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Líbano: Aniversário de um Ano da Guerra de Julho

Por essa época, ano passado, Israel estava se engajando naquela que depois seria conhecida como “Segunda Guerra Libanesa” contra o Líbano. Por isso, semana passada, muitos blogueiros libaneses escreveram sobre essa Guerra. Os posts eram sobre suas lembranças, reflexes, analyses, etc, focando nos 33 dias do Verão de 2006 no Líbano. Os textos refletem as diversas opiniões e perspectives sobre tal conflito. Esse resumo tenta dar um exemplo da maior variedade de pontos de vista possíveis. Seja como for, mais blogueiros podem ser acessados através dos links nos blogs citados abaixo ou em resumos passados (ou futuros) da blogosfera libanesa. Aqui vamos nós:

Beirut Spring [EN] relembra como a Guerra começou quando sua família estava se preparando para sua festa de noivado. Ele menciona como a festa ocorreu, como planejado, em 13 de Julho, o Segundo dia de Guerra. Em seu post, que contém muitos links de posts de durante a Guerra, ele declara sua posição da época:

“We will support Hezbollah for now. We will unite behind them as long as we’re under attack. We will not criticize them publicly. They are welcome in our houses and in our cities. This is a time for unity, not squabbling.

[but after it’s all over]

We will make it clear to the world that Hezbollah is not speaking for all the Lebanese. We will make it well known that we will no longer accept unilateral decisions pertaining to war and peace”

“Vamos apoiar o Hezbollah por agora. Nos uniremos em favor deles enquanto estivermos sob ataque. Não iremos criticá-los publicamente. Eles são bem vindos em nossas casas e em nossas cidades. Este é um tempo de união e não querelas.

[mas, depois, está tudo acabado]

Deixaremos claro para o mundo que o Hezbollah não fala por todo o Líbano. Será do conhecimento de todos que não aceitaremos decisões unilaterais pertinentes a guerra e paz.”

Para Jamal [EN] havia mais naquela Guerra do que se via à primeira vista. Ele a vê como uma batalha em uma longa guerra que está acontecendo na região. Uma guerra para a qual ele não parece ver um fim eminente:

“The war did not start on July 12, 2006. I have memories of war stashed away right next to the memory of my first electronic Spelling game that my parents got me to accelerate my learning of the alphabet in the pre-kindergarten years of the pre-Atari era. The war started in the year 12 b.h.n. (before Hassan Nasrallah) and it hasn’t ended yet. The July, Lebanon’s Second, or Sixth labels are just chapter titles to distinguish the 33 days of open military warfare as opposed to the covert military ops that preceded and continued after that period.

The problem is that Israel in its current version is not compatible with peace. Maybe version 2.0 will have that option programmed into it but until then it’ll be war.”

“A guerra não começou em 12 de Julho de 2006. Tenho memórias de guerra estocadas bem próximas às memórias do meu primeiro jogo eletrônico de soletrar que meus pais me compraram para acelerar meu aprendizado do alfabetos nos anos pré-Jardim-de-infância da era pré-Atari. A guerra começou no ano 12 a.h.n. (antes de Hassan Nasrallah) e ainda não terminou. Os títulos O Julho, Segunda Guerra Libanesa, ou Sexta são apenas títulos de capítulos para distinguir os 33 dias de batalhas militares abertas em contraste com com as operações militares encobertas que existiam antes e depois daquele período.

O problema é que Israel em sua versão atual não é compatível com a paz. Talvez a versão 2.0 tenha essa opção programada mas, até lá teremos guerra.”

Abu Kais [EN] escreveu sobre a tortura física e psicológica que ambos os lados infligiram nas pessoas de ambos os países:

“Arab satellite networks are bombarding their viewers with documentaries on the “July war” between Hizbullah and Israel, which started on July 12, 2006. Emile Lahoud and Fouad Siniora both gave speeches on the occasion. The speeches were diametrically opposite. I won’t bother quoting. Having covered that war extensively on this blog, I have not forgotten the psychological torture Nasrallah and Israel subjected us to. Torture that, naturally, pales in comparison to that lived by victims on both sides. Yes, both sides. This blogger believes in ‘moral equivalence shit’.”

“Redes de satellites arábes estão bombardeando seus espectadores com documentaries sobre a “Guerra de Julho” entre Hezbollah e Israel, que começou no dia 12 de Julho de 2006. Emile Lahoud e Fouad Siniora fizeram discursos sobre a ocasião. Os discursos foram diametricalmente opostos. Não me darei o trabalho de citar. Tendo cobrido aquela Guerra em extensão neste blog, ainda não esqueci a tortura psicológica a qual Nasrallah e Israel nos submeteram. Tortura que, naturalmente, se empalidece em comparação com aquela vivida pelas vítimas de ambos os lados. Sim, ambos os lados. Esse blogueiro acredita em ‘bobagens sobre equivalência moral’.”

Sophia [EN] escreveu em detalhe sobre sua viagem ao Líbano depois da Guerra, o que ela viu e sentiu enquanto visitava as vilas e cidades através do Líbano e como a Guerra de 2006 havia mudado seu humor em um estado de desespero que ainda não a abandonou:

“In 12 days, we drove Lebanon from north to south, from Bcharré to Qana and the southern border, taking all the small roads and totalling some 6000 kms in a country of 200kms long and 80 kms, at most, large. I arrived to my village unannounced. I walked to my grand’parents’. The door was open, as in most village houses. My aunt came to the door and asked who we were. I said: I am your niece. We embraced while my husband and children were behind crying. I visited our empty house in the village, gathered some old pictures, talked with neighbours and old friends, took a walk to the olive orchards, trecked deep in the Qadisha valley, drove among crazy Lebanese drivers, bathed in the sea near Tyre, sampled baklavas at major Lebanese pastry stores in Tripoli and Saida, ate Falafel in Saida’s souk, slept on the sound of the nearby prayer of the muezzin near Saida’s souk, walked one day in the ugly Beyrouth downtown ultrarenovated as to erase the memory of any past or future wars.

The visit was like a therapy for me. But when I returned I start to be obsessed with the security situation in Lebanon, not being able to pass a day without looking at the news from there. And as the news from there were becoming more and more alarming, culminating in the 2006 Israeli agression on the country, I started to despair and I am still in this mood.”

“Em doze dias, dirigimos de norte a sul do Líbano, de Bcharré a Qana e as fronteiras ao sul, pegando todas as pequenas estradas e totalizando uns 6000 kms em um país de 200 kms de comprimento e 80 kms, no máximo, de largura. Cheguei na minha vila sem aviso prévio. Fui até a casa dos meus avós. A porta estava aberta, como na maioria das casas de vilas. Minha tia veio até a porta e perguntou quem éramos. Eu disse: Sou sua sobrinha. Nos abraçamos enquanto meu marido e meus filhos chorando atrás. Visitei nossa casa vazia na vila, juntei algumas fotos velhas, conversei com os vizinhos e amigos antigos, caminhei até o pomar de Oliveiras, andei por trilhas dentro do Vale Qadisha, dirigi entre motoristas libaneses malucos, tomei banho d emar perto de Tiro, experimentei baklavas nas maiores lojas de massa libanesas em Trípoli e Saida, comi Falafel nos souks de Saída, dormi ao som das rezas do muezzin perto do souk de Saida, andei um dia no centro feio de Beirute ultrarenovado para apagar a memória de qualquer guerra passada ou futura.

A visita foi como uma terapia para mim. Mas quando retornei comecei a ficar obsecada com a segurança do Líbano, não conseguindo passar um dia sem ler as noticias de lá. E quando as no´ticias começaram a ficar cada vez mais alarmantes, culminando na guerra de 2006, comecei a me desesperar e estou até hoje nesse estado.”

É de se esperar que foram aprendidas lições em ambos os lados do conflito. EM uma longa análise, MFL[EN] escreve sobre as lições aprendidas por Libaneses e Israelenses. Ele começa sua análise declarando que:

“The July War probably will always be remembered as what Kofi Anan, when he was UN General Secretary, “the war where children died more than the combatants”. This of course was from the Lebanese side, whereby 1/3 of over 1200 martyrs were children. Till this very day, civilians are wounded or killed from cluster bombs left from the racist Zionist nation: Israel. Best archive regarding the details of the July War, situation of the refugees, attrocities of the Israelis, media war, and everything else is the official Samidoun Website.”

“A Guerra de Julho provavelmente sera sempre lembrada como declarou Kofi Anan, quando ainda era Secretário Geral da ONU, “a guerra onde morreram mais crianças que combatentes”. Isso, claro, no lado dos Libaneses, aproximadamente um terço dos 1200 mártires eram crianças. Até esse dia, civis são feridos ou mortos pelas bombas deixadas pela nação racista dos Zionistas: Israel. O melhor arquivo referente à Guerra de Julho, a situação dos refugiados, atrocidades dos israelenses, guerra na mídia, e tudo o mais é site oficial Samidoun[EN].”

O que aconteceu no Líbano desde que foi declarado o cessar-fogo? Isso é o que Liliane[EN] listou em um de seus posts. Ela fala sobre o triste estado dos negócios de Estado no Líbano durante o ano passado depois que a guerra foi declarada.

Arab Media [EN] discute que, nos conflitos e na política libanesa, as coisas não são simples, preto no branco, como políticos ocidentais ou americanos às vezes sugerem. Ele usa como exemplo “Haifa Wehbe, a estrela pop super sexy do Líbano ” para provar seu argumento:

“She is a Shiite from South Lebanon, an area that has been subjected to repeated Israeli incursions, massacres and poundings since 1948. Look at these photos [linked to in the post] and ask yourself whether she looks like an “extremist”.

Now read this article [link in post], and ask yourself why does this extreme sextress
(not extremist) support Nasrallah and the resistance?

The reason is because ordinary and sexy people around the world (not just extremists) believe that if somebody attacks you in your own homeland, as the Israelis did beginning with the Hula massacre in 1948, and subsequent incursions and attacks in 1968, 1978, 1981, 1982, 1985, 1992, 1993, 1996 and 2006, you have the right to defend yourself against aggression. It’s also interesting to note that Hizbullah as a resistance movement did not come into formal existence until 1985, in the middle of Israel’s 22-year-long occupation of South Lebanon (1978-2000).”

“Ela é uma xiita do sul do Líbano, uma area que vem sendo sujeita a repetidas incursões israelenses, massacres e espancamentos desde 1948. Olhem para essas fotos [linkadas no post] e se perguntem se ela parece uma ‘extremista’

Agora leiam esse artigo [linkado no post], e se perguntem porque essa extrema sextress (não extremista) apóia a resistência e o Nasrallah?

O motivo é que pessoas sexies e comuns de todo o mundo (não apenas as extremistas) acreditam que se alguém te ataca na sua própria terra natal, como os israelenses fizeram começando com o massacre de Hula em 1948, e ataques e incursões subsequentes em 1968, 1978, 1981, 1982, 1985, 1992, 1993, 1996 e 2006, você tem o direito de se defender contra suas agressões. É também interessante notar que o Hezbollah como um movimento de resistência não existia formalmente até 1985, no meio da ocupação israelense do sul do Líbano, que durou 22 anos (1978-2000).”

Finalmente, MacDara [EN] relembra sua experiência quando ele e outros estrangeiros foram evacuados do Líbano:

“Its a year since MacDara was woken at 5.30 in the morning by two loud explosions, The Israeli’s had just bombed the Port which was five minutes from MacDara’s Apartment. The Alarm that had been set for Six as it was evacuation day was not needed and with the bags all ready packed it meant we had plenty of time to enjoy a last coffee on our Balcony and think about what we were leaving behind. We did know at the time if we would be back and we were feeling slightly guilty for leaving friends but there was never really any thought of staying.”

“Faz um ano que MacDara acordou às 5:30 da manhã por duas explosões. Os israelenses tinham acabado de bombardear o Porto a cinco minutos do apartamento de MacDara. O alarme que tinha sido programado para as seis já que era dia de evacuação não era mais necessário e com as malas já prontas nós tínhamos muito tempo para aproveitar nosso último café em nossa varanda e pensar no que estávamos deixando para trás. Não sabíamos na época se voltaríamos e estávamos nos sentindo levemente culpados por deixarmos amigos para trás, mas nunca pensamos em ficar.”

MacDara termina seu post dizendo:

“Once is enough and hopefully an evacuation will not be needed again.”

“Uma vez já é o suficiente e esperamos que outra evacuação não seja mais necessária.”

 

 

(Texto original por Moussa Bashir)

 

 

 

Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.

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