Minc e o Presidente Lula, que já falou abertamente de seu comprometimento com a energia nuclear, não entram em acordo sobre o assunto. Nem sempre foi assim, como mostra Jorge Henrique Cordeiro ao publicar uma foto da dupla em 1989, durante um protesto contra a construção no mesmo reator Angra 3. O blogueiro acredita que o País deveria investir primeiro no rico potencial para energia renovável que tem:

Energeticamente o Brasil tem imenso potencial hídrico, solar e eólico a ser explorado. Só os ventos do Nordeste oferecem 75 gigawatts de energia ao país. O que me leva a fazer uma continha básica: levando-se em conta que Angra 3 tem potencial para 1.350 megawatts (1 gigawatt = 1.000 megawatts, só pra constar) e custo estimado de R$ 8 bilhões para ser construída, seriam necessárias 56 usinas iguais à ela, ao incrível preço de R$ 450 bilhões, para gerar esse mesmo total de energia com reatores nucleares. E ainda têm a cara-de-pau de dizer que as fontes renováveis de energia são caras…

Por outro lado, Alon Feuerwerker acredita que a licença prévia é “mais um marco da obsolescência prematura da agenda clássica dos ambientalistas para o Brasil”, mas acha que ainda assim a retomada do projeto representa um passo na direção correta:

De todo modo, a decisão é positiva para o país, desde que o radicalismo ambiental enxertado por Luiz Inácio Lula da Silva na Esplanada dos Ministérios não consiga interromper o andamento da obra, negando-lhe a licença de instalação. Aliás, é só do que se fala em Brasília: que o Ibama teria cedido agora para endurecer depois. Será?

O blogue Projeto Jogo Limpo organizou uma pesquisa para saber o que os leitores pensam do assunto. Outros blogueiros estão republicando a mensagem abaixo, enviada por e-mail pelo Greenpeace Brasil, pedindo que as pessoas reclamem diretamente com o presidente do IBAMA:

Não deixe isso passar em branco! Você pode enviar um SMS (torpedo) e reclamar diretamente com Roberto Messias, presidente do Ibama, através do número: 061 9982-4409. Exerça o seu papel de cidadão, mostre sua indignação e cobre explicações do Governo Lula!

A campanha acima é chamada “O Messias chegou e as notícias não são boas” e os protestos que fazem parte dela já tomaram as ruas de Brasília e do Rio de Janeiro. Ricardo Baitelo, da campanha de energia do Greenpeace, lamenta [pt]:

“Aprovar o projeto de construção de Angra 3 é um retrocesso para o país e uma vergonha para o Ibama. Roberto Messias entra para a história como o homem que assinou a licença de um elefante branco radioativo, e Minc, opositor da energia nuclear, como o ministro que lavou as mãos para o fato”.

Crédito: Wilson Dias/ABr

As fotos que ilustram esse artigo são do protesto contra a construção de Angra 3 organizado pelo Greenpeace do Brasil 23 de julho, no momento em que a licença estava sendo assinada. Elas foram tiradas por um fotógrafo da Agência Brasil e são reproduzidas aqui sob uma licença da Creative Commons.

A construção do terceiro reator que completa o programa de energia nuclear do Brasil começou em 1984 mas foi interrompida há 22 anos por causa dos problemas econômicos do país. A maior parte dos componentes foi comprada em 1995 e está desde então guardada, consumindo 50 milhões de dólares por ano em custos de manutenção. O projeto enfrenta grande criticismo por parte de ambientalistas e do público em geral.

3 comentários

  • […] Brazil: Controversial nuclear project is given green light Brasil: Projeto polêmico de Angra 3 recebe sinal verde Filed under: Brasil   |   Tags: Angra 3, energia nuclear, greenpeace, […]

  • […] bookmarks tagged jogo do pau Brasil: Projeto polêmico de Angra 3 recebe sinal … saved by 5 others     midnightzeroblaze bookmarked on 07/29/08 | […]

  • gilbertow

    Seguinte: o Minc disse que era impossível até para ele impedir o projeto de Angra 3. Dito isso, ele encheu, mas encheu mesmo, de condicionantes a licença ambiental da usina. Uma delas me chamou a atenção que, antes de construir os reatores, Angra 3 já contará com o depósito de seu resíduo nuclear construído e licenciado, senão não há aprovação do projeto. Creio eu que a estratégia já foi dita na matéria: ceder agora pra endurecer depois. O problema é que depois, nehum deles vai estar aqui, então…

    Eu não sou totalmente contra a energia nuclear. Ela deve SIM ser desenvolvida e melhorada, pois o futuro certamente dependerá dela. O que acontece, é que nós, brasileiros, apenas aceitamos a tecnologia que vem de fora e que chega aqui com uma defasagem tremenda. Se nós fossemos os desenvolvedores dela, certamente eu confiaria mais.

    Abraços

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