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Chile: Bachelet, Transantiago e Protestos Estudantis

transantiago

Michelle Bachelet vem passando por uma época difícil desde que virou a primeira mulher presidente do Chile a há um ano atrás. Ela agüentou escândalos de corrupção em sua própria coalisão esquerdista, protestos de estudantes expressando raivosamente insatisfação com o sistema educacional, e agora, o colapso do caríssimo novo sistema de transporte de Santiago. Esse grande projeto começou durante a presidência de Ricardo Lagos, conhecido por seu grande investimento na infraestrutura de transporte.

“A reforma severamente doente do transporte da capital Santiago chamado Transantiago começou a gerar seu custo político,” escreve Tomás Dinges[EN] que inclui um número de links para a comparação entre o Transantiago e o Transmilenio de Bogotá, que serviu como modelo para o projeto.

Transantiago is kicking her ass, and unfortunately it wasn’t even a problem of her design. This new system is based on Colombia’s TransMilenio and was designed over a period of five years under the administration of Ricardo Lagos. It is now cultivating bad moods, lack of confidence and frustration by the people outside the government, while creating instability within her government. The idea that she is a president of the people, the head of a “gobierno ciudadano,” which can have a real effect on people’s “hogares,” or homes, as she refers to in speeches, is coming under severe and dangerous questioning reflected in polled popularity levels tracking steadily downwards, a five point drop since early March (51-46) with an increase of people unhappy with her administration (36 – 41). “

“Transantiago está acabando com ela, e infelizmente não é sequer um problema do planejamento dela. Esse novo sistema é baseado no TransMilenio da Colômbia e foi projetado no período de cinco anos sob o governo de Ricardo Lagos. Agora está cultivando o mau humor, a falta de confiança e a frustração do povo fora do governo, enquanto cria instabilidade dentro do governo dela. A idéia de que ela é uma presidente do povo, a cabeça de um “gobierno ciudadano,” que pode ter um efeito real nos “hogares,” ou lares do povo, como ela diz em seus discursos, está sob um questionamento severo e perigoso refletido pelas pesquisas de opinião quanto à sua popularidade que vem baixando constantemente cinco pontos desde o começo de Maio (51-46) com um aumento da infelicidade do povo com sua administração (36 – 41).”

Desde a inauguração do Transantiago, muitos comentários vazaram. Plataforma Urbana [ES] escreveu uma crítica ao anúncio do governo do início de uma operação de melhoramento ao Transantiago e resume o sentimento do povo reagindo a tal anúncio:

A nadie le sorprendieron las medidas anunciadas para corregir el caótico estado en que se encuentra operando, pero muchos echamos de menos el cómo se arreglaran los problemas a largo plazo, sobre todo en lo que concierne a la operación del plan a través de los años. A casi 2 meses de su implementación, qué es lo que nos deparará Transantiago y qué tanto hay que esperar de las medidas anunciadas.

Habiéndose nivelado el servicio en general -la gente ya está acostumbrada al nuevo sistema- es ahora donde aparecen los problemas estructurales dentro del sistema, aquellos que no se solucionan con más buses ni con renegociación de contratos. Si bien el aumento de buses permitirá contar con una mayor capacidad -y por ende, poder subirse a los buses repletos-, el gran problema es cómo controlar las frecuencias y ajustar los recorridos y micros a la demanda real de pasajeros. Esto porque obviamente el diseño debe ser ajustado en función de la variación dinámica de la demanda conforme a la ciudad crece y genera nuevos viajes.”

“Ninguém ficou surpreso com as novas medidas anunciadas para corrigir o estado caótico que está em operação, mas muitas pessoas não entenderam como os problemas serão corrigidos a longo prazo. Em quase dois meses depois de sua inauguração, qual será o destino do Transantiago e o que podemos esperar das novas medidas anunciadas?

Tendo os serviços gerais estabilizados – o povo agora está acostumado com o novo sistema – é agora que os problemas estruturais aparecem dentro do sistema; os que não são resolvidos com renegociações de contrato ou adicionando mais ônibus. Mesmo que mais ônibus permita aumentar a capacidade de passageiros e permitir que as pessoas realmente entrem dentro dos ônibus lotados, o maior problema é como controlar a freqüência e ajustar o número de ônibus à verdadeira demanda de passageiros. Obviamente o projeto tem que ser ajustado à demanda sempre mudando e em acordo com o crescimento da cidade já que precisa de novas rotas.”

O governo anunciou que para reparar a operação eles precisam de 34 milhões de dólares. E um jornal local publicou um artigo revelando que o governo gastou 12 milhões de dólares pesquisando o impacto do projeto antes da operação. Então, o que aconteceu com os estudos? Foram bem feitos? Por que agora temos um novo orçamento para reparar os erros do sistema?

Todos esses problemas estão focados na capital, Santiago, onde o Transantiago opera. Mas e o resto do país? Chile.com tem um artigo [ES] que revê as reações das outras regiões que carregaram nos ombros alguns dos gastos:

“La parlamentaria por la Sexta Región agregó que “cuando Santiago tiene problemas el ministro no los tiene para abrir las manos, pero cuando es en regiones no vemos lo mismo. Necesitamos recursos para agua potable, caminos, educación, defensas fluviales; no podemos permitir que se saquen de los que ya están asignados para solucionar los problemas del Transantiago.”

“O parlamento da sexta região comentou que “Quando Santiago tem problemas o governo não tem problemas em estender as mão (pedir dinheiro), mas quando os problemas são provincianos, não vemos o mesmo apoio. Precisamos de recursos para água potável, estradas, educação, e barragens fluviais. Não podemos permitir que eles tirem dinheiro do que já estava alocado para que consigam achar uma solução para os problemas do Transantiago”.”

Ontem, os estudantes invadiram as ruas para protestarem contra o Transantiago. Duna [ES] escreve que 228 pessoas foram detidas, e quase 71% desses detentos são menores de 18 anos. Um dos blogues universitários (ES) da Federação dos Estudantes falando pela Universidad de Chile(ES), diz que mais de 1500 pessoas foram aos protestos Também escrevem que muitos não sabiam com certeza onde se encontrar ou onde iriam protestar. Admitem que o protesto foi mal organizado e sem muita noção do que estavam fazendo.

Estudantes estão ficando acostumados a protestar contra tudo e alguns cidadãos, como kurotashio [ES], observam as conseqüências.

“Era posible también ver el descontento de muchos comerciantes, los cuales echaban más de algún improperio a los estudiantes por causar un estado de desalojo de muchas personas, las cuales acostumbradas a sus puestos laborales deben ser corridas para que no tengan problemas por abc motivos… A pesar de ello, por la avenida principal (Alameda) circulaban buses como si nada pasara, la gente caminando, aunque temerosa, pero como si la lluvia que emanaba del carro policial fuera lo más común del mundo.”

“Era possível ver o descontentamento dos comerciantes do centro, muitos dos quais gritaram mais de um insulto aos estudantes causando o caos. Os comerciantes de rua estão acostumados a ficarem sempre em suas instalações e, durante os protestos, eles tiveram que ser removidos no caso de haver algum problema … De qualquer forma, na maioria dos casos, os ônibus continuaram em suas rotas normais, pessoas caminhavam (embora com medo), mas como se a polícia usando as mangueiras de controle fosse a coisa mais normal do mundo.”

student protesters

Foto de estudantes detidos nos protestos tirada por Kurotashio

Os chilenos têm uma história de protesto, mas desde que Michelle Bachelet foi eleita presidente, questões difíceis que começaram na administração anterior, terminaram em algo próximo a um colapso social.

Os protestos estudantis contra o sistema educacional começaram ano passado e, desde então, toda vez que têm chance – como semana passada – eles protestam. O Governo está trabalhando duro na questão educacional. Bachelet criou A Junta Consultiva para a Qualidade Educacional. Junho passado, que procura desenvolver um sistema educacional chileno melhor, José Joaquin Brunner [ES] tem vários documentos no seu blogue[ES] que explica a visão e os objetivos com os quais estão trabalhando.

(Texto original por Rosario Lizana)

 

O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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