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Uganda: sobre objeções, carros e perda do emprego por causa de um blog

Esta semana, Ugandan Insomniac [EN] levanta uma questão premente que dá pano pra muita conversa:

Why are millions of Ugandans still living in abject poverty when an increasing number of people in the country can afford a brand new set of wheels and personalized number plates every year?

Por que ainda há milhões de ugandenses vivendo na pobreza e ignorância enquanto cada vez mais pessoas podem pagar por um novo jogo de rodas de carro e por placas de automóvel personalizadas todo ano?

Enquanto isso, Daniel Kalinaki [EN] tem uma opinião diferente: a de que todo mundo está tentando trapacear todo mundo, e especialmente ele:

Why is it next-to-impossible to find honest contractors in Uganda? Of course we know that government wastes a lot of our taxes on all sorts of schemes, school children are thrown out of their schools, buildings are razed and the ground is let to fallow, awaiting some hotelier to make up his mind. We know that people displaced by war are given rotten seeds when they finally get to return to their homes, complete with flexi-pangas to help them till the land and start new lives. We know all that, and more.
What irks me the most are the smaller things; the micro-corruption, the cutting corners that we are subjected to daily…

Por que é quase impossível encontrar empreiteiros honestos em Uganda? Claro que nós sabemos que o governo desperdiça muitos dos nossos impostos em todo tipo de esquema, as crianças em idade escolar são expulsas de suas escolas, edifícios são destruídos e a terra é sub-aproveitada, a espera de que um hoteleiro tome alguma decisão. Sabemos que as pessoas deslocadas por conta da guerra são contempladas com sementes podres quando conseguem finalmente retornar às suas casas, além de ferramentas (flexi-pangas), para ajudá-las a recomeçar suas vidas na terra. Todos nós sabemos disso, e sabemos mais. O que me irrita mais são as pequenas coisas; a micro-corrupção, os desvios com os quais nos defrontamos diariamente…

E Ivan [EN]está cansado de outras coisas em Uganda:

I’ve gotten tired of saying we are not ready for CHOGM. I can only go on and about a topic for so long. What do you take me for? The Red Pepper? Harry Sagara? I will say this, the visitors are obliged to say they are crazy about our country no matter what. Sure we have people on the job, guys who started planting trees last week. Not to worry, the Ugandan variety of tree is the quick growing kind. We should see some sort of progress some time next year. While the visitors are here, we shall be encouraged to refer to them as “baby trees”. It will be politically incorrect to refer to them as “little”.

Estou cansado de dizer que não estamos prontos para o Encontro de Chefes de Governo em Commonwealth (CHOGM) [EN]. Sou capaz de continuar em um tópico por muito tempo. Os visitantes são obrigados a dizer que são loucos por nosso país, não importa o que aconteça. Claro que temos pessoas competentes, pessoas que começaram a plantar árvores semana passada. Sem problemas, a variedade de árvores de Uganda é do tipo que cresce rápido. A gente deveria ver algum progresso no ano que vem. Enquanto os visitantes estão aqui, seremos estimulados a se referir a elas como “árvores bebês”. Seria politicamente incorreto se referir a elas como “pequenas”.

Mas a pessoa que realmente tem o direito de reclamar é GayUgandan [EN], que perdeu seu emprego (quase) por causa do seu blog:

As a good suspicious employee, I will suspect that something is happening. I have worked too long for my dear employer to be summarily dismissed. But, that can be done in increments. And I may decide to resign to prevent further embarassment. Not being needed, but you hang on desperately.

Pathetic?
Maybe, and maybe not. Ok, I was outed by the Red rug. That was last month. I thought that I had done something to create a soft landing for myself. I talked to my immediate boss. I talked to my ultimate boss. And things seemed to be cool.
A few days to the end of the month, I get the ‘bad’ news. Lots of apologies, lots of sorries, but it all adds up to me losing part of my income. And being left with this suspicious feeling that it is because of my damned sexuality. Or the sudden suspicion of it that my colleagues at work have!

Como um empregado suspeito, desconfio que alguma coisa está acontecendo. Eu trabalhei por tempo demais para meu querido chefe para ser sumariamente dispensado, mas eles podem fazê-lo pouco a pouco. E eu posso optar por desistir para evitar maiores constrangimentos. Não ser necessário, e ainda assim se agarrar desesperadamente.

Patético? Talvez sim ou talvez não. Tá. Eu fui expulso por causa do tapete vemelho. Isso foi no mês passado. Pensei que tinha feito alguma coisa para preparar meu terreno. Conversei com meu chefe imediato. Conversei com meu chefe central. E tudo parecia bem. Faltando poucos dias para o mês terminar, recebi a ‘má’ notícia. Milhares de desculpas, lamentações, mas tudo isso resulta na perda de parte da minha renda. E ter provocado um sentimento de desconfiança por causa da minha maldita sexualidade. Ou uma suspeita repentina dos meus colegas de trabalho!

(Matéria de Glenna Gordon)

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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