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Peru: Cinencuentro cobre o cinema Peruano

 

Cinencuentro [es] foi um dos primeiros blogues dedicado ao cinema do Peru. Juan Arellano entrevistou dois dos membros do blogue, Lucho Ramos e Laslo Rojas, para um artigo no site BlogsPerú. Este é um trecho da entrevista, para ler o artigo inteiro em espanhol, visite o link original [es].

Juan Arellano: Fale um pouco sobre vocês

Lucho Ramos: Embora eu tenha estudado Engenharia Eletrônica, sempre fui interessado em comunicação audiovisual. Sou de Cusco, mas trabalho em Lima há mais de 10 anos e atualmente sou parte da TV Cultura, uma ONG onde me sinto em casa. Durante esse tempo, desenvolvi uma paixão pelo cinema, o que me levou a fazer parte do Cinencuentro. Comecei a blogar por culpa de Laslo :), deve ter sido em 2004, quando eu primeiro ouvi falar de blogues (La Petite Claudine foi um dos primeiros blogs que li), mas eu não percebia o que era um blogue, embora para a minha defesa devo dizer que já me conectava à internet por volta de 1995, inclusive fazendo parte de uma lista de e-mails sobre computadores, a Amiga, e mais tarde da lista Tolkien Peru. Posso comunico em inglês e quechua. Sou casado com Mary e tenho um filho, Joca, de 11 anos. Ales também têm blogues, sou muito feliz. Meus outros hobbies são música, ler, viajar e trabalhar sob pressão.

Laslo Rojas: Tenho 27 anos. Sou formado em Engenharia de Informática. Eu descobri os blogues em meados de 2002, quando eu visitei algumas páginas peruanas no LiveJournal. Eu descobri o Cinencuentro mais tarde, primeiro durante a sua fase inicial e depois online. Neste grupo, fiz grandes amigos que ajudaram no meu desenvolvimento pessoal e profissional. Graças a Lucho, entrei na TV Cultura. Pouco a pouco, fui me aproximando de seus novos projetos e iniciativas, e sobretudo entrando num ambiente de trabalho de fazer inveja. Vi o Enlace Nacional no seu começo, especialmente seus aspectos técnicos, e mais tarde entrei para a equipe do NAPA. Como se pode dizer num momento desses, “a minha vida mudou”. Tento dividir a semana entre trabalho com um filme no cinema ou em DVD, ler um bom livro, ouvir mp3 no meu celular para aquelas viagens ao “73”, assistir o último episódio de Lost, 24 ou Heróis ou, no melhor dos casos, um bate-papo com os amigos.

Juan: E como o Cinencuentro começou?

Lucho: No início de 2003, nos reunimos pela primeira vez após passar um longo tempo trocando mensagens na lista de discussão sobre filme lista do RCP, e nos tornamos um grupo de sete amigos que vão ao cinema mais do que uma vez por semana e passamos várias horas conversando sobre filmes.

Laslo: Dessas reuniões, o grupo Cinencuentro foi formado e meses mais tarde foi criado um blog no Blogger, para encontrar uma forma de publicarmos e compartilharmos conosco mesmos pequenas resenhas sobre novos filmes. Meses depois, chegou o 9º Festival de Cinema de Lima, e com essa desculpa, decidimos colocar todos os filmes que queríamos ver no blog. Em seguida, quisemos mais e decidimos acrescentar novidades, conduzir entrevistas, compartilhar trilhas sonoras, cobrir estréias, distribuir informações sobre clubes de filmes, e destacar tudo o que está direta ou indiretamente relacionado a filmes.

Juan: Como o trabalho é dividido na equipe?

Laslo: De uma forma móvel, o trabalho diário era conduzido por Antolín Prieto até poucas semanas atrás, e agora Jorge Esponda e Miguel Piscoya estão à frente da criação do conteúdo disponível no Cinencuentro. Eu também ajudo com edição, publicação de conteúdos, administração geral, moderação de comentários, atualização de conteúdos e publicidade estática. Lucho também está encarregado da administração geral e, acima de tudo, de trazer novas idéias para o conteúdo. Anto está encarregado de rever a edição diária e sugerir novos conteúdos. Esta é a equipe principal.

Lucho: Nada funcionaria sem a ajuda de todos os membros do Cinencuentro, e as contribuições variam de acordo com o tempo livre de cada um. Atualmente, a maioria dos colaboradores ativos são Gabriel Quispe, Juan Jose Beteta, e Blanca Vásquez (da Espanha) fazendo crítica de filmes. Mary Panta está envolvida com a produção geral e Rolando Jurado e cuida das fotos. Na verdade, é durante eventos importantes, tais como festivais, que a produção aumenta. Por exemplo, no início deste ano, Rodrigo Portales, Luis Carlos Burneo e Juan Daniel Fernández foram cobrir o Festival Internacional de Cinema Independente de Buenos Aires. Ao todo, eu diria que há cerca de 15 pessoas que contribuem com conteúdo de uma forma regular e mais 15 que o fazem esporadicamente.

Juan: O que mudou entre o Cinencuentro original e a versão atual?

Laslo: Muita coisa, da capacidade de publicar blogues ao número de colaboradores do blogue (mais de 30), passando pelos interesses principais se refletem no blogue. Por exemplo, começamos a nos concentrar na crítica de filmes e, em seguida, o conteúdo deslocou-se para os filmes mais populares e comentados, agora estamos enfatizando o cinema, que gostaríamos de ver, o que infelizmente não chegar aos nossos cinemas, não apenas no Peru, mas de toda a América Latina.

Juan: O que vocês acham do cinema peruano?

Laslo: O cinema, da forma como vemos agora, está maduro para uma espécie de ressurreição, na capital e acima de tudo em outras cidades de todo o país. Vejo o nosso cinema com um tanto de curiosidade, com interesse e, em alguns casos, com uma certa subjetividade, como quando você assiste o trabalho de pessoas que você pode conhecer, de uma forma ou a outra. Na verdade, eu não sei tudo sobre a realidade do cinema em décadas passadas, mas pode-se ver agora um boom relativo, com o surgimento de muitos novos diretores. Em todo o caso, espero que este seja o momento de consolidar o cinema peruano.

Lucho: Como Laslo disse, esta é uma época fascinante para o cinema peruano, porque acho que finalmente existe um bom número de diretores, especialmente jovens, com o desejo de renovar e mudar. Nossa esperança é de que esses diretores continuem a correr riscos e conte suas suas estórias sem desculpas. É interessante notar que muitos destes diretores também são amantes do cinema, graças em grande parte à disponibilidade de material pirateado. Por outro lado, é preciso levar em consideração que no Cinencuentro existem muitos diretores, mais da metade de nós tem projetos encaminhados ou de em mente. Isso nos faz ter mão cheia, somos dedicados ao cinema porque somos parte da arte. Para equilibrar as coisas, é preciso dizer também que tem muito filme peruano ruim.

Juan: Há muitos blogus e pessoas escrevendo sobre cinema. Como vocês vêem esses blogues, são de boa qualidade? Existem aqueles que devam ser destacados?

Lucho: Acho que estamos vendo a fase inicial do fenômeno, uma vez que há definitivamente uma boa quantidade de blogues dedicados ao cinema, alguns são mantidos por uma pessoa só (La tetona de Fellini) e outros são esforços coletivos (Los Cinerastas, La Cinefilia não es patriota, El buen cine) dentre outros.Alguns deles são mantidos por críticos bem-estabelecidos no ramo (Páginas del Diario de Satán, La soga), não incluindo os blogues de empresas cinematográficas, casas de produção, sindicatos, clubes do cinema, etc. Acho que os mais interessantes são os blogues mantidos por pessoas sem experiência em jornalismo ou crítica. Eles tendem a melhorar a qualidade das opiniões e servem como terreno para a prática de futuros críticos ou diretores. Por outro lado, os críticos estabelecidos estão começando a usar ferramentas de blogue, a fim de publicar seus artigos em seções de revistas online ou jornais. Acho que estamos formando uma comunidade de apaixonados por cinema que deve servir – entre outras coisas – para promover uma agenda comum (elevar o nível dos filmes nos cinemas, queixar-se da falta de atitude do governo, de ter uma presença na mídia tradicional, cobertura de festivais, mas, ao mesmo tempo, manter a independência e uma concorrência sadia.

(Artigo original de Juan Arellano)

 

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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