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Venezuela: “Por que não se cala”?

Em questão de horas, a frase da semana se tornou ringtone para celulares, paródias no Youtube e é o mais recente slogan adotado pela oposição venezuelana, que não decidiu ainda um tema para a campanha contra Hugo Chávez. “Por que você não se cala?” foram as palavras do Rei da Espanha, Juan carlos I, quando Chávez interrompia incessantemente o direito à fala do presidente espanhol, José Luis Rodríguez Zapatero durante a reunião de cúpula Ibero-Americana, que ocorreu no Chile na semana passada.

Hugo Chávez se referia ao ex-presidente da Espanha, José María Aznar, como um “fascista” em repetidas ocasiões, e Zapatero pediu o direito à palavra durante o encontro, exigindo respeito ao ex-presidente e às pessoas que nele votaram, mesmo reconhecendo Aznar como um adversário na política espanhola. No meio de sua fala, Chávez insistiu em interrompê-lo, dizendo que ele também pediria respeito a Aznar e então, o Rei interveio por dois segundos para dizer, “por que você não se cala?”. A partir daí, vieram as manchetes de centenas de jornais, radio e televisão na Venezuela, Espanha e no mundo. Este vídeo legendado mostra o incidente.

Nas blogosferas e nas mensagens do Twiter da Ibero-América, o tema continua a ser alvo de comentários de maneiras distintas. O presidente Chávez tem sido caracterizado por sua popularidade e por não ser indiferente com as pessoas…ele também é conhecido por seus longos discursos na rádio e na televisão. O seu programa televisivo de domingo dura sete horas. A frase se tornou um ato de justiça para aqueles que são contra ele. Enigma Express [es] listou uma série de blogs que fizeram chacota do “por que não se cala?” SlaveofthePC [es] dedicou um poema ao episódio:

¿Por qué no te callas y nos dejas en paz?
No te das cuenta que ya no te queremos más
¿Por qué no te callas y aprendes a respetar?
Fuera de Venezuela nadie te va a tolerar
¿Por qué no te callas y acabas con la corrupción?
Rodeado de ladrones has pretendido hacer nación
¿Por qué no te callas y nos devuelves a Venezuela?
Tu discurso de odio ha destruido esta hermosa tierra.

Por que não se cala e nos deixa em paz? Não se dá conta de que já não te queremos mais? Porque não se cala e aprende a respeitar? Fora da Venezuela, ninguém vai tolerar. Por que não se cala e acaba com a corrupção? Rodeado por ladrões, você fingiu formar uma nação. Por que não se cala e nos devolve a Venezuela? Seu discurso de ódio tem destruído nossa linda terra.

Karelia escreve [es]:

“Por fin alguien le dice algo en la cara”: “Chávez no deja hablar a nadie y mucho menos escucha, por eso estamos como estamos. Necesitamos mandarlo a callar en casa, y eso tiene que salir de nosotros como ciudadanos, porque no puede ser que la voz del Estado y del Gobierno (que se ha convertido en una) sea la única que se escuche y que además nos hable gritado […]. Por hoy y porque hizo algo que en muchas ocasiones le ha provocado a millones de venezolanos, ¡que viva el Rey! XD”

Finalmente, alguém disse algo na sua cara”: Chávez não deixa ninguém falar e muito menos escuta, por isso estamos como estamos. Necessitamos mandá-lo se calar em casa, e isso tem que sair de nós como cidadãos, porque não pode ser que a voz do Estado e do Governo (que se transformou em uma) seja a única que se escute e que se dirige a nós pelo grito […]. por hoje e pelo que fez em muitas ocasiões, provocando os venezuelanos, viva o Rei! XD

O analista político espanhol, Ignacio Escolar, escreveu que esse episódio foi uma lição para Aznar

Dice Zapatero que el Gobierno de España ‘siempre ha respetado, respeta y respetará a todos los gobernantes elegidos democráticamente’. Discrepo. Ese ‘ha respetado’ se referirá sólo a los últimos tres años y medio. Hugo Chávez tenía algo de razón cuando criticaba el papel que jugó el Gobierno de Aznar durante el golpe de estado de 2002 en Venezuela, aunque no fuese ni el día ni el interlocutor ni el lugar oportuno para ese debate.

Zapatero diz que o Governo da Espanha ‘sempre respeitou, respeita e respeitará a todos os governantes eleitos democraticamente’. Discordo. Esse ‘respeitou’ se refere somente aos últimos três anos e meio. Hugo Chávez tinha alguma razão quando criticava o papel que teve o governo de Aznar durante o golpe de estado de 2002 na Venezuela, ainda que não fosse nem o dia, nem o interlocutor, nem o lugar oportuno para esse debate.

No entanto, uma grande parte da imprensa espanhola atacou cruelmente o presidente venezuelano por suas declarações e apoiou a reação do Rei. O vídeo mais cômico, mas também ofensivo contra o presidente venezuelano tem atraído mais de 430.000 visitas e 1.400 comentários em menos de 2 dias. É uma paródia de uma clássica canção venezuelana, no ritmo espanhol paso doble, chamada “Via longa, Espanha”, mas que diz, ao invés, “¿por qué no te callas? mostra o presidente como um macaco, usado pelos seus adversários internos e externos para se referir a ele.

Por um lado, tem aparecido matérias contra o Rei, a monarquia e a imprensa, escritas por blogueiros que apóiam o presidente Chávez, dizendo que foi uma falta de respeito real e uma tentativa de colonização do Rei da Espanha. Okrim Al Qasal, do blog Okrim Opina [es] diz que o problema tem a ver com a revolução proposta por Chávez, o que toca interesses intoleráveis pelas forças mundiais de poder.

Cuando algún líder, en este caso Chávez, se sale mínimamente de este guión de títeres acartonados que tan bien quedan en las pantallas de CNN con su lenguaje de pseudotolerancia del tipo “te respeto si estimulas el libre mercado, si no eres un tirano dictador”, entonces estalla la polémica. Si alguien cree que el Rey mandó callar a Chávez sólo por su acertada y justa descripción de PP Aznar, se equivoca. La Revolución Bolivariana y la propuesta de Reforma están tocando intereses muy, muy estratégicos. Se huele en el ambiente.

Quando um líder, nesse caso, Chávez, sai minimamente do roteiro das marionetes decadentes que aparecem tão bem na tela da CNN com sua linguagem de pseudo-tolerância do tipo “te respeito se estimulas o livre mercado, se não, és um ditador tirano” então a polêmica se instala. Se alguém acredita que o rei mandou Chávez se calar só por causa de sua descrição acertada de justa de PP Aznar, está equivocado. A Revolução Bolivariana e a proposta de Reforma está atingindo interesses muito, muito estratégicos. Percebe-se no ambiente.

Por outro lado, o jornalista José Roberto Duque estabelece o magnífico reflexo dos aspectos constitucionais e democráticos do Rei da Espanha ao colocar uma série de fotos [es] do falecido ditador, Francisco Franco e diz:

Dedico esta foto al antichavismo “amante de la democracia” […] Aquí van otras foticos (cortesía de Mauricio Rodríguez) del sujeto que se cree ungido por su origen, y cuyo Por qué no te callas ha sido tan celebrado por los sabios amantes de la democracia y la libertad en Venezuela y el mundo.

Dedico essa foto ao anti-chavismo “amante da democracia” […] Aqui vão outras fotos (cortesia de Mauricio Rodríguez) do sujeito que acredita ser abençoado por sua origem e cujo “por que não se cala?” tem sido celebrado pelos sábios amantes da democracia e liberdade na Venezuela e no mundo.

Reindertot, um jovem blogueiro venezuelano, intitula seu post “Juan Carlos e a pequena vitória virtual dos leitores de Hola! [es]” em referência à revista de entretenimento editada na Espanha.

Resulta que esta bien para Juan Carlos ser grosero y maleducado, pero no para Chávez. Vaya paradoja. Chávez es el inculto, el mono, el macaco mayor, el zambo, el que DEBE CALLARSE. Pero Juan Carlos, el cual además no estaba metido en la conversación directa Chávez-Zapatero, de repente si puede gritar lo que le venga en gana y ser vitoreado por los medios y los pequeños opositores los cuales se han autoconvencido de que han obtenido una “pequeña victoria” en las palabras del Rey español, cuando evidentemente sufrirán otra derrota electoral en diciembre. Casi conmovedor.

Parece que está bem para Juan Carlos ser grosseiro e mal-educado, mas não para Chávez. Que paradoxo. Chávez é inculto, o macaco maior, o zambeta, o que DEVERIA SE CALAR. Mas Juan Carlos, que nem estava participando diretamente da conversa entre Chávez e Zapatero, de repente pode gritar o que bem entender e ser considerado vitorioso pelos meios de comunicação e pelos pequenos opositores, que se convenceram que obtiveram uma “pequena vitória” nas palavras do Rei espanhol, quando evidentemente sofrerão outra derrota eleitoral em dezembro. Quase comovente.

No meio a polarização política, este é um outro acontecimento de notoriedade global sobre a Venezuela, que tem sido interpretada dentro do país com duas visões absolutamente distintas e exclusivas sobre a mesma realidade. A frase do Rei é uma nova piada, o slogan da oposição de Chávez e outro argumento para seus apoiadores continuarem com a aprovação da reforma constitucional em Dezembro.

Matéria de Luis Carlos Diaz.

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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