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Rússia: “Nashi” em Moscou

A segunda semana pós-eleições na Rússia começou com uma troca de delicadezas entre o presidente Vladimir Putin e o primeiro ministro Dmitry Medvedev: na segunda-feira, Putin disse que apoiou Medvedev para se tornar presidente e Medvedev disse que ele deu suporte a Putin para se tornar primeiro ministro.

A primeira semana pós-eleições, entretanto, foi marcada pela crescente presença de membros de outros lugares do movimento jovem pró-Putin, chamado Nashi (”Nosso”), em Moscou – e pela primeira aparição pública de poucos membros do Mishki (http://mishki.su/) (”Bear Cubs”), as novas crianças do movimento pró-Putin.

Lyndon do Scraps of Moscow escreveu extensivamente sobre Mishki e o choque que causaram na blogosfera russa e na mídia.
O usuário do Live Journal odalizka escreveu (RUS) sobre seus encontros com um grupo de crianças Nashi em Moscou na semana passada:

As we all know, the young Nashi, dressed in red and white raincoats, with a portrait of [the president] and the words “Our Victory” on them, have flooded all of [Moscow's] downtown, beginning Monday. I thought they'd be taking part in meetings and rallies on large streets and squares; but for the past four days a small group of young people with flags has been hanging out near our office, on a small street in the Chistyye Prudy neighborhood.

The rainy Monday proved especially hard for them – they were hiding in our gateway, which we use as a smoking place and where there's also a “bed for an hour” hotel […]. The young boys and girls evoked extreme pity and a desire to warm them up, wash and feed them. Then it turned out that the office of []'s party was nearby – and yes, this group had been sent here to guard this very office [of Limonov] permanently. To keep [Limonov's guys] from moving forward in one forceful, united front and snitching away our hard-won victory.

[three photos]

As you see [on the photos], they are blocking traffic as they stand on both sides of the road, making something of an arc with their flags above each car that drives by. In general, they act as if they own this city. Victors and occupants. My colleague today tried to drive when the green light was hers – right when a group of young people in raincoats was crossing the street. She honked at them (because it was red light for them), and they surrounded her car and started waving flags around her. She opened the window and said: “Do wipe the car more thoroughly, it happens to be really dirty.” They began to laugh and left her alone. […]

Their eyes are empty. The Tajiks sweeping our backyard look like Sorbonne students in comparison. Their badges say something like, “Yekaterina Sidorova. Vladimir. Ideology.” Some are obviously the leaders – they are dressed in warm red jackets with a portrait of you-know-who. At 5 o'clock sharp, they take off. Needless to say, windows of the cars parked nearby are decorated with Nashi's leaflets, famous all around the [blogosphere] by now, with amazing illustrations and text [more on it in this translation, posted at La Russophobe]. […]

I mean, you get, right? This crowd had to be a) brought to Moscow; b) accommodated; c) dressed in uniforms; d) provided with [leaflets, flags, etc.]; e) fed; f) paid, obviously. Instead, damn it, they should have put them in school classes and educated them – investing this way into the future of our great motherland.

[…] It's unbearable to see for yourself what kind of people the current regime is relying on.

Como todos sabemos, os jovens Nashi, vestidos em capas de chuva em vermelho e branco, com uma imagem [do presidente] e suas palavras “Nossa Vitória” sobre eles, inundou todo o centro da cidade [de Moscou], começando na segunda-feira. Eu pensei que eles estavam participando de encontros e comícios em ruas largas e praças; mas, nos últimos quatro dias, um pequeno grupo de jovens com bandeiras tem circulado perto do nosso escritório, em uma rua pequena nas redondezas de Chistyye Prudy.

A segunda-feira chuvosa foi especialmente difícil para eles – eles estavam se escondendo em nossa entrada, que utilizamos como um lugar para fumar, e que também serve como um hotel “cama para uma hora” […]. Os jovens lamentaram extremamente e evocaram o desejo de se aquecerem, se banharem e se alimentarem. Então, sucedeu que o escritório do partido [de Eduard Limonov] era perto – e, sim, esse grupo foi mandado aqui para guardar este escritório (de Limonov) permanentemente. Para evitar [que os caras do Limonov] se dirigissem em uma frente forçada e unida e roubar nossa vitória duramente conseguida.

[três fotos]

Como você vê [nas fotos], eles estão bloqueando o tráfego, à medida que se colocam em ambos os lados da rua, fazendo algo como um arco com suas bandeiras sobre cada carro que passa. Em geral, eles agem como se a cidade fosse deles. Vencedore e ocupantes. Minha colega hoje tentou dirigir quando a luz verde do semáforo estava pra ela – no momento em que um grupo de jovens usando capas de chuva estava atravessando a rua. Ela buzinou para eles (porque a luz estava vermelha para os pedestres), e eles cercaram o carro dela e começaram a balançar suas bandeiras ao redor dela. Ela abriu a janela e disse: “Esfreguem o carro a fundo, está muito sujo”. Eles começaram a rir e a deixaram sozinha.

Seus olhos estão vazios. Os Tajiks vasculhando nossa varanda parecem estudantes da Sorbonne. Seus distintivos dizem algo como “Yekaterina Sidorova. Vladimir. Ideologia.” Alguns são obviamente os líderes – estão vestidos em jaquetas vermelhas com uma imagem de você-sabem-quem. Às 5 horas em ponto, eles saem. Desnecessário dizer que as janelas dos carros estacionados perto são decorados com panfletos Nashi, famosos ao redor da blogosfera, com ilustrações surpreendentes e texto [mais sobre isso nesta tradução, postada a La Russophobe]. […]
Quero dizer, você entende, certo? Essa turma tinha que ser a) trazida para Moscou; b) acomodada; c) vestida em uniformes; d) receber panfletos, bandeiras, etc.; e) alimentada; f) paga, obviamente. Ao invés disso, droga, eles deveriam ter sido colocados na escola e educados – investindo assim no futuro de nossa terra-mãe.
[…] É inaceitável ver por você mesmo em que tipo de gente o regime atual está confiando.

Matéria de Veronica Khokhlova.

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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