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Israel: Refugiados Sudaneses – Darfur, como Auschwitz

Nos últimos meses, um número crescente de refugiados sudaneses tem cruzado a fronteira do território israelense, após atravessar o deserto do Egito. O governo israelense reagiu, enviando muitos para campos de detenção e está atualmente considerando seu destino. Blogueiros israelenses estão questionando os atos do governo, comparando a situação àquela da metade da década de 1930, quando o mundo não aceitava judeus que fugiam do regime nazista. Muitos alegam que um país como Israel, criado tendo como virtude – ‘lembrar e jamais esquecer’, já está esquecendo a indiferença com que seus pais fundadores se defrontaram num passado não tão distante.

Os refugiados estão fugindo dos horrores do genocídio e da limpeza étnica que está ocorrendo na região de Darfur, no Sudão. Um número crescente vai a Israel na esperança de que o estado democrático seja mais clemente que seu vizinho Egito, onde os refugiados são recebidos a bala ao se aproximarem da fronteira. Entretanto, ao cruzarem a fronteira, os refugiados descobrem que o mesmo país que nasceu à sombra do genocídio de seu próprio povo, está restringindo sua entrada e mantendo os que conseguem entrar, longe de vista, em campos de detenção. As forças de defesa de Israel têm planos de não permitir mais que nenhum refugiado cruze a fronteira de Israel, alegando que seu fluxo constante pode inundar o país. Essa decisão se opõe diretamente aos valores e convicções do jovem país, e põe Israel na mesma coalizão que todos os países que não aceitaram refugiados judeus que fugiam da Europa anti-semita na década de 1930.

Muitos blogueiros têm pedido ao governo para refletir sobre seu passado não tão distante e perceber que seus atos são parecidos aos atos que seus ascendentes judeus presenciaram.

Em seu post em kipa.co.il, Mor Goldkleng escreve:

“Israel é o estado do povo judeu. Deveria mostrar seu rosto judeu…
É especialmente crucial para nós dar o exemplo, aceitar os refugiados e integrá-los ao nosso povo. Não vamos ser capitalistas e pensar só em termos de ganho e perda monetária.Vamos pensar em humanidade. Há um mês houve uma manifestação na frente de Kirya em Tel Aviv. Na manifestação, 300 velas foram acesas para mostrar solidariedade aos 300 refugiados sudaneses em Israel. Vamos acender essa vela maior, de compaixão e misericórdia. Durante o genocídio do meu povo o mundo permaneceu em silêncio. Minha avó recebeu indiferença. Não quero ser indiferente aos outros. “Não sejas indiferente quando está em perigo o teu próximo” – (Levítico 19:16). Esse é um dever ético extremamente importante, que a Bíblia nos passou (e é também lei em Israel).”

O trecho a seguir foi extraído de uma carta endereçada aos líderes do Knesset [parlamento de Israel] e publicado no blacklabor blog:

“O Estado de Israel é capaz de abrigar e dar asilo político-humanitário aos refugiados que já entraram em seu território. Sobretudo, Israel tem um compromisso histórico e moral de receber qualquer refugiado, independentemente de diferenças de religião, sexo ou raça. Nossos líderes mencionam com freqüência a natureza única desse país dos judeus. É a sua oportunidade de transformar palavras em ações. Temos que aprender com organizações judaicas dos Estados Unidos, que estão liderando ativamente o esforço para uma ação internacional no Sudão.”

Em dovblog, Dov Hanin descreve uma discussão do Knesset a respeito desse assunto que aconteceu no fim de maio:

“Atualmente existem entre 450 e 500 cidadãos sudaneses procurando asilo em Israel. Segundo o artigo 6 da emenda sobre asilo, esses refugiados são impedidos de receber aprovação para ficar em Israel por pertencerem a um país inimigo. Essa situação contradiz o acordo básico em relação ao status de refugiado de 1951, o mesmo acordo que serviu de base à emenda das Nações Unidas para proteger os refugiados do mundo todo. O Estado de Israel teve um papel fundamental na elaboração desse acordo em 1954, portanto eu acho que a obrigação do nosso governo não é só moral, mas também legal.

O que está acontecendo na realidade? Dos 450 refugiados em Israel, 80 são crianças e 110 são mulheres. Cerca de 150 foram detidos. Pedimos que o governo israelense examine criteriosamente todos os pedidos de asilo político e considere aceitá-los de acordo com seu direito a proteção como refugiados. Pedimos ao governo que liberte todos que estão detidos. Não é razoável, nem ético reter esses refugiados, que fugiram dos horrores de Darfur”.

Do blogue a Yellow Plebean’s Hebrew:

“Em 1937 minha avó chegou aos Estados Unidos. Ele era uma menininha, a última de sua família que conseguiu fugir da Europa. Sua irmã maior, que tinha seis filhos, não recebeu o visto, e ficou na Tchecoslováquia. Todos que ficaram foram mortos durante o holocausto. Você entende, minha família percebeu o que estava acontecendo e tentou fugir. Mas o processo para conseguir visto era lento demais. O mundo estava ocupado com outros problemas, e os refugiados que iriam inundar países que tinham problemas suficientes, pareciam ser um aborrecimento desnecessário. Como não se permitia que entrassem em nenhum outro país, eram mandados de volta. E exceto alguns santos, o mundo simplesmente ignorava. Agora estou falando do holocausto de outro povo. Refugiados de Darfur que fogem de sua terra, atravessam o deserto do Egito e tentam chegar a um país comprometido com convenções internacionais. Um país que não deveria permitir a expulsão de refugiados fugindo de um genocídio.”

“Na escola nos ensinaram que temos o direito moral de ter nosso próprio país e que o holocausto poderia ter sido evitado se o tivéssemos na década de 1930. Eu acho que isso é verdade. Os nazistas queriam se livrar dos judeus desde o início. Se o Estado de Israel tivesse sido criado mais cedo, ele provavelmente teria recebido nossos ascendentes que estavam fugindo. Mas isso é verdadeiro somente para nossos ascendentes. No fim do dia, até mesmo nós fechamos os olhos para os problemas de outros povos. Isso deve mudar. Não num futuro hipotético, mas agora, quando um genocídio está acontecendo no continente vizinho, e uma pequena quantidade de refugiados está chegando ao nosso território. Eu não sei como. Estou tentando, falando do problema, chamando outras pessoas para conversar, e apoiando alguma forma de ativismo público no futuro. Eu realmente não sei o que um único cidadão pode de fato fazer aqui, quando seu país ignora seu dever. Mas uma coisa é clara: se as pessoas pensassem de maneira diferente, ou se os cidadãos protestassem, até o Olmert iria perceber que precisamos tratar essa situação de outro modo.

Eu espero.”

Entretanto, está havendo diversas reações de diferentes organizações e grupos em Israel. Kibutzes de todo o país estão aceitando refugiados sudaneses. Até agora, 7 kibutzes já aceitaram 60 refugiados, enquanto outros 12 kibutzes demonstraram interesse em ajudar a integrar os refugiados à sua comunidade.

Mishtara.org está envolvida com uma série de eventos destinados a aumentar a conscientização pública em relação a esse crescente problema em Israel.

“Perguntamos aos cidadãos de Israel se nos tornamos tão insensíveis. Podemos criar sistemas de banimento? Não existem outras alternativas? Para nós, a resposta é clara – existem alternativas. Os representantes israelenses declaram que se preocupam com o futuro do Estado de Israel. Nós concordamos plenamente com eles. Também nos preocupamos com o futuro deste país. Como será o futuro de Israel se ele fugir de sua responsabilidade moral? Como Israel poderá justificar a sua decisão de não aceitar refugiados cujo único ‘crime’ é querer viver?
No domingo, 15 de julho, nos juntaremos a refugiados em Gan Havradim, em Jerusalém e ficaremos a seu lado. Ficaremos a seu lado para lembrar o que a maioria pede para esquecer. Ficaremos a seu lado para permitir que haja esperança. Pedimos aos cidadãos do país para mostrar que existe uma alternativa, que podemos e devemos ajudar refugiados que vêm ao nosso país”.

As seguintes imagens foram feitas por Oren Ziv [EN] na manifestação de Jerusalém:

Para ver mais imagens clique aqui [PT].

(texto original de Gilad Lotan)

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

2 comentários

  • […] לעבודה שחורה מרחבי העולם: פורטוגל יפן […]

  • MARCOS MELO

    SENHORES, A QUEM DE DIREITO. VENHO SOLICITAR QUE ME AJUDEM A PROCURAR UMA JOVEM DE NOME BRIDGET ROSSI. ELA ESTÁ REFUGIADA EM SENEGAL. DAKAR. SERÁ QUE É POSSÍVEL EU ACHÁ-LA? POR FAVOR MANDEM-ME RESPOSTAS

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