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Caribe: Obama em Iowa

O surpreendente êxito do senador Barack Obama em Iowa – o primeiro dos caucuses que resultará candidato vitorioso de cada um dos dois principais partidos políticos para concorrer à eleição presidencial norte-americana de 2008 – recebeu a aprovação de muitos blogueiros caribenhos.

obama

Barack Obama, em uma visita a Nova Iorque, em junho de 2007. Foto de kiskeyacity

Posts vão desde cobertura de um endosso de Obama plenamente desenvolvido pelo governador das Ilhas Virgens nos EUA, até questões de perspectivas sobre se a história poderia ser efetivamente revelada perante os nossos olhos. Alguns blogueiros pensam que ele é o candidato ideal para o próximo presidente americano, outros não têm tanta certeza, mas não há dúvida de que o senador por Illinois está dando o que falar na blogosfera caribenha…

O blogueiro nascido no Haiti, kiskeácity, “capturou alguns momentos inspiradores” no Partido Iowa Caucus no centro de Manhattan, tornando o seu post anterior muito mais pertinente.

Mas Further Thoughts se pergunta “quanto do presente é real”:

A month ago, people seemed to be saying that yes, Obama will win in Iowa, but it doesn’t matter all that much.

But then Obama won in Iowa, and the narrative changed. The latest polls suggest that real change is afoot. Obama is surging in New Hampshire and nationally. But how solid is this? Have people made up their minds, or are they just saying what the press tells them they should be thinking?

Há um mês, as pessoas pareciam dizer que sim, que Obama vencerá em Iowa, mas isso não importa muito.

Mas, então, Obama ganhou em Iowa e a narrativa mudou. As últimas sondagens indicam que a mudança real está acontecendo. Obama está surgindo em New Hampshire e nacionalmente. Mas quanto de concreto há nisso? As pessoas têm se decidido, ou estão apenas dizendo o que a imprensa diz o que eles deveriam estar pensando?

Liza Sabater, Porto-riquenha de nascença, de raça mista pela etnia, vê Obama como o exemplo perfeito da “audácia de esperança bi-racial”:

Recognizing how ingrained racism and prejudice is the culture at-large and the psyche within, is the most important first step for any liberal hoping to discuss and understand the audacity of Barack Obama's hope.

Barack Obama comes from a world in which he has not just seen but lived the good and bad of both ends of the color spectrum. There is no need to defend one over the other because he knows how similarly good and similarly bad people can be. He understand social economic catastrophes are not predetermined by a person's race but are wrought by government policies that exploit the politically disenfranchised and the economically weak.

In other words, he understands that race is just one part of the political equation.

 

Reconhecendo como o racismo e o preconceito estão enraizados na cultura em geral e dentro da psique, o mais importante passo inicial para qualquer liberal esperando discutir e compreender a audácia da esperança de Barack Obama.

Barack Obama vem de um mundo em que não somente viu, mas de onde também vivenciou ambos os lados bom e ruim do espectro de cores. Não há necessidade de defender um ao invés do outro, porque ele sabe o quão boas e más as pessoas podem ser ao mesmo tempo. Ele compreende que as catástrofes sociais e econômicas não são predeterminadas por uma pessoa de raça, mas são forjadas por políticas governamentais que exploram a privação dos direitos políticos e o fraco economicamente.

Em outras palavras, ele entende que a raça é apenas uma parte da equação política.

Nesse meio-tempo, Signifyin’ Guyana coloca a questão:

Do you think he will win the whole thing? Why? Why not? Does he need black voters to carry him through?

Você acha que ele vai ganhar a coisa toda? Por quê? Por que não? Será que ele precisa eleitores negros para ajudá-lo?

Os blogs de Trinidad e Tobago, Club Soda and Salt não estão convencidos:

“They said this country was too divided, too disillusioned to ever come together around a common purpose,” Mr. Obama said.

Well, this “common purpose” sounds nice, but what is it? I honestly have no idea, and I feel like the Obama campaign hasn’t really ever defined it. This nicely captures the “something missing” that is part of why I can’t actively back Obama over the other Dems.

I’m fine with him getting the nomination, and I’d love to see him be president, but this is part of why the Obama campaign has let me down a little.

“Disseram que este país era muito dividido, muito desiludido para se unir em torno de um objetivo comum”, disse o Sr. Obama.

Pois bem, este “objetivo comum” soa bonito, mas o que é isso? Sinceramente não tenho idéia, e eu sinto que a campanha de Obama nunca definiu isso. Esta idéia capta agradavelmente o “algo que está faltando”, que faz parte da razão pela qual não posso apoiar Obama em relação a o outro Democratas.

Sinto-me bem com ele recebendo a nomeação, e gostaria de vê-lo ser presidente, mas isso faz parte da razão pela qual a campanha de Obama tem me decepcionado um pouco.

Em contraste, o blogueiro Jeremy Taylor marca um ponto para Obama:

If it gives America the sense that this guy might actually be electable, then Iowa will have done the world a service. The president of the US is pretty much the president of the world, so America's choice next November is of more than passing interest to the planet.

…The rest of the world desperately needs an American president with some common sense. Someone who can stop this lunatic war in Iraq and fight “terrorism” without creating ten new terrorists for each one taken down. Someone who wouldn't rush to applaud Mwai Kabaki for winning a rigged election in Kenya. Someone who is not afraid of the Israelis and thus can lean on them and produce a settlement in Palestine. Someone who will dismantle the crazy 45-year confrontation with Cuba. Someone who doesn't wear cowboy hats.

Se ele dá a América a sensação que este cara poderia realmente ser elegível, Iowa, em seguida, terá feito um favor ao mundo. O presidente dos EUA é basicamente o presidente do mundo, então a escolha dos norte-americanos no próximo mês de novembro significa mais do que transmitir o interesse para o planeta.

… O resto do mundo necessita desesperadamente de um presidente americano com algum senso comum. Alguém que possa interromper este lunático da guerra no Iraque e a luta contra o “terrorismo” sem criar dez novos terroristas para cada um eliminado. Alguém que não tenha pressa em aplaudir Mwai Kabaki por ganhar uma eleição fraudulenta no Quênia. Alguém que não tenha medo dos israelitas e, assim, possa desviar-se deles e produzir um solução para a Palestina. Alguém que desmantele a loucura de 45 anos de confronto com Cuba. Alguém que não use chapéus de cowboy.

Para Seldo.com, trata-se de uma simples questão de carácter tecnológico:

Obama is the candidate who understands that the Internet is not just a technology, not just a new industry, but a fundamental change to the nature of public discourse, and like any other form of free speech, it needs to be encouraged and protected from vested interests who would seek to control it to their own ends.

Obama é o candidato que entende que a Internet não é apenas uma tecnologia, e não apenas uma nova indústria, mas uma mudança fundamental para a natureza do discurso público, bem como qualquer outra forma de liberdade de expressão, e que precisa de ser incentivada e protegida da investida de interesses que tenta controlá-la para seus próprios fins.

Com links para o blog de Obama em The Daily Kos, Liza Sabater escreve:

This may be, by the way, the post that alienated the Obama campaign from not just the netroots crowd but the whole progressive blogosphere.

Obama is not out to get the enemy. He is out to build bridges, heal old wounds. Barack's campaign is all about bringing all peoples into the democratic process by putting politics back on the kitchen table by calling it Hope.

No matter the race or ethnicity.

No matter the religion or political ideology.

Este pode ser, aliás, o post que alienou a campanha de Obama não apenas da multidão de usuários da Internet, como também toda a blogosfera progressista.

Obama não está fora de receber o inimigo. Ele está fora de construir pontes, cicatrizar velhas feridas. A campanha de Barack trata-se de trazer todos para o processo democrático, colocando a política de volta à cozinha da mesa ao chamar pela Esperança.

Não importa a raça ou etnia.

Não importa a religião ou ideologia política.

Jeremy Taylor ecos seu sentimento… uma espécie de:

Obama? He sounds as if he's so wonderful that he'll be all things to all men and all women. You look at him and wonder, can he really make it? If he does, could he sustain it? In Washington, would he be a pushover, would he get fat and pompous, would he be allowed to implement any liberal ideas? How long would it take the wolves to tear him to bits?

But if you want change, Obama — so far — seems the one who's up for it. The best of a dubious lot.

Obama? Ele soa como se ele fosse tão maravilhoso, que ele vai ser tudo para todos os homens e todas as mulheres. Você olha para ele e pergunta, ele pode realmente fazer? Se ele o fizer, ele pode sustentar? Em Washington, ele seria um pushover, ele receberia a gordura e a pompa, ele seria autorizado a aplicar quaisquer idéias liberais? Quanto tempo levaria para que os lobos comessem seus pedaços?

Mas se você quiser mudar, Obama – até agora – parece ser o único que pode fazer isso. O melhor de um monte duvidoso.

Matéria de Janine Mendes-Franco.

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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