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Burkina Faso produtor de biocombustível em breve

No mês passado, o Ministério da Agricultura, Recursos Hídricos e Recursos Marinhos e a empresa francesa AgroEd assinaram uma estrutura de acordo para o desenvolvimento de uma indústria de biocombustíveis em Burkina Faso. Todo este processo acontecerá em Burkina, a partir do cultivo de plantas (algodão, Jatropha, etc.) para a produção de combustível.

Esta idéia foi recebida com entusiasmo por mais de uma pessoa. Especialistas em biocombustível acreditam que a “África tem uma verdadeira oportunidade de entrar nessa indústria que é rentável, especialmente agora com o preço do petróleo aumentando a cada dia”, [FR] escreve o jornalista Alban Kini.

No entanto, muitos cidadãos na Internet manifestaram ceticismo sobre se Burkina Faso pode se tornar um produtor de biocombustíveis competitivo, e se as pessoas comuns, em especial os agricultores, serão beneficiados.
Apesar de Burkina ser rico em matérias-primas como manga, algodão e mandioca, e já ter produzido etanol, o país tem infra-estrutura limitada à sua disposição. Nesse sentido, quando escrevi sobre biocombustíveis [FR] no meu blog no início deste mês, um leitor foi cético em relação às perspectivas do projeto:

Les coûts de production feront que ce carburant serait hors de porté des Burkinabè. Je vie en France actuellement et ici le biocarburant est juste produit par certains agriculteurs disposant de matériels assez mécanisés pour le labour, l'irrigation et les récoltes. Notons qu'ici les fermiers repensent 3% de la pop, ils sont les riches, aussi ils sont subventionnés à l'hectare. Je trouve que souvent il faut bien réfléchir pour parapher certains accords. Si les Burkinabè n'ont pas les moyens pour payer ce carburant parce que trop chers, on ira le vendre ailleurs!!!!

Os custos de produção desse combustível estarão fora das possibilidades financeiras da população de Burkina. Estou vivendo atualmente na França, e aqui os biocombustíveis são produzidos por apenas alguns agricultores, que contam com máquinas para o trabalho de irrigação e colheita. Note-se que aqui os agricultores representam 3% da população, eles são os ricos, e eles também são subsidiados pelo hectare. Penso que se deve realmente pensar antes de assinar alguns acordos. Se o cidadão de Burkina não têm os meios para pagar esses biocombustíveis porque são muito caros, eles irão vendê-los em outro lugar!!

Para além desse receio do biocombustível que estão sendo vendidos no estrangeiro, muitos manifestaram preocupação com a degradação das terras de cultivo.
Outro leitor escreveu:

Pendant qu’on est en train de voir comment subventionner les pays qui gardent intact la nature, chez nous, on signe des protocoles visant a endommager cette dernière . Et le comble, c’est qu’à 100% cela ne profitera qu’a une certaine couche…

Mesmo que estejamos atentos para o modo de dar assistência aos países que protegem a natureza, aqui em casa, assinamos protocolos que visam prejudicá-la. E, para concluir, é 100% certo de que isso beneficiará apenas um determinado estrato…

Um leitor acredita nos investimentos na produção do biocombustível em Burkina Faso, ao mesmo tempo em que ainda há muitos problemas relacionados ao cultivo e à venda de algodão. Ele também questiona a lógica subjacente a esta iniciativa:

Nous sommes (ou étions) gros producteur de coton, et d'or. On a gagné quoi? Que gagnent les pays africains producteurs de pétrole, d'uranium, etc. ? Comme d'habitude et comme de par le passé, seuls les dirigeants au sommet de l'Etat et leurs parrains d'Occident, les impérialistes et leurs suppôts donc, vont se sucrer sur le dos de tous.

Somos (ou fomos) grandes produtores de algodão e ouro. O que é que ganhamos com isso? O que os países africanos que produzem petróleo, urânio, etc. ganham? Como sempre e como era no passado, só os líderes no topo e os seus fregueses ocidentais, os imperialistas e seus cúmplices, se beneficiarão às custas de todos nós.

A fim de mobilizar o apoio público, reuniões foram realizadas em Ouagadougou. A mais importante foi a única organizada entre 27 e 29 de novembro com o tema, “questões e perspectivas sobre biocombustíveis para a África.”
O encontro reuniu 370 pessoas de 35 países, bem como as empresas multinacionais como a Total France, os seus centros de pesquisa, e com o Centre de coopération internationale en recherche agronomique pour le développement (CIRAD), em Ouagadougou. Apenas os agricultores, aqueles que produzem as matérias-primas para os biocombustíveis, estavam ausentes.

Esses agricultores estão excluídos das reuniões, quando na verdade são os únicos que terão de se adaptar a essas novas condições e técnicas de produção. Como Padre Lacour escreve:

“learning by doing” (apprendre en faisant) tout en espérant que les risques pour les paysans ne dépassent par trop le bénéfice escompté.

“Aprender fazendo”, esperando que os riscos para os agricultores, não ultrapassem os benefícios esperados.

Matéria de Ramata Sore.

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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