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Líbano: Quem matou François Hajj e por quê?

O Líbano captura as manchetes internacionais novamente [todas en], com mais um assassinato. Quem está culpando quem e o que os blogueiros da região têm a dizer.

O chefe de operações das Forças Armadas libanesas, general François Hajj, cotado para ser o próximo comandante das Forças Armadas do país, foi morto em um atentado a bomba. De acordo com o noticiário [en], “foi a primeira vez que o Exército libanês, visto como a única força capaz de manter o país unido, foi alvo de ataques, o que pode representar a pior crise desde a guerra civil.” O assassinato de Hajj também paralisa o processo de seleção do próximo presidente do Líbano. O católico maronita de 55 anos era um candidato em potencial para suceder o comandante das Forças Armadas Michel Suleiman, que poderia ser apontado como presidente.

Os jornalistas-cidadãos da região apressaram-se em apontar culpados – de Israel e os EUA aos suspeitos de sempre: inimigos políticos, a Síria, o Irã, o Hezbollah e a Al Qaeda.

Asassinando a salvação:

Blacksmith Jade [en] expressa seu choque e é claro quanto a quem ele pensa estar por trás da carnificina. Escreve ele:

It’s not easy to quantify the sense of shock, desperation, and fear that this most recent ‘hit’ [on Lebanese Army Brigadier General Francois el Hajj] by the Syrian killing machine has rendered on the country.

Indeed, for a country now all too used to the roving bands of assassins striking at its politicians [while other politicians quickly move to exploit their murder], this latest assassination has struck a particular chord. Echoing off the Army’s recent victory against a malicious terrorist cell in Nahr el Bared, and striking at the one institution in which most Lebanese had placed their faith for their salvation. A salvation they had pursued so far as to propose the amendment of the constitution, in order to bring to the nation’s head the man at the head of that [perceived] salvation.

This latest assassination is what it always is: Syria’s use of death, terror, and destruction to try and keep the Lebanese “in line”.

Não é fácil quantificar os sentimentos de choque, desespero e medo que este mais recente ‘ataque’ [ao brigadeiro do Exército libanês, general Francois el Hajj] pela máquina de matar síria trouxe ao país.

De fato, para um país agora por demais acostumado a bandos em trânsito de assassinos atacando seus políticos [enquanto outros políticos se articulam rapidamente para explorar as mortes], este último assassinato fez vibrar uma corda em particular, ecoando a vitória recente do Exército sobre uma célula terrorista maliciosa em Nahr el Bared e atacando a única instituição sobre a qual a maioria dos libaneses havia depositado sua fé na própria salvação. Uma salvação que eles haviam perseguido a ponto de propor uma emenda na constituição, de modo a levar ao comando da nação o homem no comando dessa [visualizada] salvação.

Este último assassinato é o que sempre é: o uso pela Síria de morte, terror e destruição para tentar manter os libaneses “na linha”.


Dominação completa e brutal:

Em linhas semelhantes e mais detalhadamente – incluindo como as relações inter-arábicas entram no jogo -, Tony Bey explica os motivos por trás do assassinato aqui [en].

The bottom line is that Syria's only conception of its relationship to Lebanon is complete brutal domination, where Syria decides every single minutae of Lebanese life, including who gets to be president, prime minister, speaker, Army Commander, security officials, election law, cabinet make-up, cabinet portfolios, cabinet policy statement, etc. This is precisely the threat Bashar relayed to Rafik Hariri in their last meeting before he ordered his killing: I alone decide who Lebanon's president is, and if you disagree, I will break Lebanon over your heads.

This is the framework within which the assassination has to be placed, along with another parallel, inter-Arab framework..

O que importa é que o único modo como a Síria concebe seu relacionamento com o Líbano é por meio de uma dominação completa e brutal, em que a Síria decide cada minúcia da vida libanesa, incluindo quem serão o presidente, o primeiro ministro, o porta-voz, o comandante das Forças Armadas, os oficiais de segurança, e ainda como serão a legislação eleitoral, a composição do gabinete presidencial, os documentos do gabinete, a política do gabinete etc. Essa foi precisamente a ameaça feita por Bashar a Rafik Hariri na última reunião que tiveram, antes de Bashar ordenar o assassinato de Hariri: Somente eu decido quem será o presidente do Líbano e, se vocês discordarem, quebrarei o Líbano sobre suas cabeças.

Essa é a moldura dentro da qual o assassinato deve ser colocado, juntamente com outro paralelo, o da moldura das relações inter-arábicas…

Três teorias e meia sobre quem matou Hajj:

Mustapha, do Beirut Spring [en], divide conosco suas três teorias e meia sobre quem poderiam ser os assassinos. Eles variam entre a Síria, Israel, os Estados Unidos, a Al Qaeda e os fundamentalistas islâmicos. O meio-“suspeito” final é o ex-presidente Fouad Siniora [en], que recebe uma menção-honrosa:

Honorary mention, Theory 3.5: The Evil Saniora

Who killed him: Fouad Seniora’s negligence
Why he did it: To undermine the Christians and monopolize power.
Why it’s plausible: It’s always Seniora’s fault
Who believes this theory: Michel Aoun
Why the theory could be in doubt: …

Menção-honrosa das três teorias e meia: o maléfico Seniora

Quem o matou [François Hajj]: A negligência de Fouad Seniora
Por que ele o fez: Para minar os cristãos e monopolizar o poder.
Por que é plausível: Sempre é culpa do Seniora Quem acredita nesta teoria: Michel Aoun
Por que essa teoria pode ser posta em dúvida: …

Os leitores adicionam mais alguns “suspeitos” na seção de comentários.

A política libanesa-palestina é a culpada?

O comentarista libanês do Angry Arab [en], Assad Abu Khalil, contribui para o debate. Ele culpa a política libanesa-palestina pelo incidente.

Who killed Francois Al-Hajj, chief-of-operations for the Lebanese Army? Nobody knows of course. He certainly was not close to the Hariri camp; and there is the widely circulated reference to an article in As-Siyasah (from January 26th, 2007) in which he was identified as an enemy of March 14. Personally, I think the explanation may be found not in Lebanese politics, but in Lebanese-Palestinian politics. I had predicted when the Lebanese Army (supported by March 8th and March 14th–government and opposition alike) was destroying the Nahr Al-Barid camp that the horrors would produce a new vengeful organization, just as Black September was born out of the Jordanian massacres of Palestinians. Al-Hajj had a key role in the Lebanese Army operations in Nahr Al-Barid.

Quem matou Francois Al-Hajj, chefe de operações do Exército libanês? Ninguém sabe ao certo. Ele certamente não era próximo do campo de Hariri e há a conhecida alusão a um artigo no As-Siyasah (de 26 de janeiro de 2007) em que ele foi identificado como inimigo do 14 de Março. Pessoalmente, eu acho que a explicação pode não estar na política libanesa, mas na política libanesa-palestina. Eu havia previsto que o terror da destruição do campo de Nahr Al-Barid pelo Exército libanês (apoiado pelo 8 de Março e pelo 14 de Março – governo e oposição) iria produzir uma nova organização vingativa, assim como o Setembro Negro nasceu do massacre de palestinos por jordanianos. Al-Hajj desempenhava um papel central no Exército libanês durante as operações em Nahr Al-Barid.

Bombas abrem caminho para mais bombas:

O egípcio D B Shobrawy [en] cutuca o assunto por um aspecto diferente. Ele explica:

People have trouble understanding the fragility of the Middle East sometimes. Lebanon especially is a country whose political structure demands chaos. The constitution requires a Maronite Christian president, a Sunni prime minister and a Shi’a speaker. Positions along religious lines go straight down to the military as well. The most powerful position in the country is represented by a small minority and I dont have to tell you how sensitive religious identities are in this region…Now consider that the different groups in this country have a very difficult time getting along and EVERYONE has guns in their home. A friend of mine has a couple AK-47’s, a M-16, some other assorted machine guns, 3 Desert Eagle’s and 2 rocket launchers…and his family are a bunch of well off bankers and business owners.
All we can do now is sit and wait to see what happens next. Bombs have a way of giving way to other bombs, hopefully this bomb doesnt give birth to more.

As pessoas têm dificuldade para entender a fragilidade do Oriente Médio às vezes. O Líbano em especial é um país cuja estrutura política demanda o caos. A constituição requer um presidente cristão maronita, um primeiro-ministro sunita, e um porta-voz xiita. Os cargos no Exército também são divididos com base na religião. O cargo mais poderoso do país é representado por uma minoria, e eu não preciso lembrá-los o quão sensíveis as identidades religiosas são nesta região… Considere agora que os diferentes grupos neste país têm dificuldades para se entender e TODO MUNDO tem armas em casa. Um amigo meu tem alguns AK-47, um M-16, várias metralhadoras, três Desert Eagles e dois lançadores de foguete… e a família dele é formada por um bando de banqueiros bem de vida e donos de negócios. Tudo o que podemos fazer agora é sentar e esperar para ver o que acontece. As bombas têm jeito para abrir caminho para outras bombas, espera-se que esta não gere outras mais.

Material em vídeo:

Finkployd, do Líbano, nos traz material em vídeo da cena do assassinato nesta postagem [en].

Uma idéia simples para os pobres de espírito:

Frustrado com os becos sem saída a que chegam as investigações dos carros-bomba, JoseyWales, do Lebanonesque [en], divide suas idéias para encurralar os culpados:

Asking for special or expanded powers to search for weapons, explosives and political assassins is still not high up on the government’s priority list…
After your now routine car-bomb and routine condemnations, the other very familiar story: people arrested in connection with the exploded car, people claim they sold the car to unknown, people released, end of story and end of investigative track…
It’s getting to be boring by now, in each car-bomb murder the sales chain ends with a guy who sold it to “unknown” for cash.

(H)ow about making it ILLEGAL to sell to “unknown”, like after the 4th or 5th or 6th car-bomb. We are now at number 12 or 14 depending on how you count.
How difficult is it to pass a law that puts the (or some) responsibility of these crimes on the last KNOWN idiot in the chain of sales. You are selling your car? By law, you will need to know the name of the buyer and ID him/her. Make a lapse punishable by 10 years in jail or even by a death sentence for all I care.

Requisitar poderes especiais ou expandidos para procurar armas, explosivos e assassinos políticos ainda não ocupa o topo da lista de prioridades do governo…
Depois do já rotineiro atentado com carro-bomba e das condenações de rotina, outra história familiar: pessoas presas por possuírem conexões com o carro explodido afirmam ter vendido o carro para um desconhecido, são soltas e fim da história, fim da trilha de investigação…
Já está ficando chato que a cada morte por carro bomba a cadeia de vendas termine em um cara que vendeu o carro a um “desconhecido” porque precisava da grana.

Que tal tornar ILEGAL vender a “desconhecidos”, como já deveria ter acontecido depois do 4º ou 5º ou 6º atentado? Já estamos no 12º ou 14º, dependendo de como você conta.
Quão difícil pode ser fazer passar uma lei que coloque o total (ou parte) da responsabilidade por esses crimes no último idiota CONHECIDO na cadeia de vendas? Tá vendendo seu carro? Por lei, você precisará saber o nome do comprador e identificá-lo/la. Cometa um deslize e seja punido com 10 anos de cadeia ou até com a sentença de morte, pouco me importa.

Mais reações podem ser encontradas aqui [en], aqui [en], aqui [en], aqui [en], aqui [en], aqui [en] e aqui [en].

 Matéria de Amira Al Hussaini.

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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