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Rising Voices, ajudando a População Global a tomar parte na Conversação Global.

Graças ao generoso apoio da Fundação John S. e James L. Knight, o Global Voices está iniciando um novo projeto de longo alcance, Rising Voices (Vozes que se Elevam), que almeja difundir os benefícios do jornalismo cidadão para regiões, línguas e comunidades que são atualmente pouco representadas na rede de conversas.

O Rising Voices servirá como o terceiro braço da tríade do Global Voices, composta pela amplificação das vozes independentes pelo mundo afora, defendendo seu direito de livre expressão e provendo acesso universal às ferramentas de jornalismo cidadão como descritas em nosso manifesto de fundação. Para melhor entender como nosso foco evoluiu da simples agregação do conteúdo dos blogs mundo afora para esta nova e pro-ativa iniciativa de popularizar as ferramentas de mídia social entre as polulações sub-representadas, é importante olhar para trás, para 2004, quando o manifesto Global Voices foi inicialmente redigido, e no quão longe já fomos até agora.

Em dezembro de 2004 – ainda antes da explosão dos weblogs e podcasts que tornaram-se agora partes inevitáveis de nossas vidas diárias – os co-fundadores do Global Voices Ethan Zuckerman e Rebecca MacKinnon convidaram blogueiros do mundo afora para se reunirem em Cambridge, Massachussetts para o segundo dia da Conferência sobre Internet e Sociedade do Berkman Center. Estes pioneiros bloguísticos da Malaysia, China, Iraque e além, concordaram que estamos assistindo o alvorescer de uma nova era da comunicação, na qual indivíduos do mundo afora podem finalmente se utilizar da rede descentralizada graças à disponibilidade de ferramentas de auto-publicação como blogs e podcasts, que transformaram radicalmente cada computador em sua própria editora e estação de rádio.

Este post não se presta a perpetuar o idealismo que domina a retórica sobre o jornalismo cidadão: mas justamente o contrário. De qualquer forma, é ainda válido olhar para trás, para os dois primeiros anos do Global Voices, e relembrar algumas histórias e conversas que exemplificam o que acontece quando cidadãos comuns recebem o poder de fazer suas vozes serem ouvidas e contar suas próprias histórias.

Em março de 2005, a administração do Presidente Askar Akayev no Quirguistão ruiu sob os protestos que logo vieram a ser chamado de Revolução das Tulipas. Através da recentemente movimentada blogosfera, fomos presenteados com relatos, fotografias e análise em tempo real, conforme a situação se desenrolava. O mesmo foi verdade uma semana depois em Zimbabwe, onde o partido ZANU-PF (União Nacional Africana do Zimbábue) de Robert Mugabe extendeu seu controle sobre o país apesar das difundidas alegações de fraude eleitoral. Em abril de 2005, Ory Okolloh deu aos leitores de Global Voices sua primeira introdução à nascente comunidade blogueira do Kenya, que começou com uma forte base de blogs que observavam atentamente o governo, e que continuam a fazê-lo até hoje. Um mês depois, foi a vez de Ndesanjo Macha nos presentear com nossa primeira visão da blogosfera falante de Swahili, que naquele momento ainda não tinha ainda mais do que quinze representantes.

Nós também recebemos reações imediatas quando o candidato favorito-dos-blogueiros iranianos Dr. Mostafa Moeen perdeu o primeiro turno das eleições de 2005 e novamente em agosto quando os blogueiros locais protestaram contra os nomeados para o gabinete do recém-eleito presidente Ahmadinejad. Enquanto a Wikipedia tornava-se o lugar para onde iam as informações minuto-a-minuto sobre os bombardeios londrinos de julho de 2005, o Global Voices ofereceu as reações iniciais dos blogueiros Muçulmanos e falantes do Árabe do Oriente Médio e do Norte da África. O debate sobre o Acordo de Livre Comércio da América Central e República Dominicana foi e continua sendo tornado pessoal. O Iraque não apenas se tornou uma nação importante para todos nós, mas também os agradecimentos individuais dos iraquianos à dedicada cobertura feita por Salam Adil.

Todos nós debatemos as áreas cinzentas entre a liberdade de expressão e incitação de violência após a publicação das famosas charges Dinamarquesas. Da mesma forma, a Copa do Mundo do ano passado na Alemanha elevou o nacionalismo brincalhão na rede a um novo patamar. A Revolução Nepalesa de Abril de 2006 foi uma parte diária de nosso consumo de informação graças aos incansáveis relatos dos cidadãos na crescente blogosfera de Katmandu.

Não há dúvida de que o amplo entusiamo pelo compartilhamento de histórias locais para com leitores globais que define o Global Voices está um passo mais perto na direção de um mundo que favorece o diálogo e a compreensão acima da ignorância e força bruta.

Mas estes últimos dois anos também nos ensinaram que certas regiões do mundo, e certos grupos demográficos dentro destas regiões, se beneficiaram mais com a explosão do jornalismo cidadão do que outras. A maioria dos blogueiros e podcasters ainda tendem a ser de classe média ou média-alta. A maioria tem nível educacional universitário. A maioria vive em grandes cidades. E dos 70 milhões de weblogs atualmente rastreados pelo Technorati, 95% deles são escritos em apenas 10 línguas. Na verdade, aquilo que frequentemente chamamos de ‘conversações globais’, é uma discussão privilegiada entre elites globais.

Estamos atualmente desenvolvendo um currículo de módulos de ‘how-to‘ (como fazer) multilíngues que irão ajudar coordenadores de workshops e ‘evangelistas’ do jornalismo cidadão que quiserem explicar para amigos e colegas como começar a blogar, fazer podcasts e vídeo-blogadas.

Estaremos em breve anunciando a primeira rodada de microfinanciamentos para propostas de projetos inovadores que extendam o alcance do jornalismo cidadão às comunidades que de outro modo difícilmente teriam contato com as novas ferramentas midiáticas como blogs e podcasts. Fiquem ligados para mais informações sobre como se candidatar a um financiamento e sintam-se à vontade para nos escrever a respeito de quaisquer preocupações, comentários ou sugestões no endereço outreach@globalvoicesonline.org.

Mais informações a respeito do Desafio Jornalístico da Fundação Knight delegado ao Global Voices estão disponíveis no website do Berkman Center.

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