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Irã: Um rosto ensanguentado simboliza a violenta repressão às mulheres

(n. do. t. – esta matéria foi publicada no Global Voices Online em 26 de maio de 2007, mas traduzo-a agora dada a sua relevância)

bloody0.jpgA polícia iraniana continua com suas ações repressivas sobre as vestimentas das mulheres, e tem havido mais vítimas da violência policial a cada dia.

No domingo 20 de maio uma jovem mulher de Teerã tornou-se a última vítima da repressão. Repórteres cidadãos capturaram imagens de seu rosto ensanguentado que foram subsequentemente publicadas em muitos blogues iranianos. De acordo com alguns relatos, ela estava filmando a repressão policial sobre as mulheres quando foi atacada pela polícia. Algumas testemunhas dizem que os policiais tentaram empurrá-la para dentro de um carro de polícia por conta de sua vestimenta e que ela teria resistido.

Além do inaceitável uso de violência policial, o resumo deste caso é que uma mulher indefesa foi espancada pela polícia em Teerã e a imprensa tradicional não estava lá para cobrir o acontecimento.

bloody1.jpgMaraym Sheybani, um jornalista e blogueiro, diz[FA]: “as fotos explicam tudo e não é necessário escrever nada sobre isso. Elas mostram o declínio moral da humanidade em Teerã nos dias atuais. As autoridades insistem que estão estabelecendo segurança, mas tudo que vejo é medo nos olhos das pessoas. Segurança é uma ilusão que desaparece assim que você avista as forças de segurança.”. E o blogueiro complementa “Eu não apóio as forças de segurança atualmente, pois elas agora acumulam o papel de agentes e juízes.”.

Zannevesht, também blogueiro e jornalista, escreve[FA]: “Não é fácil ver o rosto ensanguentado de uma mulher na tela do meu computador. Um colega me diz, ‘por que tanta violência?’. Outro me pergunta, ‘devemos escrever algo sobre isso?’. Outro nos lembra de que não temos o direito legal de escrever nada sobre isso, por ordem do Supremo Conselho de Seguraça Nacional’.”

Zannevesht então complementa:

“It is like you cannot feed your hungry child. We journalists are responsible to inform people and transfer news but we cannot do it. Imagine you are responsible and you fail your responsibility every day.”

“É como se você não pudesse alimentar seu filho faminto. Nós jornalistas somos responsáveis por informar as pessoas e transferir notícias mas não podemos fazê-lo. Imagine se você fosse responsável por algo e falhasse em sua responsabilidade todos os dias.”

Kamangir publicou alguns relatos de testemunhas oculares. O blogueiro relata:

“A shopkeeper in 7-Tir squares in Tehran mentioned later “The officers questioned three girls, aged 25- 30, for their veils. The questioning was so harsh that they reacted. A female officer started pulling a girl’s hand to get her in the police patrol, but she refused. Then, a male officer attacked the girl. That was when others got involved. The girls were taken away by passing cars safe from the police. They got into civilian cars while they had no covering and their cloths were torn away,
A taxi driver also said “In the morning, while the police was brutally questioning a girl, her cries for help enraged other people”. He also said that when the second incident happened, the Police hit a mother and daughter. While showing their injured faces to the people, they took off their veils. The two ladies have reportedly captured the incident on tape.”

“Um lojista da praça 7-Tir em Teerã mencionou posteriormente que ‘os oficiais questionavam três garotas, com idades de 25-30 anos, a respeito de seus véus. O questionamento foi tão grosseiro que elas reagiram. Uma oficial começou a puxar a mão de uma das garotas para colocá-la dentro da viatura policial, mas esta se recusou. Então, um oficial atacou a garota. Foi então que outros também se envolveram. As garotas foram levadas embora por carros que passavam por alí, a salvo da polícia. Elas embarcaram em carros civis sem nenhuma cobertura na cabeça e com suas roupas rasgadas.’
Um taxista também disse que ‘Pela manhã a polícia estava brutalmente questionando uma garota, e os gritos dela enfureceram as outras pessoas’. Ele também disse que, quando o segundo incidente ocorreu, a Polícia bateu em uma mãe e sua filha. Enquanto mostravam suas faces machucadas para as pessoas, elas tiraram seus véus. Dizem que as duas moças capturaram o incidente em fita.”

bloody2.jpgMarjan Namazi diz[FA] que ‘segurança’ é usada como desculpa pelas autoridades que violam os direitos humanos para atingir seus objetivos. De acordo com o blogueiro o assim chamado plano de segurança causou uma crescente violência.

Por último, Daroon Broon leva a situação para o lado pessoal[FA]:

“God where are we living? Are we in 21 century? Is there any difference between 21 century and first century, and then what is the use of history? Is anywhere in the world like here? Is any where else the law is so strange? Do in other places people are treated like here? Why should I always be worried about my sister?”

“Deus, onde estamos vivendo? Estamos no século 21? Há alguma diferença entre o século 21 e o primeiro século, e então para que serve a História? Algum outro lugar do mundo é parecido com isso? Há algum outro lugar onde a lei é tão estranha? Em outros lugares as pessoas são tratadas como aqui? Por quê é que eu tenho sempre que estar preocupada com minha irmã?”

(Texto original por Hamid Tehrani)

 

“O artigo acima é uma tradução de um artigo original publicado no Global Voices Online. Esta tradução foi feita por um dos voluntários da equipe de tradução do Global Voices em Português, com o objetivo de divulgar diferentes vozes, diferentes pontos de vista. Se você quiser ser um voluntário traduzindo textos para o GV em Português, clique aqui. Se quiser participar traduzindo textos para outras línguas, clique aqui.”

3 comentários

  • Fernando

    Creio que quando alguém abraça uma causa deve cientificar dos riscos que serão enfrentado. Primeiramente devemos olhar a cultura, não fora referenciado o tipo de vestimenta pela reporter usada. Mas, se vou a uma sauna, estou em trajes de sauna, se vou a praia lógico que colocarei trajes apropriados. Agora o mundo tem pego uma moda promiscua onde o corpo da mulher tem sido comercializada com um objeto vulgar e barato. Daí queremos infriltrar sorrateiramente em cultura seculares e até milenares. Se vamos à sauna estamos sujeitos a usar os trajes da sauna, então, paramos se serem idiotas, se vamos, em locais que exigem um traje apropriado, vamos sujeitarmos a culturas e não querermos colocarmos esta moda destes estilistas promiscuos em culturas definidas e seguimentadas. Muitos conflitos poderiam serem evitados se a sensatez fosse apreciada com carinho, inteligencia e principalmente a sabedoria, pois, a sabedoria é dom. Muitos se acham sabios e são só inteligentes.

  • Marcella

    Meus amigos, sem querer dizer que o simples fato de ser cultura milenar justifica sua existência no século atual, vamos observar que tipo de evolução a humanidade já teve e em quais lugares a humanidade simplesmente não evoluiu. As mulheres de Teerã não saíram de biquíni às ruas, muito menos peladas, elas simplesmente tiraram o véu que cobria suas cabeças há séculos…afinal de contas, pra que serve um véu na cabeça? êta cultura milenar boa pra caramba… Também acho que a cultura ocidental abusa muito da vestimenta feminina e até a mais inocente das mulheres ocidentais já usou peças bem curtas, mesmo sem querer ser objeto sexual. A questão não é usar ou não o hijad, mas sim o que acontece quando uma mulher deixa de usá-lo. Espancar mulheres nas ruas e prendê-las por causa de um véu não é bárbaro demais????? Na minha opinião é. Mesmo sendo uma questão religiosa, os países do oriente médio não evoluíram nem um pouco em relação a direitos humanitários, liberdade de expressão etc e tal. Se se é um homem, não tem problema, se é mulher pode até ser condenada à prisão ou à morte. Será mesmo que Allah abomina tanto assim o corpo das pessoas e ponto de ser proibido mostrá-lo?? Mesmo que seja a cabeça de uma mulher???

  • Dylan

    Resumindo. Nao ha liberdade, so isso. Religioes querem que o ser humano viva na idade da pedra e o proibem de pensar. Impoem regras da era de Maomé (essa do texto, no caso ), mas outras na ficam de fora. O catolicismo nao aceita o divorcio. Pra que religiao minha gente? Pra que? Acho que se existir uma energia superior, essa consciencia cosmica nao tem nenhuma religiao. Religiao é criacao humana.

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