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Guatemala: as limitações da mídia

Na Guatemala, diz-se que a cobertura do que acontece fora da capital não é tão importante para os jornais nacionais e, por causa disso, muitas histórias não chegam a suas páginas. A despeito de sua circulação nacional, alguns jornais optam por devotar mais cobertura a outros países da região. O blogueiro Charakotel [es] faz uma análise detalhada da mídia, criticando fortemente a mídia e sua cobertura das áreas rurais:

La importancia de lo que sucede en la provincia es tal para Prensa Libre que en una misma página (la 25), arrincona acontecimientos intracendentes de cuatro distintos departamentos. Llama poderosamente la atención los contrastes que se dan al presentar las noticias departamentales de Guatemala (el diario Prensa Libre es de circulación nacional en Guatemala) y las páginas enteras a las noticias de Venezuela, a la que le dedican además el editorial del día; Bolivia y Ecuador.

A importância do que está ocorrendo nas áreas rurais para o Prensa Libre (jornal da capital) é tanta, que, numa mesma página (p.25), ele compila todos os eventos não tão relevantes de quatro departamentos diferentes. É importante notar o contraste entre as notícias das áreas rurais (o Prensa Libre circula por todo o país) e as muitas páginas devotadas à cobertura da Venezuela, que incluem até mesmo o editorial de hoje; além disso, mais cobertura é dada para a Bolívia e o Equador.

A Venezuela ocupa um lugar especial na mídia guatemalteca e, infelizmente, é tida como mais relevante que as coisas que acontecem nas áreas rurais. Das manchetes de um jornal de hoje, derivou uma postagem de Guate360 [es] intitulada “A cabeça de Chávez tem um preço na Guatemala“:

No sabremos exactamente los detalles del plan de complot que ha llegado a las manos del gobierno de Hugo Chavez, lo que agrega incertidumbre de la visita a Guatemala en Enero próximo. ¿Un complot donde el gobierno de Estados Unidos estaría implicado? Me recuerda mucho al documental de War on Democracy.

Não saberemos precisamente os detalhes do complô que chegou às mãos do governo Hugo Chávez, e agora a visita dele à Guatemala em janeiro próximo é incerta. Seria esse um plano no qual o governo dos EUA poderia estar envolvido? Isso me traz à mente o documentário War on Democracy.

Mas não é só a falta de notícias e informações sobre as áreas rurais ou a ênfase extra na Venezuela que preocupa alguns blogueiros, e sim os espaços reduzidos para espalhar idéias, em que é preciso procurar por espaços alternativos. Agora que muitos sites de jornais permitem comentários dos leitores, há algumas críticas quanto ao modo como estes são utilizados. Mario Cordero, do Diario Paranoico [es], em sua postagem Liberdade de Expressão? [es], conta como o diretor de um dos jornais mais importantes do país argumentou contra o comentário deixado por Mario, quando este disse que não concordava com sua opinião sobre “o melhor livro do ano”. A reação do diretor foi desqualificá-lo:

…En el blog “abierto” de El Periódico, envié de nuevo mi comentario a lo expresado por el señor Font, pues no me pareció justa su calificación hacia mí diciendo que, como opino distinto a él, yo ni siquiera “había leído la novela”. Lamentablemente, los censores de elPeriódico ni siquiera dejaron pasar ese comentario. En Guatemala, casi nunca nos animamos a opinar, mucho menos cuando queremos contrariar una opinión de una persona “respetable”….

No blog “aberto” do El Periodico, eu comentei sobre a opinião do senhor Font, porque não me pareceu justo seu argumento de que, como penso diferente dele, eu nem sequer “havia lido o livro”. Infelizmente, os censores do jornal nem mesmo publicaram meu comentário. Na Guatemala, quase nunca ousamos expressar nossas opiniões, especialmente quando elas são contrárias ao ponto de vista de alguém “respeitável”.

O relacionamento entre essas pessoas “respeitáveis” e indivíduos do governo também atrai críticas dos blogueiros. Alguns acreditam que os políticos recebem atenção especial por parte da grande mídia. O blogueiro Quicheleño [es] também acrescentou:

Recientemente, Prensa Libre criticó al presidente electo Alvaro Colom por haber tenido la temeridad de decir que iba a gobernar para los pobres. Ni siquiera ha llegado Colom al poder y ya le están haciendo la vida imposible. El editorial en cuestión no habría sido motivo de crítica si no fuera porque cuando en marzo del 2004 Berger dijo que el suyo era un “gobierno de empresarios” Prensa Libre no dijo nada.

Recentemente, o Prensa Libre criticou o presidente recém-eleito Alvaro Colom por ousar declarar que governaria para os pobres. Ele nem mesmo havia assumido, e a imprensa já estava dificultando sua vida. O editorial não seria motivo de crítica, se não fosse pelo fato de o Prensa Libre não ter dito nada em março de 2004, quando o presidente Berger afirmou que seu governo era um “governo de empresários”.

Além do mais, Cordero acrescenta:

Lo verdaderamente molesto es que se creen defensores de la libertad de expresión, siempre y cuando esa expresión no vaya en contra de sus propias opiniones.

O que mais me incomoda é que eles se dizem os defensores da liberdade de expressão, mas somente quando essa expressão não vai de encontro às suas próprias opiniões.

Os blogueiros ficam aliviados em saber que há outras maneiras de espalhar notícias e informações.

Matéria de Renata Avila.

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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